terça-feira, 8 de março de 2011

6 de Março - Inesquecível Trail Convívio em Barrancos



Este fim de semana foi uma feliz conjugação de vários factores. Desde logo o desafio lançado na Laminha para o Francisco organizar uma coisa ali por Barrancos. Depois o Francisco que organizou uma coisa ali por Barrancos. Depois o Ricardo e o José Magro que começaram logo a combinar que íamos todos. Depois o facto ter termos mesmo ido todos. Desprezando uma emblemática prova em Cascais, que vos digo sinceramente e cada vez mais, foi o que menos me custou.

Tudo combinado e arranjado lá nos fizemos á estrada. Nunca tinha ido a Barrancos. Quem já foi a Barrancos? 
É por isso que Barrancos é como é. Não está a caminho de nada e é precio ir lá de propósito. E desta vez tínhamos um propósito. A expectativa era gigantesca desde que vi as fotos do Francisco no facebook. Que maravilha de natureza nos esperava. Um colega meu também já tinha andado ali para os lados do castelo de Noudar e eu já tinha explorado virtualmente a área. Até já estivemos para ir passar um fim de ano no monte de Coitadinha… no mais profundo Alentejo. Portanto sabia ao que ia.

Chegámos a Barrancos e encontrámos toda a gente, quase por magia. Na praça principal, onde fazem os touros de morte, decorria um casamento. Foi tempo de tomar uma mine, esperar mais um pouco e seguimos para o jantar. Nas instalações da escola básica tivemos um mega jantar de convívio. Bem regado e animado, com tão ilustres companheiros a conversa girava obviamente em torno das grandes provas de trail. Uma delícia para os ouvidos de maçaricos aprendizes. Não posso deixar de referir o licor de chocolate branco com gengibre, produção da Paula. Vou ter de ficar à espera de uma oportunidade para adquirir uma garrafinhas deste surpreendente néctar.

Infelizmente, devido ao tempo instável e ao frio que apareceu esta semana não fomos dormir ao Castelo de Noudar como inicialmente pensado. Foi uma pena. Tinha adorado a experiência. Mas face ao frio e ao possível mau tempo o Francisco fez bem  em mudar o hotel para o pavilhão gimno-desportivo da vila. Dormimos descansados sendo que ainda caiu uma carga de água durante a noite.

O dia acordou muito bonito e prometia ser nosso amigo. Fomos para o Castelo de onde iria ser a partida. Uma voltinha para apreciar o fantástico Castelo de Noudar. O local é magnífico, com vistas deslumbrantes. O castelo está relativamente bem conservado e é possível subir à torre para desfrutar de paisagens que nunca mais se esquecem. O rio Ardila e a ribeira de Murtega serpenteiam entre montes sem fim criando a ilusão de estarmo rodeados de vários rios. Uma maravilha. Fotos e mais fotos e siga que se faz tarde.


Nota: vejam todos os filmes no youtube em full screen para desfrutarem das paisagens em formato HD.


Descemos até um vale verdinho, tudo é verdinho por ali, e subimos a um cerro perto para voltarmos a descer e encontrarmos a ribeira de Murtega. Os cheiros enchem-nos o espírito. As estevas, o funcho, tudo de mistura numa poção que eu ficava ali a saborear sem mais nada para fazer. Fica para outra oportunidade mais calma. 
Corríamos livres por prados de relva verdejante que nos ensopava os pés. Sem fitas e sem preocupações que não fossem desfrutar da paisagem, dos amigos na galhofa e tirar muitas todos. Saltávamos cancelas ou rastejávamos por baixo do arame farpado. 

O plano era agora voltar ao Castelo pela ribeira. A encosta do rio ficava cada vez mais íngreme e escarpada. Logo logo a corrida se transformou em escalada. Progredíamos com enorme cuidado. As lajes de xisto húmidas e com limos não admitiam brincadeiras. A malta adorava a dificuldade. Apareciam as primeiras comparações e elogios ao traçado do Francisco. Brincava-se com o facto de outras provas bem conhecidas da nossa praça serem para meninos e aquilo sim, é que era dureza. Às tantas era tempo de abandonar o rio e escalar a íngreme encosta até tomarmos o Castelo novamente. Demorámos mais de 1 hora nestes primeiros Kms, tal a dureza do percurso. Cá em cima felizes e cansados esperámos pelo Prudêncio que não se sentia muito à vontade naquele “terreno”.

Contornámos o Castelo por trás e descemos agora a encosta para Este em busca do Rio Ardila. Com passagem por um moinho de rio seguimos depois ao longo do rio numa zona bem desafogada. 

Finalmente corrida mas num terreno bem irregular. Ao fim de uns kms a minha lesão na coxa começou a queixar-se. Felizmente abandonámos a rio e subimos até á estrada, ou seja oportunidade para descansar um pouco J
Iamos deixar o Prudèncio no caminho mais directo para o Castelo. Estávamos agora com cerca de 2h30m. O Ricardo que se ia a queixar da perna desde o início e o José Magro aproveitaram e fizeram companhia ao Prudêncio regressando mais cedo para Barrancos.
Sem o Prudêncio temi que passasse a ser eu o coxo de serviço a atrasar o pessoal. A minha coxa pedia-me para ir com eles já para Barrancos. A meu cérebro dizia-me nem penses. Fiquei ali indeciso por uns momentos até porque não estava à espera que o Zé e o Ricardo também quisessem ir…. O cérebro ganhou. E lá seguimos e voltámos a descer para o rio. Em breve o cenário iria repeteir-se: o vale começava a estreitar, a margem do rio começava a desaparecer e a única hipótese de progredir era por zonas de escarpa. Não aconselhável a gente nervosa ou com vertigens.

Ora subíamos aos cerros de onde desfrutávamos de vistas espectaculares, ora descíamos até ao rio desbravando trilhos e inventando acessos. Navegávamos à vista e decidíamos as melhores estratégias de progressão. O Francisco avisava-nos que não tinha ido por ali mas podíamos tentar…. E tentávamos. 
Estávamos em sítios fantásticos, inacessíveis por outros meios que não aqueles que usámos. O silencio era interrompido apenas por alguns pássaros e o ligeiro fluir do rio. Que magnífica natureza que pudemos desfrutar.

