sexta-feira, 6 de abril de 2012

10 de Março - Oh Meu Deus 2ª Série - Vila de Rei



Oh Meu Deus, 60 Km? Ya!

Ninguem diria mas esta prova acabou por me entrar no calendário uma semana antes de se realizar. Isto até pode nem significar nada, mas tratando-se da prova mais longa que já realizei e tendo aterrado assim sem mais nem menos, já dá para perceber o espírito com que encaro estes desafios. 

A organização publicou no forum do Mundo da Corrida que ia estender o prazo de inscrições mais uma semana e eu pensei que isto era um bom treino para os 100. Ainda consegui convencer mais uns quantos desgraçados da equipa a virem comigo (não aos 60). E lá fomos. 5h da matina em Algés, 5 malucos prontos para Vila do Rei.

Após alguma dificuldade em dar com o secretariado lá chegámos. Registo feito, bebidas e bolinhos. Boa recepção. Breefing feito partida consumada. Sabia que ia ser duro porque embora partíssemos às 8h30 da manhã o frontal era obrigatório a partir do Km 30... Uahhuu.

Podíamos mandar o frontal de carro para o abastecimento do Km 30 mas não eram 100gr que me iam chatear. Levei tudo comigo. Um pouco fresco aquela hora mas mais por causa do vento porque o dia prometia muito sol.

Optei por seguir fresco logo de início e os primeiros Kms a trepar até ao marco geodésico que marca o centro de Portugal deram-me razão. Já suava em bica lá no alto. 

A partir daí a organização já tinha dito para não nos entusiasmarmos porque iríamos rolar uns kms em estradão. Mas depois, depois é que seriam elas. 

E foram. Foram subidas, foram descidas, foram serras, montes, ribeiras, muitas ribeiras. Um fartar de paisagens. Até uma parede de pedra junto à barragem foi preciso passar. Foi um dia inteiro de convívio com a natureza. Todo o tipo de pisos e paisagens. Não conhecia aquela zona do país mas é tão bonita, com tantas maravilhas naturais. Passava aqui uma hora a descrever-vos mas sinceramente não vos quero maçar.




Ainda houve alguns problemas com os reabastecimentos, com um deles a falhar a presença e a organização a ter de reposicionar os restantes para cobrir a falha. O maior problema foi para o pessoal dos 40Km pois o abastecimento que era suposto estar aos 31Km na separação dos 60Km, acabou por avançar para os 33Km e para quem ia para os 40Km ficou sem o ultimo abastecimento tendo de fazer 20Km sem qualquer abastecimento... 




Para mim foi um desafio que durou um dia inteiro. Só queria saber se conseguiria acabar bem. E depois de tanta paisagem, tanta beleza, tanto Km, tanto sofrimento, lá cheguei a Vila do Rei ainda de dia. Não foi preciso o frontal.



Pela primeira vez tive de recorrer ao meu carregador USB para reabastecer o Garmin pois ao fim de 7 horas começou a queixar-se da bateria.


No final os meus companheiros já mais do que despachados ainda tiveram de esperar pelo recuperador banho e para finalizar um jantar, oferta da organização, na estalagem da vila. Um excelente final para uma aventura que durou um dia inteiro. Foi um excelente treino para os 100 Km e deu para ter uma ideia do que vai custar fazer mais 40 em cima daqueles 60 Km...

Vejam muito mais fotos no meu album do facebook seguindo este link.

8 de Março - 29º Treino Lunar


Mais um treino lunar, mais uma noite de convívio com amigos. Depois desta fotos demos com o pessoal dos Run4Fun mais à frente e o Paulo Fernandes tirou mais uma foto, agora sim com toda a gente. Ficou cheia de gafanhotos, eiii, mas pelo menos tem toda a gente. 


Eu só queria ir devagar mas dado que tenho descansado mais do que treinado sentia-me muito bem. Os Run4Fun trouxeram uma amiga nova, cheia de vontade de correr e acabámos por ir quase até à Fonte da Telha para lhe mostrar o que era. Fomos num ritmo forte e a Ana Groznik acabou por pagar o esforço no regresso e a 2 km da chegada a força começou a faltar-lhe. 


No final os Run4Fun não ficaram mas prometeram voltar na próxima vez preparados para o convívio. Nós abrimos a mala do carro e foi mesmo ali que tratámos da fase seguinte. Conversa e reposição de energia.




