segunda-feira, 13 de julho de 2015
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Trail Camp UTMB - Inglourious Basterds - Missão comprida!
Obviamente não vão perceber nada se não leram esta aventura desde o princípio. Cliquem aqui para lerem desde o início e não precisam de pagar mais por isso.
Dia 4 - Refúgio de la Croix du Bonhomme -> Chamonix
Era um dia de festa. Vejam pela cara de felicidade do Boelto. Acordámos mais tarde e saímos por volta das 8h30 depois de um pequeno almoço miserável. O dia era de descer. E descer foi o que fizemos durante 26Km, quase sem interrupção. Quem for fazer o UTMB já sabe que tem de os mamar a subir. E bem, que a parte final é bem dura.
A .localização do refúgio como podem ver na foto é simplesmente incrível. Como era a descer ninguém queria levar os bastões na mão. Para quê? A resposta veio depressa. A neve era mais que muita por todo o lado. Do refúgio ainda se sobe um pouco antes de começarmos a descer. Cada vez mais neve aos 2500m.
Mas ainda saboreávamos o cafézinho em Contamines quando vejo que o Boleto me tinha ligado. Mau!!! Devolvo a chamada. O Melo estava a piorar do joelho e tinham combinado que ele iria ficar mais para trás e apanhar um transporte na próxima cidade. Já estavam num local com muitas pessoas e habitações, estava tudo controlado. Ficámos com pena dos 2. Um coxo ia ter de abandonar, e o outro fazer o resto do dia sozinho, Mas estava tudo bem e esta zona é já bastante povoada, sempre com rede, aldeias e casas espalhadas pelo vale. Não haveria qualquer problema.
A subida começa bem, bosques, casinhas, inclinação, cascatas. Falhamos uma entrada num trilho que mais parecia mato o que nos vai custar talvez quase 1 hora. Seguimos uma linha de comboio mas nada daquilo me fazia sentido. Lembrava-me que a descida para St. Gervais era sempre a pique. Depois de andarmos a tentar corta mato e esbarrarmos em paredes de rocha, decidimos finalmente o mais racional. Assumir o erro e voltar para trás até encontrar o track de novo. Só estávamos a perder tempo e não íamos conseguir atalhar de volta ao track.
Depois de assumirmos o erro e voltarmos atrás, tudo se recompôs. Encontrámos o track, retomámos a subida íngreme. Demasiado íngreme! E atingimos o colo. Ultimo colo!!!! YUUUHUUUHH!!!
Restava descer até Les Houches (nada de especial, 800m em 8 km...) e depois ir pela floresta junto ao rio até à meta.
Faltavam 2 surpresas. A primeira foi encontrar o Melo na descida. O que estás aqui a fazer pá?!?! Então não ias apanhar um transporte. Afinal sentiu-se melhor e começou a seguir as placas do TMB e a olho já ia ali. O TMB não vai a St. Gervais, mais o nosso atraso o bandido tinha-nos passado à frente. Depois de nos certificarmos que já se sentia melhor lá fomos andando. Tinha começado a chover e não havia jeito de parar. A segunda surpresa estava à nossa espera no Hostel. O Sr. Boleto apanhou-se sozinho e resolveu seguir um trilho alternativo... claro que o GPS o mandou seguir o TMB que atalha caminho. Acabou por fazer exactamente o mesmo que o Melo fez, mas à frente dele. Com a nossa passagem em St. Gervais, mais o almoço de pizza, mais o engano, claro que já tinha chegado há muito tempo. Bandido número 2!
Mas para chegarmos à surpresa 2 faltavam-nos 8 Km de bosque carrossel. A vontade de correr lutava contra a vontade de acabar, e lutavam ambas contra a chuva que cada vez era mais forte. Os últimos 3 Km foram feitos já de raiva com o Turtles, non stop. Quanto mais perto estávamos mais as nuvens descarregavam, E como tudo o que é bom acaba depressa, acabámos também a nossa aventura. Só o tempo de esperar pela foto do grupo da praxe e lá fomos para o Hostel. Várias coisas em formato mega nos esperavam. Banho, jantar, bife, cerveja, Estava feita a volta ao morro lá do sítio. Que viagem e que aventura!
E é chegada a hora da lamechisse, dos agradecimentos e do caneco. Dois gajos sem os quais isto não tinha sido possível; em primeiro o Luís Trindade que me ajudou no planeamento e na preparação do projecto. Foi uma ajuda um pouco espiritual demais, é um facto, mas fundamental para avançarmos com a epopeia. O outro gajo sem o qual isto não tinha sido possível é o meu fenix2. Quase 200 Km, 4 dias, um grupo de doidos, dependentes de uma cena da Garmin na montanha. É obra! Só nos assustou em Courmayeur e provavelmente devido a algum problema com o mapa da zona que tinha carregado. É que para além dos tracks tinha no fenix2 os mapas dos trilhos de toda a zona do Monte Branco. Obrigado por nos guiares companheiro.