A hora do almoço começava a ficar severamente em risco. Progredíamos com muita dificuldade. O Carlos era agora o elemento mais lento e não se sentia minimamente á vontade naqueles “terrenos”.

Enquanto esperávamos que o Carlos conseguisse ultrapassar o obstáculo que era aquela descida desfrutávamos da calma mágica daquele lugar.


Quando finalmente transpusemos a parte mais difícil do Rio estávamos com 18 Km’s, a 6, no mínimo, da ponte que inicia o trajecto para o Castelo de Noudar. Sendo que daí eram mais 3 Kms até Barrancos. Dado o adiantar da hora começamos a tentar atalhar ao máximo, tendo mesmo regressado ao estradão nos últimos Kms. Ainda passámos por uma lindíssima lagoa onde decorria um concurso de pesca, corremos com vacas solidárias que fizeram 100 metros a correr connosco e trepámos os 2 ultimos cerros para conquistar Barrancos. 

Eu estava moído dos pés à cabeça. Mas ainda tive força para fazer os últimos 2 kms com dignidade e chegar junto com os gurus. Já não sabia se me doía mais a minha lesão, ou se o dedo negro que ganhei num tropeção algures por ali. Na duvida subi aqueles últimos Kms a correr e juntei-me a eles.
Era tempo da ultima logística, banho, buscar os carros que tinham ficado no Castelo e almoço no monte do Fernando onde nos aguardava uma dose maciça, pornográfica mesmo, dos mais magníficos enchidos e carnucha de porco preto. Que festim. Mesa posta no alpendre, uma mesa cheia das melhores iguarias que vocês possam imaginar e mais além, muito mais além, amigos, vinho, cerveja, medronho. Não é possível imaginar melhor recompensa para um dia que já de si tinha sido de arrasar.

Ficou uma vontade enorme de voltar a desfrutar da simpatia e do ambiente familiar em que o Francisco nos recebeu. Ficou uma inveja enorme por uma qualidade de vida impressionante que se tem por ali. Mas trouxe novos amigos, trouxe a melhor e mais dura “prova” de trail que já fiz. Mesmo após ter feito esta pequena descrição, digo-vos que não tenho palavras para descrever este fim de semana.
Amigos, eu sou maçarico nestas coisas e portanto a minha opinião vale o que vale, mas digo-vos que este fim de semana teve entrada directa para o TOP. Só espero que o possa ultrapassar vezes sem conta na vossa companhia.

Se quiserem ver todas as minhas fotos sigam este link. Quando houver mais fotos disponíveis actualizo.

Também fiz o habitual track + fotos georeferencidas que podem consultar aqui. Sigam o track e vejam onde cada foto foi tirada.

Se preferirem ver no Google Earth vejam antes neste link.

Dedico esta crónica ao Francisco Bossa e a toda a sua família pela dedicação e hospitalidade com que nos receberam em sua casa. 

4 de Março - 4º Treino Lunar

Desta vez houve uma inovação nos Treinos Lunares. Por intermédio do João Cunha preparámos em, relativo, segredo uma pequena aula introdutória de Yoga. Era a surpresa da noite. Para além do facto de ser Carnaval e ter havido quase meia dúzia de atletas que se lembraram da data e fizeram questão de a deixar na história deste treino carnavalesco.

Assim lá cumprimos a tradição Lunar. De véspera uma fornada de bolos energéticos foi processada. Por volta das 20h seguimos para o Treino. Eu a Dora com umas belas cabeleiras surpreendemos o pessoal que não se lembrou que estávamos em pleno Carnaval. Ou então que pura e simplesmente não liga a essa tradição. Não os censuro. Eu próprio não ligo a isso. Mas desta vez achei que ia ser surpreendente e assim foi. Ainda fui ao facebook lembrar o pessoal que estávamos na época do Carnaval mas pelo vistos ninguém, ou quase, reparou.

Lá conseguimos reunir 31 malucos que persistem em fazer o seu treino na praia à noite. Há pessoas que manifestam alguma tristeza por sermos poucos ou por sermos menos. Eu não partilho dessa opinião. Para mim trata-se já de um reunião de amigos e não se contam amigos. Os amigos que podem estar presentes estão, e pronto. Os dias do evento vão avançando ao longo da semana. Isso é bom e mau. Pode fazer com que algumas pessoas não possam vir nalguns dias mas outros só poderão vir nesses dias. Também fazer sempre no mesmo dia da semana acaba por criar uma certa rotina que vai contra o espírito da iniciativa. Há quem alimente a esperança que com o bom tempo é que vamos ser muitos, ou quando chegar a primavera, ou outra coisa qualquer. Logo se verá.
Assim é mais democrático e dá mais oportunidades a todos de participarem. Venham quando e se puderem . Senão venham ao próximo. O meu lema é sempre o mesmo, se formos 2 já vou. No final comemos umas barritas ou uns bolos energéticos e está feito o treino.

Mas por enquanto somos mais que 2 e o núcleo duro não desiste de estar presente. A Sport Life até nos fez o favor de divulgar o evento mas usou um link pouco recomendável para o fazer pelo que o retorno para o evento foi nulo. Ninguém se vai dar ao trabalho de escrever o endereço que está na revista e mesmo quem o faça dificilmente irá acertar na coisa e desiste ao fim do segundo 404 not found.

Mas desta vez uma surpresa nos aguardava. O centro de yoga da Costa da Caparica foi dar-nos uma aula de Yoga. Eu não percebo nada de Yoga e simplesmente abri o espírito para receber alguns dos ensinamentos que a professora nos transmitiu. Também pensava, como muitos diziam, que Yoga não fazia sentido antes de correr. Puro engano. O Yoga tem a capacidade de nos energizar e preparar para uma prova. A “aula” que tivemos centrou-se precisamente nalguns exercícios específicos para esse fim. E o certo é que quem se aplicou nos exercícios rapidamente ficou sem frio. Porque aquelas posições fazem mesmo trabalhar os nossos músculos e trabalham a nossa flexibilidade, uma área sempre descurada por quem só faz corrida. Todas as explicações que a professora nos transmitiu foram muito uties, fizeram imenso sentido e gostei muito do meu contacto com o Yoga. Uma coisa a explorar sem duvida.

