domingo, 7 de abril de 2013

Viagem ao Paleozóico - A prova (Parte 3)


(Parte 2 - Viagem ao Paleozóico - Hidratos de Cozido)


A chuva que caiu toda a noite eclipsou-se e ficou apenas um dia de céu nublado, calmo, sem vento. Depois da foto da praxe lá se deu a partida.
Tirando o Joaquim todos acabámos por partir com a prova principal. Uns que iam fazer, outros que não, outros que talvez, lá foram todos. Depois de 2 km de estrada entrámos pela fábrica das ardósias adentro. Foi a despedida do alcatrão. Com a noite de chuva e todo o inverno rigoroso, o terreno era o que se podia esperar. A zona da fábrica é xisto, xisto, xisto. Com água e lama. Ideal para escorregar.

Poucos Kms após a partida era já inevitável que os pés estivessem completamente ensopados entre lama e água, água e lama. O percurso alternava entre andar cá em baixo no vale junto às ribeiras rios e riachos e gigantescas subidas e consequentes descidas. 
O Carlos Sá a liderar a prova com o Marcolino em 4º
A minha prova era um mistério. Vindo de uma lesão, que ainda hoje me persegue, era a minha primeira prova longa do ano. Sem qualquer preparação decente, a não ser umas provas de mini trails na zona de Lisboa, foi o organizador, Luis Pereira, que uns dias antes me convenceu a fazer a prova grande. Faz a grande, a pequena vai-te saber a pouco. E ele tinha razão. Um fim de semana de luxo para ir fazer apenas um mini trail a Valongo, ia-me arrepender. Mas fazer a grande era um grande risco. Mas decidi fazer a grande e tentar aguentar até onde conseguisse. Mesmo que não chegasse ao fim, pelo menos ia fazer uma distância maior e logo desfrutar mais da prova.

O Rui acompanhou-me na primeira parte da prova. Na 1ª subida fomos juntos e na descida, sempre mais dolorosa para mim, já me via grego para o acompanhar. Fizemos bastantes Kms ao longo do vale, por trilhos fantásticos, muito fechados, em que seguíamos por dentro de ribeiros. Quando me chegava ao pé dele ainda lhe dizia que ia muito depressa, mas ele não me ligava. Isto é a descer, é aproveitar, dizia-me. Mas veio a 2ª subida a doer e deixei de o ver. Soube depois que deu o estoiro e ficou para trás. 

Eu seguia como podia. Não estava bem mas estava a conseguir aguentar e gerir as dificuladades. Por volta do Km 20 e poucos não estava a conseguir ver como iria chegar ao fim. Seguia sozinho e encontrava ocasionalmente companheiros com quem seguia e trocava algumas palavras. Irremediavelmente ficava para trás. 
As subidas gigantescas, enormes corta-fogo, montanha a cima, quase feitos a passo até me corriam bem, Com os bastões, passinho curto, ritmo certo lá ia passando os meus companheiros mais lentos e sem bastões. 

A pouco e pouco os abastecimentos seguiam-se, as subidas e as descidas lá se venciam. O sol há muito que já se fazia sentir e o dia tinha ficado muito simpático. Nalguns sítios virados para o sol o piso tinha secado.
Por volta do Km 30 comecei-me a sentir melhor. Era altura de recuperar e apanhar nas subidas alguns dos companheiros que me tinham fugido alguns Kms antes. Começo a perceber que vou conseguir fazer a prova toda e o ânimo é suficiente para me fazer progredir a bom ritmo. Passo agora quem acelerou cedo demais e já tinha dado o estoiro. 

Vem a ultima subida, Uma parede brutal, mais de 1Km a subir quase a pique. Era a pior segundo diziam. E era. Logo na base as cãibras ameaçam irromper a todo o instante. Um levantar de perna a mais, uma escorregadela, era o suficiente para estalar uma. E depois? Ficava para ali a gemer caído no chão. Ia cheio de medo a subir. Micro passos. Mas lá consegui chegar às antenas e vencer a subida.
Na fase final regresso ao alcatrão e faço já todo o percurso até ao pavilhão a um bom ritmo com o cheiro da meta a puxar-me. Quando chego perto do pavilhão vejo a Cristina, o Joaquim, o Marcolino. Felicidade! Corto a meta. O Moutinho vem-me dar um calduço e balbucia umas palavras chapa 4. 

