Pergunte-se a 10 pessoas se gostam de correr e 11 vão responder que correr é precisamente aquilo que não gostam. "Épá eu desporto, tás a ver, até gosto, futeboladas, biclas, etc., mas correr deve ser a única coisa que não gosto e que não era capaz de fazer. É que isso cansa muito :)"
Eu próprio o referi várias vezes por isso é que o conheço muito bem. E agora que saltei para o outro lado do muro é um contínuo déjá vu quando me perguntam como perdi peso e que estou bem etc. Quando refiro a palavra mágica CORRER fico internamente a repetir cada sílaba do que vão dizer. "Épá correr.... etc. etc."
Tento explicar que também pensava assim como eles mas depois saímos de facto do sofá e vamos pondo um pé atrás do outro, um de cada vez, e quando se vai a ver já estamos agarrados. Mas claro que o Padre António Vieira tinha bem mais sucesso a pergar aos peixes. Até agora consegui trazer 0 (zero) pessoas para este desporto.
Afinal o que move os malucos das corridas?
Ao fim de quase um ano desta boa vida (por oposição à má vida) há várias coisas que me fazem correr e penso que fazem correr também uma série de outros malucos como eu.
A simplicidade - Não é preciso nada para praticar este desporto. Só força de vontade. Em qualquer local se treina. Nem é preciso levar qualquer equipamento. Claro que depois cada um põe as doses de paixão que quiser. É como o tempero da comida.
Os nossos limites - Conhecer e quebrar os nossos limites físicos é algo que se faz continuamente. Para além do cansaço, da falta de fôlego, do quase desfalecimento, das dores, dos truques que o nosso corpo usa continuamente para nos convencer a pararmos de o esticar até limites impossíveis. Há um prazer secreto em lhe mostrarmos continuamente que é possível.
A humildade - Para mim há sempre 2 provas em simultâneo quando corro. E a grande vantagem é que numa delas fico sempre em 1º lugar. É o meu própio campeonato em que só eu participo. E cada prova que termino é uma vitória. Na outra corrida não é importante a posição. Sei que com o meu perfil de "atleta" dificilmente passo do meio da tabela mais para baixo do que para cima e já fico bem feliz. E para além de todo o esforço e sofrimento, conseguirmos conviver com isso é revigorante.
Melhor relação tempo/benefício - Já todos sabemos que, excluindo algumas profissões ligadas ao sector publico, a falta de tempo é o grande cancro da nossa sociedade. Venderam-nos um futuro bonito quando éramos putos e no ano 2000 com os computadores só tinhamos de carregar num botão, mas afinal temos de carregar em muitos botões e durante muito mais tempo do que quando a nossa sociedade tinha alguns horários. Ora qual o desporto que é compatível com um tempo livre que já não existe, e que mesmo assim faz de facto alguma diferença e melhora a nossa saúde? Sem qualquer hipótese de comparação é correr. Se fôr preciso em 10 minutos estou pronto para sair de casa e fazer um treimo curto a um ritmo alucinante. 30 minutos de fartleks estoiram e esgotam completamente todas as reservas acumuladas de energia (e de stress também).
Claro que correr é incompatível com fumar, com noitadas nos copos e com excesso de peso. Para correr temos de ter a maquineta bem afinada, conhecer o nosso corpo. E é também esse o grande conforto que nos dá sermos os malucos das corridas.
Se tiverem nem que seja um único neurónio que gostava de experimentar não sufoquem o rapaz. Façam-lhe a vontade. Experimentem a liberdade que correr vos dá. Quando tiver tempo vou escrever um pouco sobre como começar, mas até lá se quiserem conselhos, incentivos, ou simplesmente fazerem-me companhia aqui para os lados do deserto (margem sul no dicionário do Mário Lino) não hesitem em contactar-me.
Fiquem bem e boas corridas!
Eu próprio o referi várias vezes por isso é que o conheço muito bem. E agora que saltei para o outro lado do muro é um contínuo déjá vu quando me perguntam como perdi peso e que estou bem etc. Quando refiro a palavra mágica CORRER fico internamente a repetir cada sílaba do que vão dizer. "Épá correr.... etc. etc."
Tento explicar que também pensava assim como eles mas depois saímos de facto do sofá e vamos pondo um pé atrás do outro, um de cada vez, e quando se vai a ver já estamos agarrados. Mas claro que o Padre António Vieira tinha bem mais sucesso a pergar aos peixes. Até agora consegui trazer 0 (zero) pessoas para este desporto.
Afinal o que move os malucos das corridas?
Ao fim de quase um ano desta boa vida (por oposição à má vida) há várias coisas que me fazem correr e penso que fazem correr também uma série de outros malucos como eu.
A simplicidade - Não é preciso nada para praticar este desporto. Só força de vontade. Em qualquer local se treina. Nem é preciso levar qualquer equipamento. Claro que depois cada um põe as doses de paixão que quiser. É como o tempero da comida.
Os nossos limites - Conhecer e quebrar os nossos limites físicos é algo que se faz continuamente. Para além do cansaço, da falta de fôlego, do quase desfalecimento, das dores, dos truques que o nosso corpo usa continuamente para nos convencer a pararmos de o esticar até limites impossíveis. Há um prazer secreto em lhe mostrarmos continuamente que é possível.
A humildade - Para mim há sempre 2 provas em simultâneo quando corro. E a grande vantagem é que numa delas fico sempre em 1º lugar. É o meu própio campeonato em que só eu participo. E cada prova que termino é uma vitória. Na outra corrida não é importante a posição. Sei que com o meu perfil de "atleta" dificilmente passo do meio da tabela mais para baixo do que para cima e já fico bem feliz. E para além de todo o esforço e sofrimento, conseguirmos conviver com isso é revigorante.
Melhor relação tempo/benefício - Já todos sabemos que, excluindo algumas profissões ligadas ao sector publico, a falta de tempo é o grande cancro da nossa sociedade. Venderam-nos um futuro bonito quando éramos putos e no ano 2000 com os computadores só tinhamos de carregar num botão, mas afinal temos de carregar em muitos botões e durante muito mais tempo do que quando a nossa sociedade tinha alguns horários. Ora qual o desporto que é compatível com um tempo livre que já não existe, e que mesmo assim faz de facto alguma diferença e melhora a nossa saúde? Sem qualquer hipótese de comparação é correr. Se fôr preciso em 10 minutos estou pronto para sair de casa e fazer um treimo curto a um ritmo alucinante. 30 minutos de fartleks estoiram e esgotam completamente todas as reservas acumuladas de energia (e de stress também).
Claro que correr é incompatível com fumar, com noitadas nos copos e com excesso de peso. Para correr temos de ter a maquineta bem afinada, conhecer o nosso corpo. E é também esse o grande conforto que nos dá sermos os malucos das corridas.
Se tiverem nem que seja um único neurónio que gostava de experimentar não sufoquem o rapaz. Façam-lhe a vontade. Experimentem a liberdade que correr vos dá. Quando tiver tempo vou escrever um pouco sobre como começar, mas até lá se quiserem conselhos, incentivos, ou simplesmente fazerem-me companhia aqui para os lados do deserto (margem sul no dicionário do Mário Lino) não hesitem em contactar-me.
Fiquem bem e boas corridas!
2 comentários: