quinta-feira, 6 de outubro de 2011

2 de Outubro - 2º Trail Terras do Grande Lago


Este ano como ia sem a família aproveitei a boleia gentilmente oferecida pelo Mundo Da Corrida. Viagem gratuita para quem quisesse ir no Sábado no autocarro ao serviço da organização. Nem pensei duas vezes. Era uma boa oportunidade de passar um fim de semana entre amigos, para além de fazer um treino longo para a Maratona do Porto. Tal como o ano passado, o objectivo era fazer os 30Km em ritmo suave.

Assim o fim de semana começou no Sábado de manhã com a viagem até Portel a decorrer no meio de muita e animada conversa com os amigos da corrida. As provas de 100 Km e o reviver de muitas aventuras com os loucos que as fazem. Ronda, Peregrinos, etc. 

O dia prometia mais de 30º. Chegámos a Portel por volta das 12h30. Descarregar as bagagens e preparar o local do descanso foi feito rapidamente. Ficámos numa sala do 1º andar, onde o ano passado foi servido o almoço. É mais acolhedor que a largueza do pavilhão cá em baixo. Havia colchões de ginástica de vários tipos, feitios e espessuras. Óptimo! Não ia ser preciso usar o meu colchão de encher.

Já com a tralha no sítio estava na hora de ir almoçar. O pessoal do Mundo da Corrida, super organizado, estava pronto para ir marcar o trilho e em menos de nada desapareceram e foram à sua vida. A nós coube-nos a árdua tarefa de seleccionar um local para almoçar. Depois de muita análise escolha e investigação lá almoçámos. A comida era honesta, nada de espectacular. O preço também. Ao contrário do grupo que almoçou que era bem divertido. 


Depois de almoço e com o termómetro a subir acima dos 30º calhou mesmo bem um pequeno passeio ao paredão da barragem do Alqueva e no regresso uma imperial na esplanada da marina da Amieira. Umas ventoinhas pulverizavam água e arrefeciam um pouco o ambiente. Já tinha visto este sistema no Egipto. Muito bom. Ao voltar a Portel uma paragem no Intermarché para comprar alguns mantimentos extra, o pequeno almoço do dia seguinte, etc. Estava tudo pensado. 

Num instante ficou de noite.  Voltámos ao mesmo restaurante onde tínhamos deixado mesa reservada porque dava o jogo do SLB e sempre éramos um grupo grande, podia não ser fácil arranjar mesa. O jantar foi mais fraco que o almoço, casa a rebentar pelas costuras, serviço uma desgraça, não fosse o SLB ter entretido a gente com 4-1...

A caminho do descanso, tal como já tínhamos combinado à tarde, era hora de aliviar a carga frutífera das várias árvores de fruto do jardim de Portel. Dióspiros e romãs chamavam por nós. Os dióspiros estavam tão maduros que era um perigo estar debaixo da árvore e levar um um na tola. Dezenas deles tinham já caído no chão. O pessoal por ali tem as suas próprias árvores de fruto, não liga às do jardim. Mas tinham um aspecto tão maduro e delicioso que era impossível resistir. O José Sousa lá tratou de amarinhar pela árvore acima e proceder à colheita. Eu recebia o produto cá em baixo. Só consegui comer 4, antes de atingir o limite. Deliciosos.

Antes de dormir ainda tive de tomar um banho para dormir um pouco mais fresco. Foi a melhor noite que já passei em solo duro. Para já o solo era mole qb. Depois e por mais incrível que pareça em tanta gente não houve um único trombone. Um descanso toda a noite. Dormi quase como em casa! 

No dia seguinte o autocarro levou-nos para o Alqueva bem cedinho. Ficámos por ali à conversa até às 9h30. Toca a banda da aldeia e ala que se faz tarde. Estradões e algum sobe e desce até à Amieira. Estes primeiros 15Kms são a parte mais fácil e enganadora da prova. Sempre junto ao Alqueva, paisagens bem bonitas com o lago sempre presente, a marina do outro lado. Muito bonito. Tal como tinha planeado ia fazer uma prova confortável. Além disso estava imenso calor e o desgaste ia ser enorme. O meu objectivo era um treino longo e não estoirar ali pelo Alentejo. Desde cedo o Jorge Pereira juntou-se a mim e seguimos juntos.





Logo após o 1º abastecimento ao Km 6 começo a sentir que algo não estava bem com o dedo grande do pé direito. Um leve ardor fez-me suspeitar que vinha aí bolha. Mau! Nem 10 Km temos. O que vale é que ia precavido com uma embalagem de vaselina, e tinha posto antes da prova e tudo. No 2º abastecimento sou forçado a analisar o que se estava ali a passar. Descalço-me e lá estava ela a formar-se. Uma bolha enorme por debaixo do dedo grande na articulação!?! Que sítio. Carradas de vaselina na zona. Monta tudo e sigo um pouco preocupado. Como é que isto iria evoluir? 

Ao fim de uns Km's a dôr nessa zona está controlada. Começa a surgir nova bolha agora na sola do outro pé. No abastecimento seguinte, verificação da bolha 1 e tratamento da bolha 2. Percebo que a 1 está estável carrego mais um bocado de vaselina e trato da 2. Fico mais animado porque parece-me que vai dar para seguir viagem. Por precaução nalguns abastecimentos carregava com mais um pouco de vaselina. 


Depois da Amieira é que a prova começa com trilhos mais técnicos e sobe e desce constante. Fomos sempre conservando energia. A andar nas subidas e a correr no resto. A temperatura subia sem parar. A nossa estratégia conservadora deu resultados e pelo caminho fomos apanhando alguns incautos que ou não conheciam o percurso, mas foram avisados para a 2ª parte, ou foram depressa demais e não contaram com o calor. Eu tirando os pés ia mais do que descansado, sempre a poupar. Afinal o meu treino longo estava feito, para quê sofrer demais? 



A partir do ultimo abastecimento era sempre a subir até à meta. Consegui convencer o Jorge e fizemos quase tudo a correr. Ainda eram mais de 3 Km numa subida não muito íngreme mas constante. 

Mal chegámos fomos direitinhos para o Jaccuzi que tínhamos combinado na véspera. Já lá estava o pessoal que foi fazer o mini trail e um ou outro craque mais acelera. Que bem que soube. O Jorge fazia Jacuzzis para lá e para cá. Eu descalcei-me de imediato para analisar o estado da desgraça. O que mais me preocupa nas bolhas não é esse dia. É o impacto que vão ter nos dias e treinos seguintes. Os meus pés são um ponto muito fraco. Ainda por cima com um plano de treinos quase diários.



Depois do banho nem toda a gente queria ir comer ou tinham refeições alternativas mas eu não tinha levado nada e estava capaz de comer, não digo um boi, mas como deve ser. Fomos a outro restaurante diferente. A coisa começou mal, com alguma rudeza da empregada, mas acabou muito bem. Comida excelente, cerveja estupidamente gelada, ar condicionado qb, sobremesas deliciosas, excelente preço. Ficámos com pena de só o descobrir no fim. Pode ser que pró ano haja mais.

Depois de um compasso de espera enquanto aguardámos que o pessoal da organização almoçasse, foi tempo de fazer mais uma descansada viagem, em que o tempo voou enquanto o Carlos e o Jorge regressavam à juventude, se iam recordando, e nos deliciavam com as provas do antigamente e histórias sem fim de tempos que já lá vão. O tempo voa naquelas viagens. 

Agradeço a hospitalidade do Mundo da Corrida. Foi um prazer viajar convosco. Fiquei a conhecer melhor alguns dos amigos que já conhecia e foi um excelente fim de semana para repetir sempre que possível. Haja provas! Para o ano há mais.

Fiquem com o resto das fotos do fim de semana aqui neste link.

27 de Setembro - 18º Treino Lunar


Depois de uma meia maratona nada como um belo Treino Lunar para relaxar a musculatura. Desta vez já tinha avisado que nem que chovessem picaretas e martelos era para o lado da praia que ia. Já estou farto de alcatrão e já chega as vezes que temos de o calcar. Para além disso sei que a maioria das pessoas pensa da mesma forma. E quem vem de longe, vem precisamente para esse momento de prazer que é correr no sossego da praia à noite, com as ondas e a Lua como companhia. Portanto para mim está encerrada a questão de não ir para o lado da praia, a não ser que toda a gente algum dia escolha o contrário.

Vamos para ali? LOL
Com o Verão de volta o dia prometia um Treino Lunar espectacular. Noite de Lua Nova, portanto sem lua, a temperatura no princípio devia exceder os 20ºC. Alguém ainda resmungou qualquer coisa sobre ir para o outro lado mas foi abafado por um coro de discórdia. 
Não havia qualquer vento. Estava daquelas noites de Verão como havia o ano passado, já que este ano a coisa esteve escassa. Noite de SLB no canal dos pobres, faz sempre diferença, embora a malta do núcleo duro tenha as prioridades bem arrumadas dentro da cabeça. Ver futebol é coisa para se fazer se não houver nada melhor para fazer. E um Treino Lunar... é que nem compete com futebol! Até um simples treino se sobrepõe a qualquer jogo de futebol, quanto mais um Treino Lunar.

Portanto lá estávamos reunidos, o team do costume, e 2 novas amigas que vieram experimentar essa maluquice de correr na praia à noite. 
Arrancámos e imediatamente segui para junto do mar. Ninguem me seguiu. Ai o pezinho e o téne... depois molho o pézinho e o téne. Eu avisei que o piso estava excelente lá em baixo junto ao mar, mas o pessoal é teimoso. É deixá-los a levarem com os rodados dos tractores lá em cima. Primeiro nem sequer queriam correr muito. 30 minutos para cada lado. Eu queria os 45 para ir até à Fonte da Telha, mas acabámos por negociar 40. Dava para chegar quase à Fonte da Telha. 
Rodados de tractores! Toma!

Segui sempre sozinho. O piso estava fabuloso. Poucos rios para saltar em todo o percurso, 6 ou 7 talvez, e não molhei os ténis uma única vez. A noite estava de facto fabulosa. O nível de humidade no ar era tal que perturbava a luz do frontal. Com a humidade e a luz forte acontece com os farois do carro no nevoeiro. Acentua-se o efeito do nevoeiro e dificulta a visão. Optei por apagar o frontal e seguir às escuras. Não havia luar, mas após alguns minutos os olhos habituam-se e chega perfeitamente para correr. Ligava ocasionalmente para saltar um pequeno ribeiro ou quando me aproximava de um grupo de pescadores, para não me atropelarem com algum tractor. Apetecia-me correr sem fim e não voltar para trás. Estava a saber mesmo bem.

Perto da Fonte da Telha quando era hora de voltar o grupo juntou-se finalmente e seguimos junto ao mar. Perceberam que o piso ali estava perfeito mas ao aparecerem os primeiros ribeiros para saltar assustaram-se e foram para cima de novo. Bem feita. Eu segui com o Orlando sempre junto ao mar enquanto os desgraçados foram penar lá para cima.

E num instante se acabou a corrida. Estava na hora do jantar. Não houve qualquer vento nem para lá nem para cá. Fomos buscar o farnel e voltámos para o banco do costume. Eu tinha feito um bolo de cenoura, mas os reis da noite foram o bacalhau à brás da Leonor e o leitão do Palo Costa. Mais o verde tinto. E muitas outras iguarias, fruta e arroz doce. E conversa, muita conversa. A noite acabou-se num instante. Uma noite como não houve durante todo o Verão. 
Like a boss!
A Leonor que enquanto esperava pelo final da nossa corrida foi ter com uns pescadores  que puxavam as redes e trouxe 2 sacos gigantes de cavalas, tainhas do mar e besugos pequenos. ofereceu-me uns peixitos. Nos dias a seguir houve cavalas e taínhas no forno e bezugos fritos. Que delícia. E fiquem a saber que as taínhas do mar no forno são um peixe muito competente. As cavalas são o peixe com mais Omega3 por peixe quadrado.



Vejam o resto das fotos aqui. Vejam também o album no Facebook do Paulo Fernandes.

Dia 12 há mais. Está quase aí. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

25 de Setembro - Meia Maratona de Portugal

Romaria para a partida
Não é novidade, já o devo ter escrito várias vezes, não gosto desta prova. Este ano não era para ter vindo mas infelizmente não encontrei alternativa. Ainda houve um grupo de amigos que marcou inicialmente um trail convívio para esta data mas depois trocou... e lá tive de ir, contrariado.

O Miguel e o João com cara de poucos amigos
Eu e o Álvaro um pouco mais felizes
Não é o percurso. Isso ainda era aceitável. Mas é a logísitca, os autocarros, o desperdício de recursos, a seca que se apanha em cima da ponte, o levantar às 7h para começar a correr quase 4 horas depois, etc. etc.



Nas imagens acima, o unico facto interessante antes da partida. Um "pequeno" hexacópetro eléctrico com uma camera DSLR passeou por cima da multidão. Só à 2ª me lembrei de o fotografar mas nessa altura o bicho já não veio até tão à frente. Se alguém souber mais alguma coisa deste aranhiço ou do filme que o tipo fez digam qualquer coisa.

Bom mas como não havia alternativa lá tive de gramar com a pastilha. Este ano fui com o Miguel e o João Cunha. Não há grandes críticas a fazer à organização. A máquina já está bem afinada. Nem 5 minutos esperámos pelo autocarro. A seca foi em cima da ponte. O dia prometia calor. É impossível fazer qualquer aquecimento. Tem de ser feito nos primeiros 2 Km's. Ainda assim a conversa esteve interessante enquanto esperávamos e aquela hora e meia acabou por voar. A conversa incluiu a teoria de Caçar por Persistência, abordada no surpreendente livro Nascidos para Correr. Também uma pequena lição de geologia e a evolução do estuário do Tejo ao longo de milhões de anos. O que se aprende nas corridas!

Após a partida apareceu o Zé Santos e fomos juntos até chegar cá abaixo. Não sei se fui eu que comecei a acelerar se foi ele que se ficou, mas passado algum tempo já não o via. Não estava com grande vontade de correr mas a partir do Km 6 ou 7 lá encontrei o nível de sofrimento ideal e assim segui. A aborrecida recta infindável e monótona até Sta. Apolónia lá foi interrompida pelo subida e descida do viaduto, meia volta e toca a regressar. Novo viaduto, sobe e desce e aborrecimento infindável de novo. Lá pelo Km 15 estava tão aborrecido que achei melhor acelerar um pouco para acabar mais depressa :). 

Não fomos ajudados pelo sol e pelo calor. Mais os 2 primeiros Kms muito lentos impediram-me de baixar de 1h40m. Mas é pouco importante. O plano de treinos dizia Meia Maratona e Meia Maratona foi feita. 

O Miguel chegou logo depois de mim. Foi só o tempo de esperar pelo João, que até nem foi muito e regressar a casa. 
Mais uma!
Sonho com o dia em que a organização acabe com os autocarros, com a seca em cima da ponte, com a logística perfeitamente desnecessária que envolve esta corrida. Há quem diga que podíamos partir da outra margem, que podíamos partir desta margem, fazer a ponte toda, ir e voltar, qualquer coisa que aligeire toda a estrutura. A malta quer é correr, deixem-se de fitas.

Entretanto soube da parceria que a organização fez com a Competitor.com que conseguiu incluir esta prova na Rock 'n' Roll Marathon Series
Parabéns ao Maratona Clube de Portugal pelo feito. Espero que isto contribua para que a prova cresça. Reconheço que este facto irá impossibilitar qualquer alteração ao traçado por vários motivos que não interessa nada estar para aqui a despejar. Eu mantenho a minha ideia. Vou sempre preferir qualquer outra prova ou convívio de amigos até que abandonem este formato pouco razoável e racional.

