quarta-feira, 16 de maio de 2012

22 de Abril - Maratona de Madrid



A 3ª Maratona em 2 meses estava a chegar. Sesimbra tinha corrido bem, sem grandes mazelas para além dos pés um pouco abrasados. Durante a semana tratei ao máximo com creme hidratante, que pelo menos tem o poder de nos convencer que estamos a fazer tudo o que podemos para ajudar a recuperar.

Estava um pouco apreensivo com o fim de semana. Acordar às 4, autocarro às 5, viagem para Madrid no autocarro do Mundo da Corrida, Maratona e depois regresso. Chegar e retomar a semana de trabalho. Algo completamente incompreensível? Vamos ver o que dá. 

A viagem decorreu sem grandes sobressaltos. Depois de alguma conversa consegui retomar o sono e acordei a chegar ao Caia para um café. Portugal está arrumado. O resto passou-se bem, entre conversas, histórias de corridas e um pouco de leitura Madrid estava à vista. O regresso era onde esperava mais dificuldades depois da experiência da viagem à Maratona do Porto o ano passado.

Mas, consumada a chegada directamente na feira da maratona para levantar os dorsais e repor energias na pasta party, foi rápida a tomada de posse do apartamento que íamos repartir.



Os apartamentos Goya são honestos. Quando se paga pouco não se pode esperar milagres. Mas para dormir uma noite perto do centro de Madrid não é preciso mais nada... talvez um micro-ondas vá.

O resto do dia foi dividido entre a aquisição de comida para o jantar e para o pequeno almoço e uma volta pelas redondezas. Esta véspera da maratona ficou completa com um jantar caseiro ao som do relato em espanhol do Barcelona - Real. É divertido ouvir um relato em espanhol. Tudo era maravilhoso... Espanholada!



           




Com a vitória do Real a cidade teve um cair de noite diferente. A festa estava um pouco por todo o lado. Fomos dar uma volta para desmoer o jantar e não resistimos a ir à Praça Cibeles sentir a festa. A polícia tinha montado um enorme arraial para impedir a tomada da fonte. Parecia que a festa era da polícia. O pessoal que queria celebrar acumulava-se nos cantos da praça mas não tinham hipótese de fazer o assalto final. Demasiada polícia inundava toda a praça com dezenas de carros com os pirilampos ligados. Ainda andámos por ali um bocado a celebrar com eles, só que gritávamos SLB para baralhar. Claro que ninguém nos passava cartão. Para variar sem sequer deviam estar a perceber o que dizíamos. Não passávamos de 3 ou 4 malucos a filmar aquilo e a gritar umas parvoíces. Mas que era divertido era. Ainda rebentou um petardo ali a meia dúzia de metros de nós que nos fez saltar do chão. Inchaaa!

A noite passou-se muito bem e o dia acordou com ar de fresco. Rapidamente estávamos prontos e a caminho da partida. 10 minutos a pé bastavam para chegarmos. Vários pára-quedistas saltaram de 2 aviões e com uma precisão fantástica iam acertando na zona de poiso. Depois de uma foto com os simpáticos irmãos Dalton dirigimo-nos para a zona das boxes de partida. Sem grande controlo circulava-se com alguma facilidade entre as várias boxes de partida. O Vitorino que estava comigo ainda passou para a box da frente à ultima da hora. Eu não tinha qualquer pretensão que não fosse um bom treino e que os pés não me chateassem. Nem relógio levava devido a um acidente com o meu Garmin que devia estar nessa altura lá para Barcelona em substituição. Era preciso correr 42.195 e mais nada.

Sentia-me bem. Estava confiante que os pés não me iam chatear. Tinha comprado na feira da maratona umas meias WrightSock com Coolmesh e umas espanholas de Coolmax que tinham sido temas que tinha andado a pesquisar há uns tempos. Muitas vezes queixamo-nos de aquecimento nos pés e a culpa não é só dos ténis. Dentro dos ténis para além dos nossos pés estão as palmilhas e as meias. Pensava como iria sentir a altitude. Tinham dito que aos 800m já faz alguma diferença. 

A partida começa logo em ligeira subida. Daquelas que enganam. A princípio senti alguma dificuldade, de facto. Mas também não sei se não seria só do facto de irmos a subir. Os balões das 3h15 e das 3h30 seguiam juntos ali ao pé naquela altura. Embora não fosse minha intenção aproveitei o ritmo deles para definir o meu. Estava-me a custar mais do que o normal acompanhar as 3h30. Resolvi manter o ritmo para tirar conclusões. Após alguns Kms os 3h30 começaram a ficar para trás e os 3h15 iam ganhando distância. O cansaço exagerado tinha desaparecido e seguia agora confortável. Sentia que ganhava distância aos 3h30 pelo lento afastar dos 3h15. Estava confortavelmente instalado no meu ritmo. Era só manter. Seguia sozinho. Não conseguia encontrar ninguem

O carrossel começou a revelar-se e embora estivéssemos a descer em termos gerais até ao km 28 as subidas alternavam com as descidas. Se as subidas eram esgotantes, a alteração de ritmos e o esforço seguido do "descanso", iam quebrando a monotonia. O circuito é muito bonito, variado, com passagens perto de monumentos fantásticos, parques imponentes, uma maravilha. Nalguns sítios havia inclusive obstáculos no traçado mas pelos vistos a organização não está preocupada com isso. O traçado acima de tudo. 


