sexta-feira, 6 de abril de 2012

1 de Abril - Trilhos de Almourol


Na 3ª edição lá consegui voltar a Almourol. Uma das provas que mais me marcou em 2010 quando estava a começar a correr em trilhos. O ano passado estava em Paris a fazer a maratona portanto foi por uma boa causa que faltei à 2ª.

Cheguei cedo e fiquei bem impressionado com a organização e com o pavilhão repleto de vida. Foi fácil levantar o dorsal e num instante estava pronto para partir. Cá fora a frota de autocarros ia-se enchendo e foi com muito pouco atraso que saímos para a Aldeia do Mato. Ainda começou a cair uma chuva fria e o céu fechou-se o que me fez levar o casaco e luvas vestidos. Ao chegarmos à aldeia do mato a chuva tinha desaparecido as nuvens iam pelo mesmo caminho e um sol forte brilhava. Ainda fui a tempo de despachar o casaco na mochila do Álvaro de volta para a chegada. 

No controlo à espera da partida

Dada a partida da Aldeia do Mato lá seguimos. Percurso idêntico a 2010 tanto quanto me lembrava. Até à barragem chega-se num instante e desfruta-se de paisagens fantásticas. Não mexia uma palha e o espelho de água era fantástico.

A barragem não está como em 2010. Tinha sido um ano de chuva a fartar e estava a descarregar à força toda. Era uma imagem impressionante. Este ano embora esteja com um bom nível, percebe-se porquê. Là em baixo um ribeiro fraquinho é tudo o que sai do enorme paredão. Lá descemos até ao Zêzere e prosseguimos na zona do rio, um sobe e desce, com algumas pedras, areia de rio, troncos. Muitos sítios onde devido ao caudal do rio não tinha sido possível passar em 2010. Gosto desta parte da prova. Monotonia é coisa que não existe por aqui. 


Mantem-se a fantástica ponte militar sobre o Nabão que nos leva a uma subida enorme a à aproximação de Constança. 




Sentia-me cansado e sem grande energia disponível. Obviamente não tinha sido possível descansar o suficiente desde a desgastante Maratona de Barcelona na semana anterior. Já tinha apanhado o Paulo Mota e com ele segui no ritmo possível.

Com Constança à nossa esquerda, num estradão de terra batida e cascalho iria dar-se o acontecimento que marcou a prova. Marcou a prova e marcou-me a mim. À conversa com o Paulo o pé prende-se numa pedra e espalho-me ao comprido, completamente desamparado. Sem conseguir enrolar, sem conseguir fazer nada, limitei-me a estatelar-me no chão onde fui a raspar até parar. Uma queda totalmente estúpida sem qualquer justificação. Obviamente o cascalho fez estragos e as mãos, um joelho, um ombro, inclusivamente parte da cara estavam todos raspados. Furioso com a estupidez e falta de atenção que motivaram uma queda parva, por sorte o percurso desceu até junto ao Zêzere onde lavei as feridas. Por pouco desequilibrava-me e ia todo ao banho. Vá lá, lá me safei ao apoiar-me numa pedra que estava submersa. Era a hora da asneira.

O Paulo ajudou-me e foi importante ter ali alguém que conseguisse avaliar os estragos. Nada de muito especial, só uns arranhões. Com o orgulho feito em papa lá seguimos. Aparentemente foi só chapa e o chassi estava em condições. 

Estávamos sensivelmente a meio da prova e começava a sentir muita fome. Acho que qualquer coisa deve ter falhado porque aos 8Km só havia água, o que se aceita, mas ao Km 16 só havia água e sumo, o que já faz alguma mossa. Felizmente tinha levado coisas para comer porque muito antes dos 24 já tinha dado cabo de umas barras energéticas e uma embalagem de polpa de sumo. Não sei se estava planeado ser assim mas acho que repor energias apenas ao fim de 24 Km não me parece a melhor opção. No reabastecimento do Km 24 já estava tudo Ok. Tirámos a barriga de misérias e lá seguimos.

O próximo milestone era o Castelo de Almourol. Já sabíamos que íamos ter de subir ao Castelo o que me fez confusão. Então como passamos o rio? Está muito baixo o nível, dá para passar, disseram. E dava.

Não sem a ajuda de uma outra ponte militar...

Depois foi uma questão de trepar por ali acima até ao castelo.
Dentro do castelo ainda perguntámos à princesa onde estava a cerveja mas os nossos desejos não foram atendidos. A princesa não revelou o segredo e não tínhamos tempo para uma sessão de tortura, pelo que ficámos apenas com o autógrafo e voltámos a descer. Mais tarde vim a saber que a cerveja existia mesmo mas devido a um problema logístico não chegou a tempo dos primeiros pelo que a organização optou por não oferecer a ninguém. Os aceleras só servem mesmo para atrapalhar as provas da malta. Que chatice. 

Para sair da ilha foi preciso atravessar uma nova ponte mas esta não tinha grande aspecto de ponte militar... Talvez mais uma ponte McGuyver ou algo semelhante. Cumpriu a sua função e era bem mais emocionante que as pontes militares, demasiado sólidas :) Quem sabe a história desta ponte que a conte.


Passando a zona do castelo e de algumas subidas valentes veio uma zona nova, pelo menos para mim. Um trilho de BTT que descemos para voltar a subir. Perto do final já estava muito cansado e não achei muita graça a andarmos às voltas por detrás do campo de futebol. Já só queria chegar para tratar das mazelas e tomar um bom banho que me havia de pôr como novo. Excelentes as instalações do pavilhão. Água quente à hora a que cheguei. Muito bom! 

Seguiu-se o almoço que ao sair do banho não tinha qualquer fila e me parecia surreal não ter de esperar tempo nenhum para a comidinha. Mas qual quê. Acabou-se a massa mesmo na minha vez e esperámos uns bons 20 minutos. A sopa também já tinha existido em tempos. Valeu a organização ir oferecendo umas imperiais para não ficarmos muito tristes. 
  
Em jeito de balanço diria que o Clac está de parabéns com esta prova. Souberam preservar o que já estava bemno traçado, muito bem organizada toda a partida e logística dos autocarros. Quanto a coisas para melhorar tirando as coisas que falharam e seguramente irão ser corrigidas na próxima, tipo comida a acabar, etc. diria que apenas o traçado final poderia ser melhorado aumentando o circuito antes de chegarmos ao Entroncamento porque uma vez o pavilhão à vista o melhor é porem-nos lá dentro :)

Podem ver mais fotos neste link do facebook

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