Bem quentinhos e cheios de energia lá partimos para mais um. Desta vez com algum atraso mas sendo uma 6ª feira não era grave. O meu treino foi muito lento e calmo, não por causa do Yoga mas porque não queria forçar muito a perna. No dia seguinte ia rumar a Barrancos para 35Km de trail por montes e vales. Há que poupar o material.

Assim fizemos apenas 1 hora. Regressámos mais cedo e ajudámos a montar o arraial. O costume. A D. Leonor excedeu-se novamente e trouxe uma quiche de atum acabada de sair do forno, um pão caseiro delicioso e o famoso arroz doce. A Guida fez uma bola, alguem trouxe umas tranças cheias de creme, muita fruta, um pão de ló, etc. Para além do tinto e outras bebidas menos alcoólicas. 



A habitual cavaqueira e desta vez fomos ficando até à meia-noite. Poucos mas bons. 


Obrigado amigos. Espero que se tenham divertido, aproveitado bem o treino e desfrutado do yoga. Resta saber como vai ser o próximo. Na véspera da meia maratona de Lisboa num Sábado à noite... 
Sabem que mais? Eu vou! Até dia 19 de Março. Treinem bem.

terça-feira, 1 de março de 2011

27 de Fevereiro - 2º Trail Terras do Sicó


Pela 2ª vez lá fomos ao Sicó. Se não se lembram como foi a 1ª podem ser ler a crónica aqui.
Tal como da outra vez saímos na véspera para um fim de semana de passeio pela região. Depois de um leitão em Miranda do Corvo rumámos a Gondramaz onde fui mostrar uma das inúmeras cascatas. Um cheirinho a Abutres. Para além do resto da família, acompanhava-nos também a família do Luis. A Dora e o Luis iam estriar-se nos trails. E logo numa prova de 15Km. Isto prometia.

Ao final da tarde passámos pelo pavilhão para reencontrar os amigos da corrida. Grande animação. Por ali estivemos um pouco até que chegou a hora da janta e tínhamos de ir tomar posse administrativa das instalações que tínhamos escolhido para este ano: o café Pariz em Campizes (a 4km de Condeixa).

Um belo jantarinho de enguias fritas serviu para fechar a noite. Os quartos numa vivenda anexa cumpriram a sua função e por um preço ainda mais em conta que a pensão do ano passado não se podia pedir muito mais.

A simpatia e a genuinidade são as principais características deste local, bem como a comida com um sabor caseiro.

Dormimos bem, numa tranquilidade total, de tal maneira que só de manhã na casa de banho dei pela existência do relógio da igreja, daqueles que toca o avé maria de hora a hora. Um pequeno almoço no café com a aldeia ainda no 3º sono e lá nos dirigimos para Condeixa enquanto quem não ia correr ficou a dormir até ás tantas.

5 minutos é o que se demora a fazer o percurso até Condeixa. Carro estacionado junto ao pavilhão e siga para a partida.


Tanta gente conhecida. O ambiente era fantástico. Deixei-me ficar bem cá para trás. Ia fazer a prova ao ralenti. A praça estava completamente cheia de gente. E com alguns minutos de atraso lá seguimos. Percurso inicial idêntico ao do ano passado mas ao fim de 4 Km’s divergimos e começámos a saborear as maldades que tinham preparado para nós. Não vou fazer um relato detalhado do percurso até porque não conheço os locais e isso já foi feito no fórum do mundo da corrida por quem sabe, com fotos e tudo.






Fiz a prova quase sempre com o Paulo Mota, o que ajuda bastante à diversão. Vamos sempre na galhofa e é um enorme prazer fazer as provas assim. Na 1ª subida comecei logo a sentir a minha amiga dôr na nádega e o Paulo subia a escadaria de pedras com uma ligeireza que eu não conseguia acompanhar. Depois na descida descolou e acabei por fazer até perto dos 15 Kma sozinho. Foi talvez também a parte mais chata pois após este monte inicial andámos por ali a atravessar vales. Aí já tinha colado novamente ao Paulo e começo a ver o José Fernandes e a Pintas um pouco mais á frente. Nesse abastecimento comi alguns queijos, e não foi a melhor ideia. Após recomeçar a correr o fígado começou a fazer ouvir a sua indignação. Na cabeça também ouvia o Orlando na véspera a dizer isso mesmo. Lição aprendida.


Momento fantástico o pequeno trilho que bordejava o cimo de um monte, depois mais uma descida violenta, à pedrada, tal como muitas outras. No chão um companheiro vitima de um entorse mas já estava á espera que chegassem os bombeiros.  Às tantas já não largo mais a Pintas e o José Fernandes. O Paulo descolou um pouco a partir do Km 25 e ficou com a Célia. Eu não queria deixar de chegar com a Pintas.

Ia folgado mas com a limitação que tenho e com a Maratona de Paris à espera não vale a pena esticar mais que a conta. Deixei-me ficar com eles e foi com grande satisfação que cortámos a meta. Connosco vinha também o Tiago que vinha já com enormes dificuldades com os joelhos. Mas para ele esta era uma grande vitória. Percebi quando me disse que tinha chegado aos 92Kg e depois deu-lhe um clique e agora estava ali. Com um aspecto fantástico diga-se.

A pintas a abastecer o camelbak


Na meta esperavam já por mim a Dora  e o Luis que tinham feito uma óptima prova. Como primeira experiência de trail, mesmo que mini, foi com certeza uma experiência fantástica. A Dora hoje estava um bocado empenada mas a satisfação de ter terminado a prova, acho que supera largamente o empeno. Eu também estou feliz por ela ter superado a sua auto imposta limitação de 10Km. O Luis está a caminho de me fazer companhia um destes dias. Parabéns aos 2.

Era tempo de regressar a Campizes onde um recuperador banho e um descansado almoço nos esperava. Foi uma boa opção. Um excelente polvo à Lagareiro e umas deliciosas francesinhas para os míudos ajudaram à recuperação. Era tempo de meter no carro e despedir do Sicó.