Passo à meia com 1h40. Umas contas de cabeça e era tempo para 3h20. Sabia bem que iria quebrar um pouco e que no final nos aguardavam umas subidas petisco. Ainda assim 10 minutos chegavam bem se não houvesse surpresas adicionais. Bastava manter ou tentar manter. Não é que houvesse algum interesse especial em fazer fosse que tempo fosse, mas já que tinha deixado os 3h30 para trás e ganho uma margem confortável, já agora...
Ia controlando o tempo pelas paragens de autocarro que têm relógios, mas nem era preciso porque o ritmo estava a manter-se. Chega por fim a zona das subidas. Felizmente aqui o trail tem-me ajudado muito a progredir. A forma como encaro uma subida hoje em dia é totalmente diferente. Venham de lá que eu já vos digo. E lá ia. Começo a passar imensa gente que não está preparada para aquelas inclinações.

De repente ao meu lado está um balão das 3h30?!?!? Fico incrédulo. Estávamos ao Km 38. Penso, olha-me este olha. Agora? Tento rever os tempos numa paragem de autocarro e assim por alto não fazia sentido aqueles tipos ali. Tinha obviamente quebrado um pouco mas daí a apanharem-me e a prometerem deixar-me para trás? Muito estranho. Ainda assim podiam tirar o cavalinho da chuva. Não era agora que ia ficar a ver navios. Já tinha interiorizado a ideia de fazer menos de 3h30, desculpem amigos, meto uma abaixo e com um restinho de forças que estava a guardar sei lá para quê, foi mesmo na pior subida para a meta que cerrei os dentes e cá vai disto. 39 e já cheirava a meta. Não olho para trás, não é preciso, sei que vêm por ali. Não conseguem é passar. Na recta da meta vislumbro o cronómetro 3h25. 3h25!?!? Bom, está bem, venha. E veio. 30 segundos depois os 3h30 começam a cortar a meta. 3h26. Não percebi bem porquê mas Ok. Quem ia para 3h30 e resistiu aquela subida naquele ritmo teve o bónus. Quem os viu fugir no final e ainda assim ficou nas 3h30 também deve ter ficado feliz. Tanto faz. A minha 3ª maratona espanhola estava feita e os 3h25 feitos sem qualquer preocupação e sequer relógio souberam-me maravilhosamente. Mas estava exausto. As meias foram excelentes. Cumpriram o seu papel na perfeição. Pés sempre secos e relativamente frescos.

O José Carlos Melo foi a primeira pessoa que encontrei. Celebrámos juntos tal como em Barcelona. Mais uma espanhola conquistada...!

O José Carlos ficou por ali e eu fui andando. Só queria voltar para o apartamento. De tal modo que quando vi uns seguranças a abrir as grades saí e voltei logo para trás. Estávamos talvez a 1500 metros do apartamento. Quando saí apercebi-me da parvoíce que foi não ir até ao fim da recta. Faltou repôr energias. A comidinha estava no final da recta. Ahhh. Estupido sem oxigénio no cérebro. Too late! Agora é chegar ao apartamento depressa. Foi o que sobrou. Fui o primeiro a chegar e a despachar-me. 

Assim que o José Sousa se despachou fomos logo entupir as artérias para o Burger King mas não foi fácil fazer desaparecer o raio do hamburguer. Eram mais olhos que barriga. 

A preparação para a viagem foi feita logo a seguir ao almoço com um Voltaren. Ultimamente tenho usado o Voltaren para recuperar de provas muito duras. É uma ajuda enorme nas dores musculares e mesmo no dia seguinte em que já desapareceram todos os benefícios do medicamento sente-se uma diferença enorme na velocidade de recuperação. Não o uso por sistema mas sempre que a dureza é grande não hesito. 
Fosse porque razão fosse a viagem de regresso não me custou nada. Conversa e mais conversa, mais alguma leitura e quando a noite caiu foi só sacar do Galaxy S e aproveitar para ver um filme (Missão Impossível 3). Sei que quando dei por mim a coisa estava quase consumada. Claro que já passava da meia-noite quando enfim nos devolveram ao Centro-Sul. Ainda por cima vínhamos de Sul e tivemos de ir primeiro a Lisboa deixar o pessoal de Lisboa. Uma dívida de gratidão foi o que ganharam os gajos de Lisboa. 

Feito o balanço final foi um fim de semana que me encheu as medidas. Embora não tenha parado um instante, tenha papado 16 horas de autocarro, mais uma maratona pelo meio e uns passeios em Madrid, os amigos com que partilhei estes dias fizeram deste fim de semana mais uma jornada memorável. Não vos conseguia passar aqui nem 1/1000 de tudo o que sentimos e vivemos, por isso o que vos aconselho é que um dia possam tirar a prova dos nove.


Obrigado pela vossa companhia. Um abraço à malta do Mundo da Corrida. Sem eles não tinha sido a mesma coisa. A todos os companheiros de viagem, um abraço!

Vejam mais fotos neste album do facebook.

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