quarta-feira, 24 de junho de 2020

Rumar a Sul - Do Cavaleiro a Odeceixe vai ser um passeio.... ou não vai?

Nada como uma boa refeição para repor a ordem no universo, certo? A não ser que tenhas de decidir a próxima refeição...

(link para a 1ª etapa)

Resolvido o almoço em Almograve e a dormida no Cavaleiro, qual seria o tema do almoço? Pois está claro que seria o jantar. Cenários, hipóteses, opções, até taxis para ir jantar à Zambujeira vinham à baila, Uber Eats ali não há, tudo para evitar os desgraçados dos nepaleses. Diziam os detratores que estavam cheios de Covid... felizmente este é um país tolerante e sem racismo.... Que medo!

Lá optámos por seguir a opção habitual: chegar e depois avaliar. A comida entretanto chegou e o problema assumiu outra dimensão. 


Pança cheia o corpo queria descansar, encostar um pouco, fechar os olhos por uns momentos. A praia de Almograve estava composta. O dia não estava assim tão bom como isso. Um vento fresco quebrava a força do sol. Toalha de praia não fazia parte do conteúdo da mochila e dormir ao sol não seria o mais indicado. Procurámos um local no topo sul da praia, junto a um bar ainda fechado. Mas o vento não dava tréguas, e sem qualquer conforto o Pedro e o Eduardo aparecem e metemo-nos a caminho do Cavaleiro.

Seriam cerca de 13 Km, umas 3 horas de percurso. O trilho alternava entre a arriba e a mata mais para o interior. O espírito era razoável para quem já tinha feito 60 Km e não ia à cama há quase 2 dias. A perspectiva da casinha no Cavaleiro, com todas as comodidades dava alento à comitiva. 



Por fim o farol do Cabo Sardão surge no horizonte. Estávamos já muito perto do destino. O Cavaleiro é uma pequena aldeia 2 km para o interior do farol do Cabo Sardão. Contornámos o dito cujo e chegámos ao destino. A casinha era o sonho de qualquer gajo que tivesse feito 60 Km e passado uma noite em claro. 
O jantar resolveu-se com um take-away de um dos restaurantes que não abria ao jantar, para alívio dos gajos que estavam em pânico com a ideia de ir comer aos nepaleses. Não sei se ficámos mais bem servidos, mas pouco importa. A comida, mesmo requentada, era razoável, o vinho era de qualidade e alimentou bem a discussão filosófica noite fora. 

Ainda antes do dia seguinte era já claro para mim que esta viagem dificilmente passaria de Aljezur para baixo. A partir de Aljezur as opções de regresso complicam-se. Só há um autocarro de Sagres para cima às 8 e pouco da manhã. É sempre preciso ir a Lagos apanhar um comboio ou um autocarro, o que iria prolongar a viagem até à noite de Sábado. Não queria regressar tão tarde, por isso o regresso na 6ª à tarde era quase inevitável. Mas uma coisa de cada vez.
Para já fazer o percurso Cavaleiro Zambujeira. Voltar ao Cabo Sardão, agora para desfrutar de toda a costa da zona que é provavelmente das zonas mais impressionantes de todo o trajeto. É também bastante corrível, embora por inúmeros e variados motivos, correr foi tudo o que não fizemos.

Entre fotos e desfrute lá chegámos à Zambujeira. Era feriado num fim de semana gigante.
Não havia saloio que não estivesse na Zambujeira para almoçar. Evitámos os locais mais turísticos e lá encontrámos um restaurante semi-tasca, sem pretensões a estrelas michelin. Até nem levámos grande seca e a comida era básica mas honesta. No final do almoço aproveitámos para reservar no booking, o local para a pernoita em Odeceixe.
Estávamos a contar com um passeio tranquilo até Odeceixe, para passar a tarde. Mas é sempre assim, quando não se está a contar... recebo uma mensagem do booking a dizer que havia um problema com o cartão que tinha usado para fazer a reserva. Toca de ligar para a residencial em Odeceixe para resolver. Bla bla bla, têm de estar em Odeceixe até às 19h senão paga mais 20€... Ó diacho! Faltam pouco mais de 3 horas para 18 Km. 6 Km por hora. Tendo em conta a média que tínhamos vindo a fazer, o facto de haver imensa arreia, arribas, etc. era agressivo. Mas não impossível.
Olho para o Garmin, estimativa de chegada 19h30, começo a correr e a alternar a corrida com caminhada nas zonas de areia e de difícil progressão. O Garmin começa a reduzir rapidamente a estimativa. 19h20, 19h10. Decido correr até perceber se consigo que a previsão da hora de chegada baixe das 19h e ficar com uma margem de erro razoável. Passados alguns Kms a previsão estabiliza nas 18h50. O Zé junta-se a mim e seguimos os 2 a gerir a coisa. Estávamos já dentro da hora prevista, embora qualquer engano nos aproximasse novamente das 19h. 

Chegamos à Azenha do Mar e paramos para uma jola. O Zé entra para ir buscar umas fresquinhas, o tempo é escasso. De repente de uma das mesas da esplanada surge o João Tomás: o que é que estão aqui a fazer, beca beca, fez questão de pagar as jolas, obrigado João, e ala que estamos em contra relógio.

Faltavam ainda uns 6 Km, porque embora estivéssemos perto da praia e da foz da ribeira, Odeceixe não fica ali. Mas com o nosso ritmo infernal (LOL) rapidamente (a modos que) descemos a encosta subimos a ribeira até à ponte e passámos para a outra margem. Faltavam poucos minutos para as 19h quando chegámos à residencial. Uma moça ucraniana esperava por nós numa garagem entreaberta. Chaves entregues, contas feitas, siga para um belo banho. Enquanto esperávamos pelo Eduardo e pelo Pedro ainda caiu uma carga de água, mais refrescante que preocupante. 

Odeceixe metia dó: uma vila que costuma fervilhar de vida, a menos de meio gás, com imensa coisa fechada e meia dúzia de almas na praça principal. Indiferentes a isso lá fizemos o nosso jantar, demos uma voltinha profilática para desmoer a coisa. Mais um dia que chegava ao final.

A próxima etapa seria seguramente tranquila dado que iria acabar em Aljezur à hora de almoço. 

Nota: como imaginam temos centenas de fotos desta viagem. Vamos escolher as melhores para partilhar convosco num fantástico slideshow no post final. Aguentem firmes, se conseguirem...

seguir para a 3ª etapa

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