quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Stryd - Power to the... runners! (parte 3) by Pedro Almeida

Então mas isto não é só atar aos sapatos!?

Se a vossa reação neste momento for "como assim isto já vai com três partes?", então cliquem aqui ou aqui para ler (ou rever) o que está para atrás. No artigo anterior vimos o que era o Stryd e para que servia.

Entretanto do meu lado enquanto aguardava a chegada do bicho fui investigando um pouco mais a dinâmica de correr com power. Já andava há algum tempo no grupo do Facebook a espreitar o que por ali se passava e a tentar perceber o que me esperava nos primeiros tempos.

Aproveito para referir que o grupo é extremamente ativo (tem mais de dez mil seguidores) e apesar de as publicações terem de ser aprovadas pelos moderadores, depois de publicadas muito rapidamente temos ajuda dos representantes da marca ou do Steve Palladino, que é um treinador que atualmente apenas treina atletas com recurso a power. E se isso não chegar vai sempre aparecer alguém com experiência a responder, o ambiente que se respira é de entreajuda.

E nisto lá acabo por receber a encomenda, numa embalagem semelhante às já habituais caixas de cartão dos telemóveis.

Lá dentro temos o footpod, o carregador com o respectivo cabo USB, dois suportes para prender às sapatilhas e um guia rápido.
Numa vista de olhos ao guia rápido fico a saber que o Stryd tem bateria para 20 horas.

Nesta fase fico na dúvida porque enviam dois suportes para prender o Stryd, um preto e um laranja.

Depois de pesquisar no grupo fico a saber que a diferença entre o suporte laranja e o suporte preto... é a cor. Mas então porque é que enviam dois? Será que se estragam facilmente? Será porque mais tarde ou mais cedo vamos perder algum no fundo de um saco? Será para combinar com uns ténis berrantes? Vou tentar responder a algumas destas perguntas num futuro artigo...
Entretanto para nos ajudar a acalmar depois de um unboxing tão excitante, vou falar um pouco do software que suporta a cena.

O primeiro passo é instalar a app Stryd no telemóvel, que está disponível para Android e iOS. Do que percebi, até há pouco tempo atrás a versão Android era muito básica, estando vários passos atrás do iOS. Mas recentemente começaram a dedicar mais atenção ao Android, lançaram várias versões num curto espaço de tempo e contam em poucos meses igualar as funcionalidades.

Não sei de quem é esta carga de treino, mas aparentemente fez um ultra trail em Agosto e quase morreu...

Para além da app também existe uma versão para browser chamada Powercenter, que na prática é complementar à app e o único sítio onde é possível fazer uma análise mais detalhada das atividades, assim como consultar um conjunto de métricas importantes que não estão em mais lado nenhum (abordarei mais tarde noutro artigo para variar).

Como vimos no unboxing, o footpod tem bateria para cerca de 20 horas de corrida, ou seja, não dá para fazer o UTMB. Em termos de espaço para gravação de atividades, apenas consegue guardar até um máximo de 9 horas de corrida aproximadamente. No entanto isto não é um problema porque as gravações no Stryd servem apenas para termos um backup em caso de necessidade. Na prática é o vosso relógio que vai efetuar a gravação dos dados enquanto correm.

Para termos esta ligação entre o relógio e o Stryd, assim como para usufruirmos das métricas de potência em tempo real enquanto corremos, a forma mais prática é instalarmos o "Stryd Zones".

No meu caso utilizo um relógio da Garmin, pelo que lá fui até à loja e descarreguei este "data field" e adicionei-o depois num ecrã na actividade de corrida. Optei por ter um ecrã em separado, apenas com este "data field", mas se preferirem podem combinar outras métricas (ex: heart rate, altitude, etc) num ecrã em conjunto com dados de power. Confesso que para começar gostei da simplicidade de ter apenas o power no ecrã.

Se tiverem dúvidas em termos de instalação já sabem, falam aqui no blog com o mister Pires ou vão até https://support.stryd.com/hc/en-us/articles/360026513594-Stryd-Zones-data-field-Installation-and-setup. Se for mesmo preciso podem usar os comentários que eu tentarei responder, mas vamos pensar nisso apenas como uma solução de último recurso. :-)

Em relação aos relógios, existem muitos compatíveis das mais diversas marcas, embora nem todos ofereçam as mesmas funcionalidades.