Para finalizar deixo-vos uma mensagem do Paulo Fernandes que considero fundamental para todos

4 de Março - Corrida da Árvore



Não há assim muito a dizer sobre a Corrida da Árvore de facto. Fui a esta prova mais para a Dora poder fazer uma corrida. Acabei por me entusiasmar com o ritmo e para não perder a manhã fiz a prova num ritmo alto. Chega-se ao fim exausto mas com o sentimento de se ter feito qualquer coisa de jeito. 

A câmara continua a oferecer uns pinheiros no final e se todos fizerem com nós, são mais uns pinheiros que vão fazer crescer o pinhal tuga. Nós optamos por fazer crescer os rapazes em vasos durante uns anos e quando ameaçam começar a crescer a sério oferecemos-lhe um pinhal nas traseiras de casa cheio de irmãos como eles. 

É a melhor parte desta prova.

Aqui os atletas a cortar a meta

O que é que este gajo estava a fazer? Ok eu explico. Devido à má colocação do chip nos atacadores a 1Km da meta o chip ficou preso por um unico furo. Assim arranquei-o e levei-o na mão. Ao passar a meta quase me esquecia e tive de me baixar e passar com o dito cujo junto ao tapete de leitura. 

Na meta fiquei em amena cavaqueira com os meus colegas de equipa, numa acção de divulgação do Ultra Trail do Atlas Toubkal. 

A outra coisa boa destas provas é que é só metermo-nos no carro e 10 minutos depois estamos em casa.

26 de Fevereiro - Trilhos do Sicó


Ainda a recuperar da Maratona de Sevilha o treino para os 100Km de Portalegre começa a  meter carga no corpo. É altura dos Trilhos do Sicó, prova em que sou totalista tendo assistido ao seu nascimento. 

Para esta 3ª edição fui com o Luis de véspera e pernoitámos em cada de familiares do José Santos. E que pernoita. Depois de um jantar assim o que mais apetecia era ficar a roncar até às tantas. Envio daqui o meu agradecimento renovado. Bem hajam gentes do Sicó!

Uma semana depois de uma maratona, onde felizmente não tive grande esforço físico, um trail de 38Km... parece-me bom para recuperar :)

E lá fomos, em ritmo pachorrento, mas lá fomos. É preciso deixar aqui uma nota de agradecimento especial, não só ao Mundo da Corrida como também ao Fernando e à Céu que são os grandes obreiros desta prova. E o que tem crescido.


Logo à partida qualquer coisa correu menos bem porque ouvi pessoal a queixar-se que tínhamos menos 1 Km do que as marcações. Por um lado acho que alguém da frente se esqueceu de dar uma volta à vila e seguiu para a serra, tal a pressa do trail. Mas por outro lado só demos por ela tão cedo devido a uma excelente inovação do Mundo da Corrida. Marcações dos Kms. Muito bom. Não sei porque ninguém se tinha lembrado disto antes (e se calhar nem depois) mas é excelente.Permite logo perceber se há enganos, ajuda quem não tem GPS, e verdade seja dita, para quem tem que espalhar centenas ou milhares de fitas, umas placas a marcar todos os Kms não são assim uma coisa do outro mundo. Parabéns pela excelente ideia.

Este ano gostei mais do traçado do que o ano passado mas estas coisas, já se sabe, são altamente subjectivas. De notar a secura dos riachos e ribeiros. No primeiro ano um dos ribeiros que apanhamos logo aos primeiros Kms seguia quase a transbordar, o ano passado tinha alguma água, este ano estava seco que nem um bacalhau.

Logo por volta do Km 5 ou 6 torci um pé que desde os abutres andava a recuperar de uma torcidela bem mais grave. Encostei logo às boxes e fui umas centenas de metros a andar enquanto pensava o que ia ser da minha vida. Mas a pouco e pouco a dôr passou para um limite suportável e retomei a corrida. De facto apenas a descer a dôr se fazia sentir com mais força pelo que era uma questão de descer quase a passo e a coisa ia.

Às tantas dou com a Carmen Pires. Olá, o que fazes aqui neste ritmo dos coxos? Estava obviamente lesionada e ia em passeio só para não ficar em casa. Durante muitos Kms lá nos fomos encontrando várias vezes, até que mais para o final deixei de a ver.