Em termos de apreciação geral o Mundo da Corrida superou-se mais uma vez. A organização escalou perfeitamente. Não tenho presentes os números mas as participações devem ter duplicado. A mudança do local da partida foi uma óptima ideia. Achei a prova bem marcada. Felizmente não demos pela maldade que fizeram nas marcações porque quando lá chegámos já devia estar corrigida. 
Nunca tive duvidas, não falhámos nenhuma fita e ainda corrigimos outros atletas que iam a subir o monte pela estrada quando era para amarinhar pelos calhaus.
Porque as comparações são inevitáveis a serra do Sicó tem uma beleza distinta da serra da Lousã. Até custa a crer que estando ali tão perto uma da outra sejam tão diferentes. No entanto creio que espremeram bem o que o Sicó tem para dar. Gostei mais da dureza acrescida deste ano e de alguns single tracks que incluiram. Não gostei muito da pedrada. Tanta pedra, tanta pedra, mas é uma das características do Sicó.

Algumas fotos mais aqui.

Em termos gerais foi mais um fim de semana fantástico na companhia de muitos amigos.

O próximo vai ser ainda melhor…

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Vitamina D - A vitamina que não é uma vitamina mas que pode fazer toda a diferença

Este post não é fácil. Não é daqueles que vão ler e arrumar em 5 minutos. Isto é trabalho. Pelo menos se quiserem beneficiar da sabedoria que em breve vos vou entregar em mãos. Encarem isto como uma cana de pesca. Não vos vou dar peixe. Só vos vou dar a cana e dizer-vos onde devem ir pescar. Se a seguir vão usar a cana, ou se vão antes ao supermercado comprar o almoço já não me diz respeito.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

20 de Fevereiro - Grande Prémio da Charneca da Caparica

Este ano descobri uma prova aqui em casa. Não me cheguei a inscrever no usual grande prémio de Mem Martins porque queria descansar um pouco da dor que me tem  chateado e acabei por não resistir à ultima da hora a ir conhecer esta corrida. Visitando o site dos Amigos do Atletismo da Charneca da Caparica e lendo o respectivo regulamento antecipei uma prova de bairro, feito com o habitual espírito da teimosia de quem não desiste de fazer omoletes sem ovos. Esta prova que não conhecia deixa-me duas sensações distintas. Por um lado o reconhecimento do clube que a organiza. Ainda bem que há pessoas que não desistem e apenas com boa vontade ou pouco mais, organizam esta pequena corrida. 

Meia dúzia de maduros
Mas ao mesmo tempo é muito triste e revelador das grandes deficiências ao nível do atletismo, e se calhar do desporto em geral, que existem no concelho de Almada. A Charneca da Caparica merecia um Grande Prémio que fosse mesmo Grande. Mas cada um tem o que merece e aqui fica bem visível, doa a quem doer, o papel do atletismo no concelho. Uma miséria.

De resto, distribuída a bordoada aos srs. (com minuscula) autarcas responsáveis pelo resultado visível das suas políticas desportivas, o circuito é simpático. Bem conhecido dos meus treinos na zona. Lá partimos, seríamos 60? pouco mais. O Miguel veio comigo ou fui eu que fui com ele. A perna não me estava a incomodar muito e acabei por esticar um pouco. Pode ser que ajude a melhorar. Foram 8500 metros em 37 minutos, contas feitas fomos abaixo dos 4m30s/Km. Já não corria assim há muitos meses. Nem tenho treinado para isto. Portanto acabei por penar um pouco mas soube-me bem.

Lá tive de correr um pouco para acompanhar o Miguel
A prova tem vários apoios pois se assim não fosse não era possível existir sequer. Portanto é importante que se usem os recursos da melhor maneira. Há vários aspectos errados nesta prova e que podem ser melhorados com relativa facilidade:
- As mulheres não podem fazer os 8500 metros e têm uma prova própria de 2800 metros. O que é que se passa aqui? Hellloooo!!! Séc. XXI!!!! Inexplicável.
- Falta um abastecimento a meio da prova;
- O transito parecia que tinha sido cortado por amadores. A diferença entre cortar de forma correcta e o que foi feito não tem qualquer impacto para os automobilistas. Assim é ridículo;
- Nalgumas zonas não houve qualquer controlo do transito e corríamos juntamente com 2 vias de carros a circular;
- Seria possível arranjar mais umas garrafinhas de água do patrocinador? 

De resto não tenho mais nada a dizer. No final uma garrafinha de água e uma laranja. O resto está adequado à dimensão da prova e do clube. Não é que esteja bem mas não vale a pena apontar como mau o que não se pode remediar. 

Mesmo assim acho que vou voltar se não houver nada melhor para fazer nesse dia. E não acho que seja melhor ir a Mem Martins, por exemplo. Alcatrão por alcatrão fico em casa e apoio as colectividades locais.

Acho que o clube poderia fazer um uso muito melhor das novas tecnologias e divulgar melhor a prova. 

Espero que consigam melhorar os aspectos que refiro. Será fácil trazer mais gente. O percurso é simpático mas podia ser muito melhor. E com mais alguns Kms também. 
Uma palavra de agradecimento também para o Pedro Gabriel, o fotógrafo de serviço.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

18 de Fevereiro - 3º Treino Lunar



A semana de chuva, temporal, neve, mar revolto, pelos vistos assustou muita gente. A malta é muito fraquinha. Esquecem-se da regra numero 1 de quem pratica desporto ao ar livre, em plena natureza. O tempo faz parte da natureza. Faça sol chuva vento neve ou outra coisa qualquer é irrelevante. Até porque nos dias das provas também não podemos controlar o tempo. Sendo assim o ideal é treinarmos sem que o tempo nos afecte.

Isso não quer dizer que eu não prefira treinar num dia fresco, sem vento, com passarinhos a chilrear, borboletas a esvoaçar, lindas moças saltitantes em meu redor.... estão a ver a ideia. Claro que prefiro. Mas o inverso também não afecta os meus planos.

Aliás, dizem que recentemente enquanto em Sevilha fazíamos a magnífica maratona num dia em que só faltaram as borboletas a esvoaçar, aqui na Costa da Caparica alguém foi severamente massacrado por uma tempestade. LOLOLOLOL. Metem-se em provas que não têm contrato com o S. Pedro, como os Treinos Lunares e depois pimba! Toma lá que é para aprenderem.

Ora nada disso aconteceu ontem. Tal como fui avisando durante a semana, iríamos ter quase de certeza, uma noite tranquila. O vento era o único factor que prometia dar alguma luta. Nada de especial.
21 à partida a que se juntaram mais 4 atrasados, já em plena praia.

Combinámos fazer apenas 30 minutos para lá e mais 30 para cá. O vento de frente e a chuva que iria começar por volta das 22h aconselhavam a que fossemos regrados. Até porque iam alguns caminheiros também.