Last but not least, au contraire mes amis! A todos os que ousaram acompanhar-nos, as boas notícias são que para a próxima já não temos de levar o Trindade. Obrigado pela vossa confiança. Ainda bem que tudo correu ainda melhor do que o planeado. Estou a falar da cerveja claro :)
E vou desligar o modo lamechas. Esta viagem vai viver dentro de cada um de nós para sempre. Foi um prazer partilhar os momentos inesquecíveis que passámos juntos. Epa afinal não tinha desligado a lamechisse, Tá encravado!
Epá bazem daqui meus grandes cabeças de porco! Só sei que estou à vossa espera no final de Agosto na MBC em Chamonix, com um jarro de litro e meio de cada uma. Agora sim!
| Cliquem para verem o mapa do dia 4 |
![]() |
| Cliquem para ver mais fotos do dia 4 |
Ainda aqui estão? Não me digam que querem saber porque dei este nome ao post? Ah não era por isso? Não faz mal. Vão ver o filme do Tarantino para poderem descodificar.
Alguns números finais:
4 dias
192 Km
10.500 D+
40h30m
3 refúgios de montanha
1 mochila de 20L e 8 Kg
1 par de ténis
1 mão cheia de amigos
Esqueci-me de contar os litros de cerveja.
Até à próxima aventura!
Esqueci-me de contar os litros de cerveja.
Até à próxima aventura!
terça-feira, 30 de junho de 2015
Trail Camp UTMB - Meio Monte já está, venha o outro meio!
Se não leu o início da aventura pode seguir por este link
Dia 3 - Refúgio Bonatti -> Refúgio de la Croix du Bonhomme
Acho que o Darth Vader nos visitou nesta noite… “Crrrrrr Crrrrrr”… “Boleto, you’re my son! The force is strong in you!” Eu não dei por nada. Protegi-me do lado negro da força com os meus tampões Yoda. Depois de uma etapa de descanso tínhamos novamente uma etapa bem dura pela frente e agora já era a 3ª. Resolvemos antecipar em 30 minutos a nossa saída. Alvorada às 5h para sair às 6h. Pedimos o pequeno almoço para as 5h30 e para nossa surpresa a resposta foi: Ok! Um pouco diferente da véspera.
Quando descemos esperava-nos um buffet em que nada faltava. Ao nível das instalações, do jantar e da simpatia de todo o staff. Que excelente impressão que nos causou o refúgio Bonatti. Só foi pena as nuvens taparem um pouco a magnífica paisagem que se tem do refúgio para o outro lado do vale. Fica para a próxima.
Calçar os ténis ensopados de véspera só foi desagradável até termos de passar novamente um riacho a vau cuja ponte tinha sido também levada pelo inverno. Saímos com o ligeiro atraso do costume. Plano do dia: iríamos até ao refúgio Bertone ao longo do magnífico vale glaciar sensivelmente sempre na cota dos 2000 m num simpático carrossel. Algum fresquinho matinal rapidamente ultrapassado com as primeiras tiradas a correr.
Era um dia decisivo para o nosso grupo da retaguarda. Até Courmayeur a viagem era pacífica e esse seria o ponto de não retorno. De Courmayeur, Chamonix está do outro lado do Monte Branco e basta atravessar o célebre túnel que passa por baixo da montanha. Não me pareceram com vontade de abandonar a volta mas era certo que começando a subida de Courmayeur os pontos de abandono e de regresso a Chamonix iam reduzir e complicar-se.
Chegados ao refúgio Bertone e recolhidas algumas fotos da cidade quase mil metros mais abaixo, iniciamos a monumental descida. Recordo-me bem da dureza desta subida no UTMB. Mas a descer foi num fósforo que chegámos a Courmayeur. Obviamente tínhamos de parar para tomar um café, levantar algum dinheiro e publicar qualquer coisa no Facebook já agora.
Íamos iniciar as 3 ascenções do dia: Arête du Mont- Favre (2421 m), Col de la Seigne (2509 m) e Refúgio de La Croix du Bonhomme (2455 m). Estávamos aos 1200 m. Siga que se faz tarde.
O vale Ferret é brutal, Totalmente selvagem. As marmotas faziam a sua vida do dia a dia. Uma recusava-se a fugir quando passámos ao lado dela. Outras lutavam, não percebemos se era alguma discussão conjugal. A neve intensificava-se novamente à medida que nos aproximávamos do colo. Mas desta vez o dia de sol dava-nos o alento necessário para desfrutarmos do momento.
O refúgio é selvagem e tem uma vista incrível. Lá fora a tempestade não dá tréguas. Há algumas falhas no refúgio. Só a sala no rés do chão tem uma temperatura agradável. A área dos quartos é gélida, Os quartos são gélidos. Não há luz nos quartos devido a um problema qualquer. Também só há rede lá fora..."vai lá tu". Ainda assim o refúgio tem algo de aconchegante: a paisagem, o local ermo e remoto, os édredons do quarto...
Há pouco para fazer aos 2500 m de altitude. Enroscar-me num édredon quentinho, num lençol saco cama de seda é uma das melhores opções. E quentinho dormi.
Querem mais fotos? Está bem. Cliquem na nuvem para verem todas as fotos do dia 3
![]() |
| Cliquem na nuvem para verem mais fotos do dia 3 |
Sigam por este link para o ultimo dia da aventura
Subscrever:
Mensagens (Atom)