Levei a máquina e enquanto tive paciência tirei uma fotos. Mas nem para aí estava virado.

domingo, 25 de setembro de 2011

18 de Setembro - Corrida da Linha e do Destak

A partida
O plano de treinos dizia 32Km, mas sei lá porquê fui antes a esta prova. Este ano ia ser diferente. Na companhia do João Cunha deixámos o carro em Cascais e fomos a correr até à partida. Bem planeado chegávamos à hora de partir e sempre se faziam 20Km. 

E assim foi. O Luis que também veio connosco apanhou o comboio e nós seguimos marginal fora em direcção a Oeiras. Em amena cavaqueira e ritmo lento lá fizemos a coisa em cerca de 50 e poucos minutos. 
Eu ia cheio de cólicas e a imaginar como é que ia conseguir fazer o regresso. Não estava sequer equipado para ir para trás de uma moita e ali na marginal não é coisa que abunde...



Com maior ou menor sofrimento lá chegámos, e 5 minutos depois era dada a partida. A principio ainda fui devagar a tentar gerir a situação. Mas a coisa estava um bocado complicada. Decidi que o melhor era acelerar e o cansaço iria-me fazer esquecer o resto. E até resultou. Só tinha era de abrandar de vez em quando quando uma cólica mais forte atacava. 

A prova é simpática. Sem grandes complicações, apenas com 2 subidinhas se é que aquilo é digno desse nome. Mas dá para aquecer. É rolar, desfrutar da vista e pouco mais. O vento que se fazia sentir como vinha de terra não incomodava muito. Era apenas lateral. 

E lá consegui concluir a prova. Apetecia-me correr mais uns Km's. Bem dizia o plano de treinos. Foi só o tempo de esperar pelo Cunha e pelo Luis e arrastei-me dali para fora. A minha prova de resistência só iria terminar em casa, no trono. 
Estava um excelente dia de praia


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

12 de Setembro - 17º Treino Lunar


E vão 17. Ainda bem que está tudo registado porque senão nem eu próprio já os conseguia contar.

Depois de descansar no Domingo, lá surgiu mais um treino lunar. Desta vez numa 2ª feira. Uns podem, outros não, outros talvez. A Lua é que nunca falha. E lá estava ela acabada de nascer. 

O núcleo duro está todo regressado de férias e ainda tivemos regressos de amigos que sentem a nossa falta bem como novos amigos que vieram pela primeira vez.

Novamente fomos para o lado da Trafaria mas da próxima vez vou voltar à areia nem que vá sozinho. Sinto saudades de correr junto às ondas e ouvir o mar ali ao pé de mim. Mas adiante. 

O grupo partiu junto pontão afora em direcção a S. João. No final do pontão descemos e formos em direcção à estrada de S. João por dentro do novo parque. Eu fui enganado e fui ficando no grupo da frente liderado pelo Nobre. A carruagem foi acelerando, acelerando, já parecíamos o TGV. Claro que nem fomos à Trafaria. O José Luis aldrabou o esquema todo, meteu para dentro para o meio da mata e fomos fazer a voltinha das vivendas. Quando voltámos à estrada seguiram para a Cova do Vapor. O ritmo era de treino... de craques claro. Depois da Cova do Vapor valeu ir conhecer a nova estrada alcatroada que fizeram dentro do parque de estacionamento da praia de S. João. Lá na frente o ritmo forte prosseguia e eu e o Zé ficámos um pouco para trás. Seguimos juntos até final, longe das más influências daqueles malfeitores. 

Em vez de um simpático treino fizemos uma prova nocturna de 14Km. Malvados! :)

Claro que nem todos vieram connosco. O pessoal mais lento perdeu-nos de vista, o Vitor ainda foi à Trafaria ver se nos encontrava. A culpa é do motorista. 

Eu tão cedo não volto a ir para aquele lado nem com rajadas de vento Norte de 100Km/h. Prefiro o sossego da praia. Até porque com o escuro deixo de os ver e não tenho tentações.



Regressados e embora não estivesse frio, estava o tradicional vento chato. Fomos abrigar-nos para trás do Chapéu de Palha onde as escadas para a cozinha dão uma excelente mesa. E por ali ficámos no nosso jantar habitual. Comida e bebida de sobra e para todos os gostos. À conversa e entre um verde tinto caseiro e excelente e o habitual arroz doce da Leonor lá encerrámos a noite e agora é só esperar pelo próximo.

Vejam mais fotos aqui

Leiam a versão do Pedro Ferreira aqui

terça-feira, 13 de setembro de 2011

10 de Setembro - Meia Maratona de S. João das Lampas




As Lampas, as Lampas. Essa prova especial. Todos dizem que é especial. E é mesmo. Por um lado foi a 35ª edição e não há muitas assim que possam puxar dos galões de antiguidade. Depois são os atletas que lá vão. Verdadeiros atletas. Não tem vedetas e nem precisa. Ali as vedetas somos todos nós. É uma prova popular, organizada por atletas e para atletas. Não chama a atenção do profissional porque ali não se vai para fazer tempos ou ganhar prémios. Ali vai-se porque é a Meia das Lampas, das Rampas para os amigos.

Desta vez passei pelo Centro Sul e carreguei o carro de atletas do Parque da Paz e lá fomos. Uma das coisas que gosto desta prova é que se trata de uma meia sem parvoíces, enchentes, filas, empurrões, gritarias, autocarros e outras desnecessidades ainda piores. É chegar estacionar, conviver com os amigos todos que lá vão ao mesmo, aquecer, cumprimentar o Fernando que anda numa fona, preocupado com o que pode ir correr mal, aquecer e lá vamos nós.

Simples, sem espinhas. E lá fui. Foi apenas a 2ª vez que fui às Lampas. Engraçado como o cérebro nos prega partidas. Não me lembrava das maldades que o percurso tem. Só me lembrava das coisas boas. Lembrava-me de algumas subidas, mas tantas? Andaram para aqui a cavar ou quê? Eu já tinha alisado isto tudo na minha cabeça. Mas não. Toca a andar no carrossel. A malta queixa-se das rampas mas embora sejam duras, é esta dificuldade adicional que faz desta uma meia diferente. Em vez da pasmaceira das rectas do costume aqui há que gerir o esforço. As rampas desgastam mas quebram a monotonia de uma prova em que é sempre a fundo. Aqui há que meter 2ªs e mesmo 1ªs. Se uma meia do costume é uma autoestrada sem nada para ver, esta é uma estrada de montanha em que temos de trabalhar com a caixa.

O team a ser puxado pelo Zé Augusto
Após a primeira subida e descida para nos pôr na ordem, vem aquela cobra enorme que sobe sobe, parece o balão sobe. Desde essa altura que começo a notar uma companheira que não mais me iria largar até ao final. Verifico agora tratar-se da Maria de Fátima. Eu passava nas subidas ela passava nas descidas. Ou vice-versa. O carrossel prosseguia com o imprevisto das rampas, uma a seguir á outra. A dureza das rampas começa a fazer mossa. Mas sem que fizesse outra coisa que não fosse tentar resistir à tortura de cada rampa, a verdade é que a Maria de Fátima lá surgia. Às tantas percebo que mais um campeão se junta a nós. O Manuel Faísca mais os seus 67 anos, juntamente com o Zé Augusto. Eu ia ali um bocado por arrasto mas a tentar não desligar daquele comboio.
O puto e os mais crescidos

Por volta do Km 13 passamos de novo pela meta. É uma altura sempre dolorosa. Um pouco mais de meio da prova feita, cheiramos a meta e seguimos para o outro lado para fazer os 8 que faltam. Ai senhor, mais 8? E isto dá? A ver vamos.

O grupo seguia forte e eu um pouco mais atrás tentava perceber se teria andamento para os acompanhar. Recomeça a sucessão de subidas e descidas. Custa a todos e isso faz com que não nos separemos. Eu às tantas ainda digo ao Zé Augusto que eles iam depressa demais para mim, mas que ia tentar acompanhar aquele ritmo enquanto houvesse forças. Faltariam talvez uns 4Kms para o final.