Assim devagarinho e em ritmo de descanso lá fui até final da prova. Objectivo sempre bem presente, não me lesionar, fazer um treino longo, desfrutar. 

No fim o Pedro Gabriel chama-me à razão e um belo banho nas fontes de Condeixa foi tudo o que precisei. Quer para a água gelada ajudar os músculos a recuperar, quer para limpar o sal do corpo. Só faltou o Sousa que já devia ter chegado bem antes de nós.

Foi só o tempo de comer um cabrito no forno no restaurante do centro e de nos despedirmos dos simpáticos familiares do Zé e voltámos ao lar depois de um belo fim de semana com amigos, serra e corrida. 

21 de Fevereiro - 28º Treino Lunar


Terça feira de Carnaval. Que dia excelente para um treino lunar. E assim pensaram imensos amigos que juntaram as duas coisas, treino e fantasia. Foi uma plateia diferente pelo menos nas vestimentas, desde marroquinos, a diabas, indíos e fadas até loiras estiveram presentes.



No final lá fomos até à sede secreta onde se concretizou o belo repasto.


E lá se concretizou a tradição. De brincar ao carnaval, treinar e conviver, tudo em um.

19 de Fevereiro - Maratona de Sevilha


Prossegue o plano de treinos. Sevilha é a melhor maratona que existe na relação preço qualidade. Eu não conheço muitas maratonas mas estava capaz de apostar que não existe outra prova assim. Senão veja-se o que se tem por 21€. Vou só falar do que as outras provas não dão para verem a diferença. Um equipamento completo composto por calções, camisola de alças, e meias; Uma pasta party grátis também para o/a acompanhante e para as crianças até aos 15 anos. Éramos 4 a almoçar, oferta. E um bom almoço completo onde se pode repetir a comida e as bebidas que podem ser imperiais!!!! Uma desgraça. Um almoço/festa no dia seguinte com sorteio de imensos prémios viagens etc. este só já grátis para o atleta. 
Depois há tudo o resto. Uma prova excepcionalmente plana (para quem gosta) propícia para records pessoais, uma organização fantástica, partida e chegada num estádio olímpico com publico a assisitir, écrans gigantes ligados. No final oferta de uma toalha ao pescoço mal passamos a meta e de novo as imperiais à nossa espera.

A pasta party na véspera. Lá dentro ou lá fora com um excelente dia de sol.

Muito sinceramente, a 400Km de Lisboa, por 21€, se souberem de algo com melhor relação qualidade preço fico à espera. 

Claro que há coisas que não são perfeitas. A feira da maratona é assim assim mas está a melhorar. Durante a prova nos reabastecimentos para comer só há laranjas... e acho que não há mais nada de errado. Que tal?

Portanto este ano lá fui pela 2ª vez. A idéia é treinar indo a provas e que provas melhores do que maratonas deste nível? Só este ano vão ser 3 em Espanha.

Ao contrário do ano passado este ano não fomos no autocarro com o Mundo da Corrida. Nada contra o autocarro mas a família queixou-se que para quem não corre não é uma boa opção, para além de que não sobra quase tempo nenhum para visitar Sevilha. E sendo 4 no autocarro fica mais em conta levar o chaço que até é bastante económico.

Faltava apenas arranjar um apartamento em conta para ficarmos e planear uma estadia de 2 noites. Felizmente Sevilha fica em conta e foi simples encontrar um apartamento impecável numa zona central a 3Km do estádio olímpico.

Ainda pensei ir a correr até ao estádio mas a logística exigiu que levasse o carro. Cuidado com esta parte de levar o carro. É simples estacionar e há lugar para todos, mas o transito junto ao estádio estava caótico e faltava pouco mais de 30 minutos para a partida quando enfim me dirigi para o interior do estádio. Mas com uma organização de qualidade foi mais que suficiente. Entrego o saco e sigo para a pista. Os tugas estão por todo o lado. Vou encontrando amigos a torto e a direito. Só o José Santos não há meio de aparecer. E não o vi até final.




E lá fomos. Ia eu descansado quando encontro o Parro, o Serrano e passado um tempo junta-se o Fernando. E lá fomos os 4 na brincadeira. Eu queria mais era ir calminho, fazer apenas um treino longo. A partir do Km 5 esfrangalha-se o grupo.