O areal estava magnífico. Ainda melhor do que na 1ª edição. Posso-vos dizer que não passámos um ribeiro, não pisámos uma poça. Nada. Fruto dos ultimos dias de temporal o areal parecia uma gigantesca pista super lisa. Fantástico. O mar lá em baixo ao fundo estava calmo. O vento de frente só incomodava porque dificultava a conversa que iamos tendo. 

Num instante cumprimos os 30 minutos tendo chegado quase ao terminal do comboio. Meia volta e foi altura de receber os juros. O vento empurrava-nos agora de volta. Já conseguíamos conversar. Abrir os casacos pois começámos instantaneamente a aquecer. E lá viemos de volta, agora sim, em amena cavaqueira e num instantinho estávamos a chegar ao Mar Puro. 

O S. Pedro vendo que já estávamos abrigados tratou então de ligar o dilúvio e começou a cair a carga das 10h da noite. Pouco nos importava. De algum modo tudo estava previsto. Ainda bem que éramos menos. Fomos para um cantinho do Mar Puro onde há um telhado e lá fizemos a nossa festa do costume.


Destaques para o arroz doce, uma tarte da Rosa Doce, uma magnun do Dão que apareceu quando parecia que íamos ficar sem combustível (uff!), um queijo amanteigado que a Fernanda está a testar na foto acima, as moelas, enchidos, bolinhos, etc. etc. Se falhei alguma coisa não hesitem em fazerem-se ouvir nos comentários. 

Um abraço a todos os que acreditaram que ia ser mais um fantástico treino lunar. Um agradecimento ao S. Pedro por ter cumprido o contrato e não nos ter ensopado.

Um abraço também ao Góis. Um amigo de infãncia que reencontro ao fim de 30 anos. Malta dos pátios! Temos de falar mais da próxima vez. 

Interessante o facto de desta vez o pessoal de Lisboa estar em maioria. É um bocado vergonhoso que o pessoal do deserto fique em casa escondido com medo de nada e seja o pessoal que corajosamente atravessa a ponte a uma 6ª feira a vir-nos dar uma lição. Que vergonha margem sulenses. Para vocês eu digo BUUUUUHHHHHHH!!!!!!!

Lá diz o povão: dá deus nozes....

Estas e outras fotos aqui.

Até à próxima. Aproveitem para visitar e gostar da página dos treinos lunares no Facebook. Está mesmo aqui do lado direito. Vejam se não faltam ao próximo.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

13 de Fevereiro - Maratona de Sevilha





Os mais atentos a este espaço sabem que já na altura do Grande Prémio do Fim da Europa a 15 dias da Maratona de Sevilha uma dor na coxa me andava a complicar a vida. Quase não se sente no dia a dia, mas ao fim de uns Km’s começar a chatear passando de incomodativa a problemática. Começa-se a abrandar o ritmo, a proteger inconscientemente a perna, o que vai fazer surgir dores noutras partes da perna.

Para mim Sevilha já estava pensada no meu calendário como um treino longo para Paris, portanto uma coisa a fazer num ritmo de contemplação. Aproveitar o fim de semana de passeio, divertir-me, conhecer novos amigos, e já agora fazer uma das melhores maratonas num raio de muitas centenas de Km’s. Mesmo muitas.
Mas esta dor pairava como uma nuvem negra.

Nas duas ultimas semanas quase parei. Meia dúzia de treinos suaves. Invariavelmente a coisa começava a manifestar-se por volta dos 8-10 Km. E entre treinos não desaparecia. Não houve outra solução que não fosse resguardar-me. Os treinos longos foram feitos, ao menos isso dava-me algum conforto. Mas o que estaria para além do Km 10?

Obviamente não quis ir ao médico. O tempo estava a esgotar-se e ir ao médico era uma desgraça. “Sr Dr. tenho uma maratona no fim de semana veja-me lá aqui esta dor” Se não me batesse logo ali, iria no mínimo tentar convencer-me que uma maratona era uma loucura, que devia parar imediatamente, etc. Portanto ir ao médico era um contra senso. Era melhor ir a Sevilha e tentar ver o que iria acontecer. A última coisa que precisava era mais uma vozinha cá dentro a dizer “Olha que o Sr. Dr. disse que não devias estar aqui. Tu não te desgraces”
Portanto lá fomos na viagem organizada pelo Mundo da Corrida. Tempo de conhecer melhor alguns dos companheiros do fórum e outros que já conhecia das corridas. Uma viagem pacífica e descansada até Sevilha. Com o primeiro contacto com o estádio olímpico para levantar os dorsais. Nesta zona notam-se algumas dores de crescimento desta prova. Este ano quase com 5000 participantes algumas estruturas que, ao que contam já não eram famosas, ressentem-se. A entrega dos dorsais era um pouco caótica com uma longa e demorada fila. A que se seguia uma mais caótica e demorada fila para levantar o saco das ofertas. De seguida era tempo de irmos à pasta party na Isla Mágica onde nos aguardava uma outra, não caótica mas demorada fila. O almoço foi generoso com uma massa razoável, repetir à descrição e mesmo as bebidas com alguma simpatia também se podiam beber mais uma ou outra.
Passeio em Sevilha de algumas horas até ser tempo de irmos para os apartamentos. Uma boa opção. A 10 minutos do estádio, num local sossegado, apartamentos modernos com tudo o que é preciso para descansar algumas horas. Inclusivamente um preço muito interessante. Como já chegámos algo tarde optámos por comer qualquer coisa num centro comercial anexo. Mas caso se chegue cedo é possível confeccionar uma refeição dado que o apartamento está equipado com o básico. Com piscina e wifi grátis não se pode pedir muito mais. Lux Sevilla Bormujos, recomendo nesta gama de preços.





