quarta-feira, 21 de março de 2012

28 de Janeiro - 2º Trilho dos Abutres



Tal como na prova, este blog empenou no Trilho dos Abutres. Vamos lá mas é a desencalhar isto. 

Por um lado é boa ideia deixar as ideias assentar um pouco em vez de vir com o coração nas mãos escrever sobre uma prova. Claro que não foi isso que me fez demorar tanto, mas aproveito a desculpa.

Este ano repeti o passeio do ano passado com a diferença que levei ainda mais amigos e alguns foram iniciar-se em trilhos. Até a Dora me fez companhia e que bem que soube dormir mais quentinho, no pavilhão dos bombeiros... :)

Portanto a dormida nos bombeiros já se está a perceber que foi um bom upgrade. Tirando o facto de quase ficarmos agarrados sem colchões porque os bombeiros tinham deitado fora os que usámos o ano passado. Nós fomos à confiança, íamos-nos tramando.

O convívio de véspera também foi 5 estrelas. Em boa hora cravei o  amigo Vitorino para nos orientar num local para jantarmos e que boa escolha ele fez, para além de nos honrar com a sua companhia. Um repasto de bradar aos céus, num bom ambiente e com uma Chanfana e um Sarrabulho excelentes. Um jantar daqueles que fica na memória por todos os bons motivos. 

A escolha do pavilhão como base da organização também foi um upgrade fantástico. Uma simpática feira com os produtos da região e o restante material, um local abrigado para convivermos um pouco e nos ambientarmos com o local de chegada do dia seguinte.

Ao contrário do ano passado de manhã abandonámos totalmente o quartel dos bombeiros e mudámos-nos para perto do pavilhão devido a problemas logísticos com os vários elementos e as chegadas das várias provas. Logo aqui percebi que ia perder um dos mimos do ano passado. O ano passado com as chegadas no centro da vila deixámos as coisas no pavilhão dos bombeiros e como quem não quer a coisa quando acabámos a prova fomos tomar um banho quentinho no quartel na paz do senhor. Que bem que soube!!! 
Portanto após o repasto e a visita ao pavilhão para recolher o dorsal e uma noite bem dormida, pese embora alguns roncos, lá acordámos para o frio de Miranda do Corvo.... brrrr... que frio matinal.
Eis que chega a altura da prova. Este ano houve revista do material obrigatório o que acho muito bem pois se é obrigatório é porque é. E alguém tem de verificar senão não serve de muito. Tal como o ano passado as gaitas de foles ajudavam o pessoal a aquecer.

Muito menos água na serra da Lousã devido à seca que se faz sentir agora já em força. Os pequenos ribeiros não tinham margens bem definidas, provavelmente devido ao reduzido caudal o que resultava em enormes lamaçais nas zonas onde o ano passado pequenos riachos corriam. 

Não vou fazer uma descrição exaustiva da prova, apenas passar-vos a minha opinião e como tive a sorte de estar na 1ª edição, fazer as inevitáveis comparações. 

O meu objectivo este ano é preparar-me para fazer a minha primeira prova de 100Km, portanto é importante abordar as provas com um espírito de passeios. Ir devagar e não me lesionar é o mais importante. E assim tentei ir nesta também. Para além de que aqui a natureza merece a nossa contemplação. 
Nesta prova aproveitei também para estrear os meus bastões. Nunca tinha usado. Gostei e usei em várias situações. Nas grandes subidas são uma excelente ajuda. Fiquei cliente. Tentei desde o início dosear o esforço e o ritmo. O objectivo era limitar os estragos que tal esforço iria causar. 

Algumas pequenas alterações de circuito até chegarmos às eólicas, e só quando começámos a descer pela pista downhill vieram as verdadeiras mudanças ao traçado do ano passado.

Estas alterações trouxeram coisas boas e coisas menos boas. Gostei da dureza e dificuldades acrescidas com algumas partes fantásticas. Não gostei tanto das filas que se formavam no andamento onde ia inserido com grande dificuldade em ultrapassar e tentar manter o meu ritmo. Mas aí, azar. Fosse mais depressa para evitar seguir numa zona tão lenta.

Houve demasiadas zonas seguidas em que não era possível correr o que frustrou um pouco. Na minha opinião as zonas de quase escalada ou de progressão perigosa são fantásticas mas o ideal é estarem intercaladas com zonas para rolar um pouco, partir um pouco os grupos que se formam e evitar filas nos próximos obstáculos. Claro que escrever isto é fácil mas traçar 50Km num percurso circular e encaixar tudo na perfeição não é fácil. Por isso é que vos deram essa serra para se entreterem e melhorarem sempre. Talvez não passe tanto pelo aumento da distância, ou pelo aumento do número de participantes, talvez tenham de aumentar o perímetro de acção. Houve quem não gostasse de descer um corta fogo para subir outro ao lado logo de seguida. Eu gostei de tudo para ser sincero, a vista daquela descida ficou gravada. As cãibras que ameaçavam arruinar-me na subida ao lado também. 

No final e pese embora uma prova excelente, num palco de natureza fabulosa, com imensas dificuldades, dureza extrema com imensas escaladas e subidas demolidoras fica a sensação que as alteração desequilibraram um pouco a prova. Nada que não se corrija na próxima se for esse o balanço que a organização fez.

A caminhada creio que deve ter sido onde mais se sentiu também essa dificuldade. Com algumas pessoas a referirem não estarem preparadas para um nível tão exigente. Claro que com a ajuda dos caminheiros de Espinho todos superaram os obstáculos e no final ainda sabe melhor vencer alguns desafios que não estavam na agenda inicial. 

Este é mais um trail que tive a sorte de ver nascer e espero estar sempre à altura de regressar e acompanhar o seu crescimento por muitos e bons anos. Já têm tudo o que precisam aí em Miranda, agora é só afinar e melhorar. Parabéns a todos e até para o ano.

E agora... PARTIDA!

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