2 factores ajudaram estes 4Km. O Nuno Gomes que seguia, desde o princípio, à minha frente talvez uns 100, 200 metros e que fugia nas subidas e se aproximava nas descidas começa a ficar cada vez mais perto. Aqui percebo que estamos a andar bem e que o vamos apanhar não tarda. Ele tinha feito 1h45 em 2010. Eu estava demasiado cansado para olhar para o relógio e fazer contas mas ou ele estava pior este ano ou era eu que ia para um bom tempo depois de 1h50 em 2010. Ao mesmo tempo o companheiro Manuel Faísca que conserva uma excelente visão para além de uma excelente forma vislumbra ao longe o campeão mundial da sua categoria, 70 anos, o grande Bernardino da minha equipa. Refere que são bons amigos quando não estão a correr e fixa o seu objectivo. Estamos aqui estamos a apanhá-lo. E assim aconteceu. Faltava uma subida acentuada e depois 2 Km a rolar até à meta. Apanhámos o Nuno a subir e quando metemos a 5ª para fazer a recta final (que não era bem um recta claro) o Bernardino foi inevitavelmente apanhado. Eu cheguei 1º ao pé dele e fiquei por ali a fazer um pouco de companhia. Em situação normal não é muito fácil chegar perto do Bernardino de modo que é sempre um prazer ir na sua companhia. Como ele não estava bem não pressionei e segui ao meu ritmo. Sentia-me agora muito bem e aumentei o ritmo para tentar apanhar novamente o Manuel Faísca e o Zé. Mas já não era possível apanhá-los antes da meta. 

Quando vejo o cronómetro da meta a marcar 1h43m até pensava que estava a ver mal. Acelerei que nem um doido para ficar no minuto 43 e assim foi. 



Quase que atropelava o Orlando mas valeu a pena. Tirei 7 minutos ao tempo de 2010. Foi obra. Sofrida, mas foi obra. No fim água à descrição, um belo saquinho de prendas com uma mochila, um livro de caricaturas do Expresso, batatas fritas Titi!, bolinhos, e muita melancia. Coisas que dificilmente se vêem nas provas supostamente "melhores". Mas são estas pequenas coisas que nos fazem sentir bem e com vontade de voltar.

As marcações estavam um mimo com os kms a baterem ao centimetro com o meu GPS e os abastecimentos assinalados 100m antes.O Fernando feliz com tudo a correr pelo melhor.

Só campeóes!
Foi esperar pelo resto do pessoal que chegou rapidamente, meter no carro e voltar para casa. E assim se fez uma meia maratona num final de tarde de Sábado. Sem talões, complicações e outras parvoíces do género.

Parabéns a toda a organização.

4 de Setembro - Corrida do Avante




O plano de treinos para este fim de semana tinha um treino longo de 32Km. Ora 15 da véspera mais 11 desta davam apenas 26. E corridos com uma noite de descanso pelo meio, não era a mesma coisa. Definitivamente! Por isso ainda fui ao facebook convidar pessoal para ir à corrida do Avante e voltar, a partir da Charneca! Isto daria cerca de 30Km.  Era um bocado maluquice, com o Trail Nocturno das Lebres na véspera, mas sonhar não custa. O Vitor ainda respondeu ao meu apelo e combinámos falar no Tail Nocturno sobre o ir e vir ao Avante.

Com a queda e o empeno do Trail Nocturno que acabou por ser um pouco mais desgastante do que estava à espera, adiei definitivamente a ideia de ir e vir a correr. Mas deixei em aberto a ideia de vir! Como ia de boleia com o Luis era perfeitamente possível, se me estivesse a sentir bem no final da corrida voltar para casa a correr. O ir é que me estava a preocupar. Teria de sair de casa ainda mais cedo, ia descansar ainda menos. Nah! Volto a correr se correr tudo bem durante a prova.