E a hora da verdade chegou. Já que tinha ido até ali não poderia deixar de fazer parte daquela festa. O dia estava frio. Um frio húmido que fazia mossa. A família foi para as bancadas e nós lá descemos a rampa de acesso ao estádio olímpico. Para um pelintra como eu nestas coisas de maratonas internacionais tudo era uma delícia. Claro que a fama desta maratona é enorme no que toca a organização e já ia à espera do que vi, mas ao vivo é sempre uma delícia ver uma máquina desta envergadura a funcionar. Não exagero muito se disser que deve haver muito mais gente na organização da prova, do que a correr. Isto falando apenas das pessoas no terreno. Tudo está pensado ao pormenor, toda a organização é composta de malta nova, sempre bem disposta, sempre sorridente. Sempre com uma palavra de atenção. Por baixo das bancadas daquele estádio estavam muitos milhares de pessoas a prepararem-se para uma maratona e ninguém se atropelava. Não se via uma reclamação. Tudo fluía. O sistema de som difundia musica e o orador repetia que todos estavam a trabalhar para que fizéssemos uma excelente maratona. Uma prova feita por corredores e para corredores. Uaauu!

Eu e o Sérgio, pela primeira vez nestas andanças internacionais flutuávamos por ali. Já quase prontos fomos para a zona climatizada tratar dos preparativos finais. Entregar o saco no bengaleiro. Um ultimo xixi numa zona de wc’s químicos onde não faltavam os aquecedores gigantes para manter a zona com algum conforto. E seguimos para a pista onde à entrada eram distribuídas garrafas de água. No estádio milhares e milhares de pessoas aqueciam. Os écrans gigantes transmitiam imagens da meta e um repórter ia fazendo as habituais entrevistas. Seguramente que aquelas imagens estariam a ser transmitidas para algum canal de TV. O ambiente era emocionante. Os nervos mantinham a expectativa no lugar. Eu que poderia estar mais que descansado tinha a minha própria cruz para carregar. Como todos os outros que ali estavam.

As imagens que vos deixo a seguir vão transmitir-vos as emoções da partida e do momento arrepiante que foi subir o túnel para sair do estádio.


E lá fomos. Dentro de mim sentia o pensamento que poderia ter de abandonar a prova e não poder voltar a entrar naquele estádio para celebrar mais uma maratona, a apertar-me o coração. Seguia muito devagarinho tentando perceber a cada passada o que a minha perna tinha para me dizer. Os 1ºs 7 Km’s são um ida e volta numa avenida gigantesca. Pude apreciar atrás dos últimos atletas a comitiva enorme de ambulâncias e também vários autocarros de passageiros para recolher quem tivesse de abandonar a prova. Visão terrível!!! Xô, Xô!!! 
Por volta do Km7 vejo o Valdemar num cruzamento, feliz, a observar toda a gente a passar. Grande festa. Iámos agora por um parque em direcção a Sevilha. A minha perninha começou a dar sinal de vida. Navegava agora entre os 5”40 e os 5”30. Era um ritmo complicado para mim. A máquina já quentinha sente-se mais confortável com ritmos mais acima e pedia para acelerar. A perna queixava-se se tentasse subir dos 5”20. E ali seguia naquele dilema. O Km 10 surgiu com 55” e pouco mais haveria para dar se conseguisse levar a coisa assim. Contas rápidas 3h50 no final, mais que "prova superada". Vamos ver se isto aguenta.

Ia eu a fazer contas à perna ao Km 14, a pensar se as pontadas que surgiam vinham para ficar ou se era coisa de passagem. Estávamos a 1/3. Ia mais que relaxado, a energia estava a ser consumida com a preocupação da dor. Vejo surgir á minha frente o Jorge, a Dina e o Paulo. Pergunto-lhes a que ritmo iam. Vamos a 5h40 para fazer 3h50. Optimo. Acabaram de ganhar mais um membro. E foi com eles que consegui exorcizar os meus fantasmas. A dor não dava para exorcizar, mas os fantasmas tinham de desaparecer.

Lá seguimos todos e íamos falando disto e daquilo rindo e brincando e os Kms a cair. A meia foi feita com 1h55, bem dentro do objectivo. Às tantas surge o momento da prova e eu que até nem levava uma máquina fotográfica que faz uns vídeos excelentes… fiquei a ver e a rir-me e só me lembrei depois. O costume. Então não é que às tantas surge a correr na berma um poney enlouquecido? Ao lado da estrada havia uma zona verde por onde o poney acelerava a bom ritmo enquanto produzia um som preocupante, tipo bufo. No meio da surpresa e dos risos, ao chegar ao cruzamento 3 polícias tentaram dominar o equídeo, mas o bicho, embora anão, tem um porte de respeito. E não estava com vontade de ser apanhado. Meia volta e desata a galope estrada abaixo com um polícia a sprintar atrás. Mas qual quê. O bicho mesmo pequeno batia o record do mundo dos 100m. Antes de virarmos á direita só vejo o bicho a acelerar e o polícia a ficar para trás.

Feita a meia, era tempo de um balanço interno. Já faltavam menos do que os que tinha feito. A dor tinha estabilizado. Naquele ritmo a coisa era suportável. Tinha encontrado o andamento perfeito. Sentia por vezes algum frio fruto do ritmo baixo que levava mas não podia dar mais. O pelotão mantinha-se unido. Fiquei a saber que a Dina e o Paulo estavam a tentar o seu record na maratona. Isso era fantástico. Baixar das 4 horas. Vamos embora. A certa altura acelerei um pouco e quis saber como se sente um espanhol a assistir a uma maratona. Oportunidade para ver os meus companheiros a passar:


Ainda apanhámos a Joana do CLAC e conseguimos enganá-la a vir no nosso ritmo até ao Km 37. Ela pedia para não a abandonarmos e ia claramente a dar tudo o que tinha para não parar. 


Aqui podem ver o grupo em plena progressão. 




A Joana iria abandonar-nos em breve. Estávamos a abrandar muito quando surge o José Carlos que ia ainda mais calmo que nós. Entregámos-lhe a Joana e retomámos o nosso ritmo. Faltavam agora 5 Kms. Já nada me faria parar. Continuava confortável fruto do baixo andamento que tinha feito, a dor mantinha-se num patamar suportável e já cheirava a estádio. A Dina estava também a atravessar um momento complicado e o Jorge atazanava-lhe o juízo. Impensável parar ou abrandar. As 4 horas estão aí ao virar da esquina. Eu seguia 20 metros á frente com o Paulo. Eu ainda vinha cá atrás e voltava para o pé do Paulo. 