O Parro mandou-nos seguir, o Fernando foi ao xixi e lá segui com o Serrano. 1ª maratona, cheio de força. Lá ia fazendo os possíveis por o ajudar, tentanto manter o ritmo nos 4m50s. Por vezes tinha de o acalmar. Lá íamos falando disto e daquilo e os Kms a cair. Ao Km 30 o Serrano começa a acelerar e chamo-o uma ou duas vezes. Vamos a 4h40 isto é muito rápido. Mas ele estava decidido. Disse-me que só faltavam 12 e que agora ia acelerar. Fiquei a vê-lo lentamente a fugir e evitei aquele esforço extra. Não estava ali para fazer tempos. Lá fiquei sozinho de novo.

Às tantas comecei a olhar para o tempo que estava a fazer e percebi que ainda podia fazer 3h30. Épá isto é simpático. Até para quebrar a monotonia, meti uma abaixo e aumentei o ritmo. Vamos lá a ver se consigo 3h30. Estava talvez ao Km 35 e devido ao ritmo que impus começo a passar imensa gente. Às tantas começo a ver ao longe o Serrano. Penso, olha, olha, vou mesmo rápido, já o vejo ao longe. Mas não era eu que ia muito rápido. Num instante estou junto dele. Seguia em dificuldades. Estava a pagar a ousadia da fuga. Comecei a puxar por ele, mas tá quieto. Estava nas ultimas. Ok, pensei, deixa lá isso dos tempos. E fiquei por ali a tentar dar uma força e a tentar rebocá-lo. E lá fomos até perto do Km 41 quando me deu uma veneta e o deixei em paz no seu ritmo.




E estava feita mais uma maratona, a 6ª. Dirijo-me à zona das imperiais onde estava o Luis Mota obviamente  já depois das massagens e do banho. É outro campeonato. Bebi umas 2 imperiais que souberam pela vida.

Tempo de me juntar à família, voltar ao apartamento para um recuperador banho, almoço, e após um breve descanso lá fui eliminar o ácido láctico a descobrir Sevilha a pé. Só voltámos para casa no dia seguinte.

Foi um fim de semana de treino fantástico, com a família, a descobrir os recantos de Sevilha. E ainda deixámos imensa coisa para ver das próximas vezes. Foi também a 1ª das 3 maratonas espanholas que vou fazer em 3 meses, Sevilha, Barcelona e Madrid. Depois no final escolho a vencedora.

Quanto a Sevilha, voltarei! 

quinta-feira, 22 de março de 2012

12 de Fevereiro - Grande Prémio de Mem Martins


2 em 1. Duas provas num fim de semana. Se no dia antes na Nauticampo tinha feito 43 minutos, fui para Mem Martins para fazer uma prova um pouco mais calma. Afinal no próximo fim de semana ia fazer a Maratona de Sevilha e não me lembro de nenhum plano de treinos que recomende 2 corridas de 10Km no fim de semana antes de uma Maratona.

Mas ainda assim lá fui, substituir alguns treinos em falta por provas, para puxar um pouco pela velocidade tão descurada ultimamente.

É uma prova simpática, bem organizada, com partida de um lado da linha do comboio e chegada do outro lado. Mas basta atravessar a ponte pedonal, ou novidade este ano, passar por baixo da linha no tunel novo, e estamos de novo junto ao local da partida, onde deixei o carro estacionado.

Uma subidas jeitosas pelo caminho, para quebrar a monotonia, e 2 vezes uma bela subida de deixar os bofes de fora a quem puxar pela máquina. Ainda parti com o José Santos mas ele estava fresquinho que nem uma alface pois não teve de ir atrás do José Carlos na véspera, na Nauticampo, e às tantas descolou.

No final acabei por fazer 44 minutos, pouco mais que na planície do Parque das Nações, ou seja acabei por me esticar um pouco mais que a conta.

O José Sousa fazia anos e no final tivemos de ir beber umas MPEG's para celebrar a data.

