Foi há quase 17 anos que a maratona se atravessou naturalmente na minha corrida. Olhando um pouco para trás e sem nunca ter dado grande destaque ao número de maratonas que fiz, fui ao Connect contar e já vou em 22. Vinte e duas.... nem eu queria acreditar. Terminada a 22ª é tempo de fazer um balanço.
Andava um bocado arredado das maratonas. Basta olhar para o gráfico das minhas maratonas para ver que a seguir a 2019 foi um deserto. Tinha feito as minhas melhores maratonas e estava cansado. Virei-me mais para os trails e ultra trails. Também muito exigentes, mas ao mesmo tempo mais condescendentes e sobretudo com paisagens e cenários únicos e sem qualquer comparação com o aborrecimento de uma maratona. Em 2024 ainda fiz a dupla Lisboa/Porto (a primeira em mdo treino longo) e em 2025 a tentativa de aplicar a receita deste ano correu mal, com uma lesão a 2 meses da prova e uma presença que devia ter ficado pelos 32K. A casmurrice de chegar ao fim levou-me à pior prestação de sempre.
Este ano após uma excelente prestação no Oh Meu Deus 50K, o meu joelho esquerdo decidiu que se calhar devia dedicar-me à pesca. Após parar 1 mês e umas prolonagadas férias, a balança chamou-me á realidade. Era preciso estancar a situação. Tratava-se de uma emergência.
Entretanto percebi que, embora as subidas, e sobretudo as descidas, do trail não fossem possíveis, correr em estrada não parecia causar dor. Foi simples a decisão de ir à maratona de Lisboa.
Gosto deste novo percurso, que já tinha feito o ano passado, mas com vários problemas que me levaram a fazer a pior maratona de sempre. Portanto precisava de perder peso, ter um objetivo concreto, e fazer a maratona de Lisboa com um tempo mais razoável.
Gosto da logística de treinar para uma maratona, minimamente. O treino é quase matemático, bem como a disciplina que se tem de seguir para conseguir suportar a carga de treinos, quer de alimentação, quer de repouso e recuperação. Tudo somado levou-me a perder 6 Kg em 2 meses, ganhar massa muscular e simultâneamente voltar a um pico de forma que já não tinha há muitos anos. Claro que não é possível fazer comparações diretas com a forma que tinha há 10 anos. Com quase 61 anos estar em forma não é ter 50 anos. É só estar em forma com 61 anos.
Ainda assim foi bom voltar à performance que tinha há 10 anos, ultrapassar a lesão do joelho (para já pelo menos na estrada) e encarar esta prova com confiança. Todos os indicadores o diziam e embora tenha esticado demasiado o pace e tenha pago o preço nos ultimos 6 kms, acabei por fazer um tempo razoável e dentro da minha zona habitual.
Sobretudo desfrutei novamente de fazer uma maratona e acabei com aquela sensação que poderia ter ido um pouco mais rápido SE não tivesse falhado alguns treinos importantes. Ainda assim grande parte da prova fui sempre com um ritmo cardíaco controlado e num pace confortável e contido. Foi uma bora maratona. Será que fiz as pazes com a maratona ? Quando virá a próxima ?

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