Cheirava a meta. Ligo a câmera para filmar a entrada no estádio. Isto vai ser bom. O Paulo pica-lhe a mosca, eu sigo atrás a acelerar ainda mais para o apanhar. Tinha visto o João Cunha à entrada do túnel a fazer uma festa. Serpenteio pelo meio de toda a gente que dava a volta à pista. Alguns em total sofrimento. Ainda olho para as bancadas e vejo a Mónica aos saltos. Papi! papi! Ah que belo momento. 3h56. O Paulo está radiante. No minuto seguinte chegam a Dina e o Jorge. Que fantástica prova. Fiz o meu pior tempo mas fiz a minha melhor maratona. Fiquei feliz pelo record da Dina e do Paulo e obviamente por ter conseguido terminar esta magnífica prova. Não sei se esta história teria um final tão feliz se em boa hora não tivesse encontrado este grupo de apoio. Obrigado Dina, Paulo e Jorge.


Deixo-vos com a chegada ao estádio e as emoções de acabar uma maratona. Momento dedicado ao Paulo.


A mesma coisa vista de outro angulo neste link.


Reparem no meu vídeo ao 1m56s. Vou a acelerar pelo meio do pessoal para apanhar o Paulo e oiço a malta que estou a ultrapassar a dizer qualquer coisa. Como ainda por cima era em espanhol demorei uns segundos a processar. Estavam a incentivar o meu sprint. Corre. Corre. Cá costuma ouvir-se o pessoal a denegrir este tipo de atitudes. Manda-se abaixo. Para que é isso pá? Capaz de me fazeres cair. Agora é que te está a dar vontade de correr? Por isso é que só ao fim de uns metros processei toda aquela cena e percebi que ele estava a incentivar-me para acelerar. Desconcertante no mínimo, para um espírito tuga claro. Temos tanto para evoluir... é o lado positivo da coisa.

Era tempo de regressar. Não sem antes usufruir de uma massagem para a qual não esperei mais de 2 minutos, um banho numas instalações que não suportam tanta gente, e um almoço na Isla Mágica em que, após nova fila gigantesca, a organização serviu uma ementa onde só se salvou o gaspacho andaluz (que fazia lembrar o original). 

Nada destes contratempos tira o brilho que esta magnífica prova tem. O apoio popular e o espírito dos espanhóis é incrível. Há muita gente na rua. Mas as pessoas não são, como por cá, múmias paralíticas. Toda a gente grita “Ânimo” “Bamos” “Venga” “Campeones” Até faz confusão os polícias a puxar por nós “Bamos campeones ya está quase” E funciona mesmo. Cada incentivo daqueles é melhor que 1 gel de hidratos.

Para aqueles que estão a ler estas linhas e nunca foram a esta prova, espero muito sinceramente que um dia possam estar na linha de partida, a sentir o turbilhão de emoções que se abate sobre o atleta. A euforia de partilhar aquele momento com tanta gente. A duvida sobre se serão capazes de atingir o vosso objectivo. Pode ser tão simples como foi o meu desta vez, chegar ao fim, ou tão difícil como bater o record pessoal. Pouco importa. Viver por dentro uma prova desta envergadura, montada com este carinho e dedicação e acarinhada por toda uma cidade é um privilégio inesquecível.
Parabéns Sevilha!. Obrigado por esta magnífica prova que nos ofereceram.


Um abraço a todos os que partilharam esta viagem e prova fantástica. 

Lições aprendidas:


- Estamos a dezenas de anos, talvez mais de 100 anos, de conseguir organizar uma prova assim. E ainda por cima estas coisas não se conseguem a despejar dinheiro para cima. Isto não é como fazer auto-estradas e encher os bolsos aos gajos do costume.
- É sempre bom irmos ali levar uma lição de humildade gigante e perceber que em demasiadas coisas importantes continuamos a viver na porcalhota com o mesmo atraso ou mais que tínhamos há 40 anos atrás.
- É possível fazer uma maratona mal preparado, superando as nossas dores e limitações. Basta abrandar o ritmo. Saborear cada momento e sobretudo arranjar um grupo de amigos que nos leve ao colo.


Vejam só as fantásticas fotos da Isabel aqui

sábado, 5 de fevereiro de 2011

3 de Fevereiro - 2º Treino Lunar (Lua Nova)

Este 2º treino foi a consolidação do evento. Tinha alguma expectativa porque estas coisas por vezes correm muito bem à primeira vez.



Há uma série de gente que acarinha e faz um esforço para participar porque é a 1ª edição e nunca se sabe se vai haver a 2ª. Mas fiquei deveras surpreendido. Houve muita gente que veio de Lisboa e pela 1ª vez. Na duvida do local para estacionar deixaram o carro um pouco mais longe em vez de o trazerem até mesmo ás traseiras do restaurante. De modo que já estávamos por ali uns quantos e não paravam de chegar, mas houve alguém que disse que estava um grupo enorme mais atrás, junto ao restaurante Marrocos, que tinham estacionado ali. Quando lhe mostrei que era melhor para a logística posterior estacionarem mesmo nas traseiras do restaurante ele prestou-se a ir buscar o carro e avisar o resto do pessoal. Quando ao fim de uns minutos, já não éramos assim tão poucos como isso, mas chega aquela multidão de gente…. Uuooohhh!!!

Só contando na foto de família mas seríamos quase tantos como na 1ª edição. Com imensa gente nova e os repetentes do costume.

Desta vez tudo funcionou na perfeição e aproveitámos ao máximo a nova localização. A Lua, tal como previsto não existia. Alguma humidade extra mesmo junto ao mar. A temperatura que durante o dia tinha chegado aos 17º estaria agora por volta dos 8º ou menos. Num uma nuvem no céu. Desta vez uma Labrador acompanhava o dono e dava aquele toque especial ao treino.

Depois da foto de família que a Xana repetia em várias máquinas lá seguimos que se fazia tarde. Acabámos por sair por volta das 20h45. Marcámos as 21h30 como hora de retorno. Estivesse onde estivesse às 21h30 toda a gente inverteria o sentido e dirigia-se de novo para o Mar Puro.O areal estava diferente do ultimo treino. Nalgumas zonas havia pequenas poças ou riachos que descarregavam as ultimas poças para o mar. O meu novo frontal fez um sucesso. Como previsto aquela coisa apenas com 1 led impressiona pela quantidade de luz e pela largura do foco. Mas em grande parte do percurso eu preferi seguir sem qualquer luz. A noite fria garantia um céu estrelado magnífico. Naquela escuridão e com um céu limpo nem parece que estamos tão perto da cidade e de tanta poluição luminosa. Às tantas todos apagámos a luz e deixámo-nos ir deslumbrados por aquele céu estrelado magnífico, tão raramente visível. Diria um monte no Alentejo ou uma serra numa noite de verão para termos aquele espectáculo.


