sábado, 19 de setembro de 2020

Filtro Salomon XA - Água potável no teu flask


Quantas vezes te deparas com uma fonte, ou uma ribeira em que até te apetecia beber água, mas... será que é potável, ou suficientemente potável para não te provocar efeitos secundários maléficos ao nível digamos... intestinal, na melhor das hipóteses ?
Adoro a água fresca da serra, da montanha, às vezes até de algum riacho com mais bom aspeto. E nem estou a falar da alta montanha, em que acima das zonas de pastoreio a água é do mais puro que há. Os Alpes, por exemplo, são um dos locais onde não é preciso levar mais do que uma garrafa de meio litro que se vai recarregando em riachos e cascatas da montanha. Mas ainda a semana passada, pouco acima do Sabugueiro, o trilho acompanhava a ribeira que descia da serra, e tão fresca e saborosa que era.

Mas normalmente, é mais complicado. A água que corre em ribeiras pode ter proveniências mais dúbias. Mesmo algumas fontes mais insuspeitas podem ter níveis de contaminação elevados. Até mesmo algum lago com águas mais paradas em casos de extrema desidratação, se fosse possível garantir que a água estava descontaminada...

Desenganem-se se pensam obter água pura a partir de qualquer sistema de filtragem portátil. Os mais poderosos não são portáteis, nem simples de usar; usam um processo chamado osmose inversa que faz passar a água por uma membrana tão fina que praticamente apenas as moléculas de água conseguem passar. Com um filtro destes até conseguem transformar água do mar em água doce. Não será propriamente a água mais saudável porque não tem quaisquer minerais, mas é melhor que beberem água salgada que a prazo vos vai intoxicar os rins e envenenar. Claro que um sistema destes, exige uma energia enorme e não é de todo portátil.

Mas dos vários sistemas de filtragem portáteis, mais ou menos evoluídos, depois de avaliar várias hipóteses para usar em aventuras de fastpacking, o novo filtro da Salomon pareceu-me a mais equilibrada. Fica desde já um aviso. O filtro não é compatível com os flasks antigos da Salomon (provavelmente os que têm aí por casa)

Atenção ao novo diâmetro da rosca!
A Salomon mudou o diâmetro da rosca dos seus frascos na primavera de 2020. Agora os flasks têm 42 mm de diâmetro. Um diâmetro mais standard, que permite mais facilmente adicionar os pózinhos de perlim pim pim, para quem gosta disso, ou mesmo as pastilhas de eletrólitos que mal cabiam nos antigos (cabiam ? acho que não). A tampa é também mais fácil de enroscar e sobretudo desenroscar.

Por isso, se não têm flasks de 42 mm de diâmetro, não façam como os cromos que compram só o filtro e depois vão aos sites fazer figura de parvos  e dizer mal da Salomon porque o filtro não cabe nos flasks deles. Fica o aviso.

O novo flask de meio litro, é um pouco mais volumoso que o anterior. Sobretudo mais comprido. Há que acomodar o volume que ocupa o filtro lá dentro, claro. Mas a opção da Salomon de adotar uma rosca de 42 mm parece-me correta. Embora não o possa usar nos meus antigos flasks, passo a poder usá-lo nos meus velhinhos flasks Hydrapak de 600 ml. É o que se ganha em adotar standards, ou pelo menos standards que eu tenho :)

O filtro Salomon XA num flask Hydrapak de 600 ml rosca 42 mm

Tecnologia

A tecnologia usada neste filtro são as fibras ocas. Simplificando são uns tubos superfinos, ocos e porosos que retêm partículas acima de um determinado diâmetro. A Salomon não indica a porosidade das fibras que usa mas diria que será algo na casa dos 0.2 microns, o que retém bactérias e protozoários, não sendo no entanto suficiente para reter virus que são 10 vezes mais pequenos, na casa dos 0,02 microns.

Retém também de forma eficaz, impurezas e pequenos grãos de pó que turvam a água. Claro que odores, sabores e substancias químicas que são compostas apenas por moléculas, não são retidos. 

Esta tecnologia tem como vantagens a simplicidade e o fluxo relativamente elevado que se consegue. Não vão notar qualquer diferença para os flasks normais, pelo menos enquanto o filtro for novo.

Já perceberam então qual é o problema desta técnica. Ora se as cenas ficam retidas nos micro poros dos tubos, o filtro vai perdendo eficácia ao longo do tempo, vai ficando entupido. Por mais que lhe façam a manutenção indicada nas instruções, que devem seguir rigorosamente para prolongar ao máximo a vida do vosso filtro.

Utilização

Embora não precisem de um filtro destes para provas (até porque não existem provas), este material pode ser interessante para as vossas aventuras, nomeadamente para saídas de fastpacking em que não convém ir carregado de água se podem ir abastecendo pelo caminho.

A Salomon indica 1500 litros como a duração do filtro mas obviamente isso vai depender da pureza da água que filtrarem. Se brincarem muito com água suja das poças, por exemplo, num instante vão acabar por entupir as fibras. 

Testar a eficácia deste filtro é como testar cogumelos... Se tudo correr bem, nunca irão saber se foi graças ao filtro, ou a água não estava assim tão contaminada, ou o vosso organismo até resistiu bem.

É um facto que não é eficaz contra virus, mas as ribeiras não são o local preferido destes gajos. São mais as bactérias e os protozoários que contaminam, sobretudo águas mais paradas. 

Mas é uma barreira adicional que vos dará mais confiança para beber água em plena natureza. Recomendo, e se me der alguma coisinha má eu atualizo o artigo :)

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