11 de Fevereiro - Corrida Nauticampo


Foi o saudosismo da Nauticampo que me levou a esta prova. Quem não se recorda da verdadeira Nauticampo na FIL, quando éramos putos, quando éramos um país pobretanas? Caravanas fantásticas, veleiros, tendas, era uma das maiores e mais concorridas feiras da FIL. Pelo menos é a ideia que guardo. E a minha família nem era muito ligada à vida na natureza. O que terá acontecido entretanto? Ficámos finórios? Acampar e viver a natureza é coisa para pés de chinelo e agora que somos (éramos) ricos não queremos saber de coisas de pobres remediados?

Seja como fôr e porque a organização oferecia bilhetes para a Nauticampo lá fui, sendo a única mais valia o facto de ter levado a Dora também. Mais uma prova no estafado circuito urbano do Parque das Nações. Uma surpresa me aguardava. O circuito não foi o que estava divulgado no site e em vez de uma volta no empedrado demos 2 voltas. Uauu. Obrigado Xistarca. A foto acima mostra bem o que foi a prova para mim. Com o tipo de treinos e provas que tenho feito, a velocidade é um aspecto que tenho abandonado a pouco e pouco. Mas nesta prova decidi seguir o José Carlos para perceber como estava. O José Carlos tem tido uma progressão brutal e já é difícil acompanhá-lo como constatei nesta prova. De qualquer modo foi um excelente treino persegui-lo e mesmo quando pude não me atrevi a ultrapassá-lo não fosse despertar uma fúria e ele dar-me um bigode ainda maior :)

À tarde voltei ao local do crime para visitar a Nauticampo. Muito fraquinha. Uma pálida imagem da feira que me lembro. Meia dúzia de coisas sem grande interesse num único pavilhão da 'nova' FIL.

Dificilmente voltarei a esta corrida.


quarta-feira, 21 de março de 2012

7 de Fevereiro - 27º Treino Lunar


Se há treinos lunares que merecem ficar para a história este é um deles. Finalmente podíamos ter ido de taxi. Não há que ter vergonha. Os deputados do CDS também já couberam todos num taxi e hoje estão aos comandos do país... embora aos comandos seja talvez uma expressão um pouco forte neste caso...
Uma coisa é certa, nós nunca haveremos de fazer parte do governo.

Na realidade até éramos 5 mas um outro companheiro partiu mais cedo e não ficou para a foto. 
Em recuperação do empeno dos Abutres soube-me bem ir devagar a acompanhar a Dora.

No final mesmo sendo tão poucos conseguimos fazer o belo jantar da praxe. O Zé levou uma massinha que estava quentinha e soube que nem ginjas, o Luis o Galito e nós uma tarte de côco que até teve honras de facebook na véspera e estava bem boa. Mais uma noite entre amigos. No final não foi preciso taxi para voltarmos para casa com o espírito cheio de boa disposição.

28 de Janeiro - 2º Trilho dos Abutres



Tal como na prova, este blog empenou no Trilho dos Abutres. Vamos lá mas é a desencalhar isto. 

Por um lado é boa ideia deixar as ideias assentar um pouco em vez de vir com o coração nas mãos escrever sobre uma prova. Claro que não foi isso que me fez demorar tanto, mas aproveito a desculpa.

Este ano repeti o passeio do ano passado com a diferença que levei ainda mais amigos e alguns foram iniciar-se em trilhos. Até a Dora me fez companhia e que bem que soube dormir mais quentinho, no pavilhão dos bombeiros... :)

Portanto a dormida nos bombeiros já se está a perceber que foi um bom upgrade. Tirando o facto de quase ficarmos agarrados sem colchões porque os bombeiros tinham deitado fora os que usámos o ano passado. Nós fomos à confiança, íamos-nos tramando.

O convívio de véspera também foi 5 estrelas. Em boa hora cravei o  amigo Vitorino para nos orientar num local para jantarmos e que boa escolha ele fez, para além de nos honrar com a sua companhia. Um repasto de bradar aos céus, num bom ambiente e com uma Chanfana e um Sarrabulho excelentes. Um jantar daqueles que fica na memória por todos os bons motivos. 

A escolha do pavilhão como base da organização também foi um upgrade fantástico. Uma simpática feira com os produtos da região e o restante material, um local abrigado para convivermos um pouco e nos ambientarmos com o local de chegada do dia seguinte.