Seguia com um grupo com várias pessoas que ali estavam pela 1ª vez. Como é hábito o pessoal não consegue evitar o deslumbramento que é ir ali a correr praia fora, naquela paz, naquela sensação de liberdade. "Épá ainda bem que eu vim, que treino fantástico" Eram as expressões repetidas vezes sem conta.Passávamos várias poças, umas maiores outras menores, por vezes molhavam-se os pés. Já pouco importava, Quando demos por nós a Fonte da Telha já estava a ficar para trás. 21h30. Toca a voltar que o petisco está à espera. Uma pequena brisa Norte, já esperada e anunciada tornava agora a volta um pouco mais desafiante. Mas a meio do caminho o vento parou completamente. Seguia agora com o Ricardo e o Silvino, o team Abutrico foi na galhofa até ao final.


Ainda havia espaço para mais surpresas. Desta vez juntámos as mesas para se partilhar melhor os petiscos. Um fantástico bolo feito por um companheiro pasteleiro. Fresquíssimo e delicioso. As moelas e a morcela do Rui Silva, as gambas do Mário. O verde tinto sempre presente. O arroz doce do Orlando desta vez morreu ali. Donuts, fruta, tarte de legumes, paio, bola de carne, pão com chouriço e tanta coisa boa. Não me levem a mal se não referi alguma coisa que levaram. Estas são as que me recordo.


Bom e assim se passou mais uma magnífica noite diferente. É uma noite especial, que nos quebra a rotina, o ram ram, a uns mais que a outros. Todos temos as nossas para quebrar. Uns vêm de longe, outros preparam grandes petiscos, etc. O que é importante é a disposição com que todos nos apresentamos por ali. Prontos para um bom momento de exercício físico, cada um no seu ritmo e nível. Pouco importa se é a Jessica Augusto ou se vai apenas andar. Cada um tem o seu objectivo. E no fim celebramos mais um dia diferente.


Criei uma página no facebook para reunir toda a informação destes eventos. 

Gostem, visitem e participem.
Um agradecimento especial ao Mar Puro e ao Sr. Helder pela sua generosidade. Temos de pensar numa forma de retribuirmos o seu apoio a este evento. Começamos a dar algum trabalho...


Os 2 próximos calham à 6ª feira. Se o S. Pedro nos der uma ajudinha vamos pulverizar records.

domingo, 30 de janeiro de 2011

30 de Janeiro - Grande Prémio Fim da Europa (Remix Ida e Volta)

Pela 3ª vez fui fazer esta prova, mas desta vez foi especial. Em vez de ir para Sintra encontrámo-nos na Azóia, um grupo aí de uns 20. 7h30. O plano era fazer o circuito até Sintra, chegar lá por volta da hora da partida e voltar com o resto do pessoal.  Dito e feito.

Às 7h50 estava tudo com fogo no respectivo e lá arrancámos. Sempre a subir e a subir e a subir. Assim sem aquecer nem nada. Deu-me cabo do miolo. Ainda por cima o pessoal ia na bisga. Mas lá consegui acompanhar o grupo. Foram 3,3Km que nos levaram até aos 460m. Safa! Tivemos muita sorte porque o dia estava um espectáculo. Sem vento o frio não era problema, ao fim de 200m já nem se dava por ele. No alto vimos os primeiros raios de sol. Cascais acordava lá em baixo ao fundo. Linda paisagem.

Tivemos o prazer de descer a parede dos 10Km e prosseguimos na palheta até Sintra sem grande dificuldade, alternando descidas com subidas e subidas com descidas. A partir daqui é sempre a descer! E nunca mais era.
Mas lá chegámos a Sintra e depois de tentarmos perder-nos e irmos para Lisboa directo, atravessámos o jardim e fomos desembocar directo na zona dos dorsais e de recolha das mochilas. Eram 9h15. Houve tempo para tudo. Tínhamos levado uma muda de roupa seca na mochila. Felizmente o dia até estava agradável, embora muito frio, mas se houvesse vento, sem uma roupinha seca íamos morrer gelados ali à espera com a roupa molhada. Repôr algumas energias. Entregar as mochilas para as camionetas as levarem para a chegada e foi preciso apenas matar ali 15m. Para o ano podemos partir às 8 e ir um tudo nada mais devagarinho. Dá tempo.

Muita gente este ano. 2000 pessoas. O resto é história. Nova partida. Ia fazer a prova muito devagar por 3 motivos: os 30Km que totalizavam a ida e volta excediam o previsto para um treino a 15 dias da maratona de Sevilha, já tinha feito mais de 14Km com muita subida, e uma dôr na coxa azucrinou-me boa parte dp treino e claro estava a preparar-se para me chatear no regresso.

Lá fomos subir ao Castelo dos Mouros. Sentia-me bem, tirando a malvada dôr na coxa. Durante a prova notava-se bem o acrescento de gente este ano. Mesmo muito mais à frente seguíamos com imensa gente sempre à nossa volta. Pela primeira vez não andei na parede dos 10Km. Venci a bicha! Depois foi descer aqueles malvados 6Km que arrasam os joelhos. Este ano não me custou tanto a descida. Só a coxa me massacrava. A unica hipótese da dôr desaparecer era meter mais velocidade/esforço.

No final um lanche mais pobrezinho mas também mais racional e deu para todos sem ninguém ter comportamentos selvagens de levar para casa tudo e mais alguma coisa. É uma pena mas neste país as coisas  têm de ser feitas desta maneira já que ninguém pensa que a seguir vêm mais pessoas que também têm direito a comer qualquer coisa. Para trás ficam os tempos em que no final havia um farto buffet onde toda a gente comia. Já não vão voltar mais. Para evitar meter ainda mais 3Km nas pernas apanhámos um autocarro até à Azóia, despedimo-nos do pessoal e ala que se faz tarde. Obrigado a todos. Foi um excelente treino. 30Km que me vão dar jeito em Sevilha.

Para o ano há mais.