Fico por ali um pouco na zona da meta e reparo que só está 1 pessoa à espera de massagem. Fico logo ali à espera de vez. Erro crasso. Devia ter ido dar uma volta e alongado um pouco antes de ir à massagem. Havia de pagar o preço com imensas cãibras durante a massagem. Coitado do massagista mal conseguia fazer o seu trabalho com as cãibras a rebentar continuamente aqui ali, agora neste, agora aquele. Raios, nunca mais faço isto.
Depois com calma lá falei com a Cristina. Modéstia à parte como era possível já estar ali? Eu tinha ido devagar mas ela não passou por mim. Tinha desistido pois sentiu-se mal e passou para a prova pequena. O Marcolino fez 6º lugar. Bolas! Grande campeão, apenas mais meia-hora que o Carlos Sá e veio lá na frente com o Armando Teixeira o Nuno Silva, o Telmo Veloso, etc. Sim senhor, um campeão. O Luis estava a fazer a prova grande. Acabou por ir à grande. Valente! Faltava também o Álvaro e Ricardo dos quais não havia pormenores. O Joaquim lesionado lá fez a prova pequena e estava contente pois não se ressentiu da lesão.

Para mim era altura de tomar um banho e comer enquanto esperávamos pelos outros companheiros para voltar para Lisboa. 

A organização numa azáfama desmontava tudo. O Luis chega no limite do tempo e o Ricardo acabaria por chegar meia hora depois mas ainda ficar classificado. 

Era tempo de fechar o fim de semana, apanhar a A1 e voltar a casa. 
Já devem ter percebido que foi um fim de semana de encher as medidas a qualquer um. Achei a prova muito dura. Não fiz os Abutres este ano, devido à lesão, mas diz quem fez as duas que esta foi bem mais dura. Creio que aqui, ao contrário dos Abutres, ouve 2 factores determinantes para a dureza acrescida. As enormes subidas muito desgastantes e o facto da prova ser muito corrível. Portanto ou se estava a subir violentamente ou se tinha de estar a correr. No final um gigantesco empeno! Os Abutres são mais técnicos e obrigam a uma velocidade média um pouco mais baixa, logo a um menor desgaste. Mas vale o que vale. Sâo opiniões de quem fez as duas.

Quanto à organização da prova, marcações irrepreensíveis, bons abastecimentos, só falhou o facto de não haver controlo dos atletas nos postos de abastecimento ou controlo. Com vários pontos comuns e cruzamentos dos vários percursos em muitos sítios, e percursos a passar muito perto uns dos outros, era fácil inventar-se um percurso à medida de cada um e no final não havia forma da organização saber quem fez o quê. Para a maralha isso é pouco importante e impossível de confirmar sem controlo, mas lá na frente onde todos sabem em que lugar estão, ainda deu asneira. Várias pessoas inscritas na prova grande, atalharam, desistiram, mudaram para o percurso pequeno, etc. etc. e depois na meta ficavam calados que nem ratos com a organização a atribuir-lhes o percurso grande. Se na frente isso se resolveu rapidamente, lá para o meio do pelotão isso era impossível de aferir. Foram alguns, ai isso foram seguramente. Mas eu faço a minha prova sem me importar com tempos e posições. Isso não quer dizer que este não seja um ponto a melhorar e resolver em edições posteriores


De resto tudo estava impecável. Valeu bem a pena esta incursão moura pelas terras nortenhas. Tudo somado só tenho bem a dizer do passeio. O cozido que é uma interessante experiência gastronómica, o hostel onde ficámos, a prova. Obrigado a todos, quer os do Norte, quer aos meus companheiros da aventura que foi passarmos um divertido fim de semana em Valongo. A regressar, se possível sem ser a correr, para visitar as minas dos romanos, os fetos pré-históricos e tudo o resto. Obrigado por me mostrarem mais um cantinho que ignorava existir neste país.

2 comentários:

  1. http://youtu.be/Adup0HTPWyo

    Estás no meu video a partir dos 20m ;) ia a filmar nessa foto do passadiço de lenço laranja ;)

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    1. Obrigado André. Logo já incorporo o vídeo no texto.

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