Ao contrário do ano passado de manhã abandonámos totalmente o quartel dos bombeiros e mudámos-nos para perto do pavilhão devido a problemas logísticos com os vários elementos e as chegadas das várias provas. Logo aqui percebi que ia perder um dos mimos do ano passado. O ano passado com as chegadas no centro da vila deixámos as coisas no pavilhão dos bombeiros e como quem não quer a coisa quando acabámos a prova fomos tomar um banho quentinho no quartel na paz do senhor. Que bem que soube!!! 
Portanto após o repasto e a visita ao pavilhão para recolher o dorsal e uma noite bem dormida, pese embora alguns roncos, lá acordámos para o frio de Miranda do Corvo.... brrrr... que frio matinal.
Eis que chega a altura da prova. Este ano houve revista do material obrigatório o que acho muito bem pois se é obrigatório é porque é. E alguém tem de verificar senão não serve de muito. Tal como o ano passado as gaitas de foles ajudavam o pessoal a aquecer.

Muito menos água na serra da Lousã devido à seca que se faz sentir agora já em força. Os pequenos ribeiros não tinham margens bem definidas, provavelmente devido ao reduzido caudal o que resultava em enormes lamaçais nas zonas onde o ano passado pequenos riachos corriam. 

Não vou fazer uma descrição exaustiva da prova, apenas passar-vos a minha opinião e como tive a sorte de estar na 1ª edição, fazer as inevitáveis comparações. 

O meu objectivo este ano é preparar-me para fazer a minha primeira prova de 100Km, portanto é importante abordar as provas com um espírito de passeios. Ir devagar e não me lesionar é o mais importante. E assim tentei ir nesta também. Para além de que aqui a natureza merece a nossa contemplação. 
Nesta prova aproveitei também para estrear os meus bastões. Nunca tinha usado. Gostei e usei em várias situações. Nas grandes subidas são uma excelente ajuda. Fiquei cliente. Tentei desde o início dosear o esforço e o ritmo. O objectivo era limitar os estragos que tal esforço iria causar. 

Algumas pequenas alterações de circuito até chegarmos às eólicas, e só quando começámos a descer pela pista downhill vieram as verdadeiras mudanças ao traçado do ano passado.

Estas alterações trouxeram coisas boas e coisas menos boas. Gostei da dureza e dificuldades acrescidas com algumas partes fantásticas. Não gostei tanto das filas que se formavam no andamento onde ia inserido com grande dificuldade em ultrapassar e tentar manter o meu ritmo. Mas aí, azar. Fosse mais depressa para evitar seguir numa zona tão lenta.

Houve demasiadas zonas seguidas em que não era possível correr o que frustrou um pouco. Na minha opinião as zonas de quase escalada ou de progressão perigosa são fantásticas mas o ideal é estarem intercaladas com zonas para rolar um pouco, partir um pouco os grupos que se formam e evitar filas nos próximos obstáculos. Claro que escrever isto é fácil mas traçar 50Km num percurso circular e encaixar tudo na perfeição não é fácil. Por isso é que vos deram essa serra para se entreterem e melhorarem sempre. Talvez não passe tanto pelo aumento da distância, ou pelo aumento do número de participantes, talvez tenham de aumentar o perímetro de acção. Houve quem não gostasse de descer um corta fogo para subir outro ao lado logo de seguida. Eu gostei de tudo para ser sincero, a vista daquela descida ficou gravada. As cãibras que ameaçavam arruinar-me na subida ao lado também. 

No final e pese embora uma prova excelente, num palco de natureza fabulosa, com imensas dificuldades, dureza extrema com imensas escaladas e subidas demolidoras fica a sensação que as alteração desequilibraram um pouco a prova. Nada que não se corrija na próxima se for esse o balanço que a organização fez.

A caminhada creio que deve ter sido onde mais se sentiu também essa dificuldade. Com algumas pessoas a referirem não estarem preparadas para um nível tão exigente. Claro que com a ajuda dos caminheiros de Espinho todos superaram os obstáculos e no final ainda sabe melhor vencer alguns desafios que não estavam na agenda inicial. 

Este é mais um trail que tive a sorte de ver nascer e espero estar sempre à altura de regressar e acompanhar o seu crescimento por muitos e bons anos. Já têm tudo o que precisam aí em Miranda, agora é só afinar e melhorar. Parabéns a todos e até para o ano.

E agora... PARTIDA!