Recomendo confirmarem em https://support.stryd.com/hc/en-us/articles/360004924033-Stryd-watch-compatibility-chart se o vosso relógio consta da lista e que opções são suportadas. Em termos de ligação à partida não há problema, o Stryd pode utilizar Ant+ ou Bluetooth.

O que vão logo reparar é que apesar de alguns relógios serem compatíveis com Stryd, nem sempre conseguem ter toda a informação em simultâneo. No caso do Fenix 6 é possível ter o Stryd como fonte para a velocidade e distância, ignorando desta forma a informação obtida via GPS. No entanto ao mesmo tempo é possível continuar a receber o cálculo de posição, para no fim termos na mesma um mapa janota no Strava. Nalguns dispositivos não é possível garantir esta configuração completa, sendo necessário optar por uma informação em detrimento de outra (ex: é possível ter velocidade e distância a partir do Stryd, mas ficamos sem mapa GPS).

Também é possível que leiam algures que os Fenix 5 não são grande espiga com o Stryd. Aparentemente a fraca potência da antena deste modelo por vezes provocava problemas de ligação, com consequentes perdas de informação entre o relógio e footpod. Nesta nova versão do Stryd (Wind) a marca refere que foram feitas alterações para garantir uma ligação impecável com "todos os relógios". Dizem as más línguas que isto é claramente uma referência indirecta à Garmin, mas como provavelmente são dos relógios mais utilizados em conjunto com o Stryd, a marca achou melhor ficar por meias palavras. Tudo isto para dizer que do meu lado tive zero problemas na meia dúzia de treinos que fiz com o Fenix 5, antes de mais recentemente ter mudado para o Fenix 6.

Em relação ao data field para além da configuração do ecrã no relógio, é importante ir ao Garmin Connect e configurar as opções, pois é uma parte do processo que facilmente fica esquecida.

ANT ID
Aqui devem inserir o identificador do vosso footpod, para garantir que apenas apanham o vosso sinal. Quando corri a Meia Maratona dos Descobrimentos ainda não tinha recebido o Stryd, mas já tinha instalado o data field no relógio. Mais tarde ao analisar a prova no Connect fico admirado por ter meia dúzia de picos de power no gráfico, mas ao perguntar no grupo percebo que terão sido registados quando corri perto de alguém que utilizou um Stryd. Se configurarem aqui o vosso ID evitam este tipo de problemas.

O vosso ID (5 dígitos) aparece no relógio quando pesquisam os sensores que estão nas proximidades. Se não tomarem nota do ID nesta fase e alterarem o nome do sensor no relógio, depois deixam de conseguir ver este número, mas se isso acontecer não é grave, basta voltarem a efetuar uma pesquisa de sensores e o Stryd aparece novamente na lista com o ID vísivel (mesmo que já esteja emparelhado).

Power averaging
Aqui indicam o que deve ser apresentado no campo principal. Podem optar por ter o power em tempo real ou um valor médio (3 segundos, 10 segundos, etc). Optei pelo valor em tempo real para pelo menos numa fase inicial ser mais fácil perceber como reagia.

Power averaging (Secondary display)
Segundo campo para mostrar power, mais uma vez pode ser o que quisermos, optei pela média da lap em curso, pois permite alguma flexibilidade de análise durante a corrida (que claro vou explicar noutro artigo).

Username
Devem inserir o username com que se registaram. Desta forma vão ter as vossas zonas de corrida sincronizadas automaticamente de acordo com as últimas medições (mais um artigo na calha).

Também não sei quem é este atleta, mas claramente tem mais power que eu.


Visual Zone Bar
Se ativada esta opção, o data field mostra as zonas de forma dinâmica e com cores durante a corrida.

Numerical Zone
Se ativada esta opção, o data field apresenta o número da zona em que estamos a correr naquele momento (ex: zona 3). Desativei porque era mais um número no ecrã que não acrescentava muito, considerando que tenho a parte gráfica ativa. Ainda estou na dúvida o que será mais prático: tentar perceber se é suposto correr na zona azul ou verde, ou olhar para um número no ecrã e lembrar-me que raio é aquilo.

Bom, posto isto acabaram-se as desculpas para não ir correr, mas... acabou o espaço, fica para o próximo artigo...

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