Lá chegados e depois de termos levado com a embirração de uma sra. Polícia que infelizmente são por vezes mais embirrantes e prepotentes que os equivalentes masculinos, lá nos dirigimos para a partida da prova. Este ano um pouco mais atrás, a partida era da zona do lago. O percurso também seria diferente. Em vez de subirmos ás Paivas e não chegarmos ao Seixal, desta vez iríamos sempre junto à baía do Seixal e iríamos até depois da vila dar a volta na rotunda.

Com a ideia de ter de voltar para casa a correr na ideia, tive de fazer uma prova bem contida. Ainda assim passei pelo meu irmão e pelo Parro que seguia ao ritmo da sua atleta. Força companheira!

Onde está o Wally?

A prova não teve mais história para mim. Saí da estrada e vim sempre pelo passeio junto à água. Indiferente à corrida em si apreciei o bom trabalho que a Câmara do Seixal tem feito ali. É um belo sítio para umas corridinhas e passeios. Já se vem até depois da Rotunda sempre junto ao Tejo. Muito bom. Depois voltei á estrada para os últimos 2Km onde apanhei o João Cunha que já vinha em dificuldades e com alguém a ameaçar que lhe ia fazer a folha. Puxei por ele até à meta e ninguém lhe fez nenhuma folha. No final a “bela” t-shirt que me iria dar muito jeito na viagem de volta como toalha. Ainda houve tempo para estar um pouco à conversa com o Orlando e ala que se faz tarde.



O corpo estava um pouco empenado e com o dia de sol que estava não ia ser pera doce. A t-shirt oferta já estava a servir para limpar o suor. Afinal não ia ser um empecilho para transportar mas sim uma útil toalha. Depois de retomar a marcha era preciso subir até à Quinta da Princesa. Superada essa parte foi rolar até Corroios. Às tantas passa o Nobre de carro a desafiar para ir beber umas jolas. Bandido! Antes de chegar à zona de Corroios desfruto de uma fresca zona de pinhal, sombra… um luxo.

Depois atravessei a N10 para a zona de S. Marta de Corroios, andei a patinar um bocado para encontrar o trilho certo para passar para Vale Milhaços. Chegado ao alto de Vale Milhaços faltava apenas o bem conhecido percurso até casa. Estava muito calor e os estimados 9Km transformaram-se em 12 Km no terreno. Acabei por fazer quase 24Km. A juntar aos 15 feitos na noite anterior acabou por ser um bom fim de semana. Não houve um treino longo mas dei-lhe bem.

3 de Setembro - Trail Nocturno das Lebres do Sado




Depois de uma semana de treinos aproximava-se um fim de semana exigente. Estava a planear 2 provas. Uma nocturna no Sábado e umas horas depois a corrida da festa do Avante.

Sendo assim Sábado ao final da tarde lá arrancámos para Palmela. Juntamente com o Luís o plano era deixar as famílias na Feira das Vindimas enquanto íamos fazer os 15Km do Trail Nocturno. Estava curioso de conhecer este trail. Embora a Dina tivesse garantido que o percurso era simpático sem grandes dificuldades… nunca fiando no Paulo Mota…. 
Bela moldura de amigos, embora com o escuro não fosse fácil reconhecer toda a gente lá nos íamos identificando. Muita gente conhecida ocorreu à chamada nocturna das Lebres. Estava montado o arraial para uma bela noite de convívio.

Vamos a ele que se faz tarde
O percurso é muito interessante. Piso sem grandes dificuldades na 1ª parte do percurso. Grandes estradões de terra batida. Descidas pronunciadas a fazer adivinhar o oposto…. que obviamente surgiu. Em trilhos mais apertados e pelo meio de muitas árvores lá iniciámos a subida. E que bela subida. E subimos até podermos desfrutar de uma magnífica vista nocturna de Setúbal e do estuário do Sado com Tróia a reluzir ao longe.

Nessa zona não se podia ver a vista com muita atenção porque seguíamos num trilho estreito mesmo à beirinha do monte.

Cabeça de pirilampo
Desde o reabastecimento que o meu companheiro Álvaro se tinha colado a mim. Seguíamos juntos à conversa e numa zona de subida com muita pedra semi enterrada, quando devia ir com mais atenção ao chão do que à conversa, prendi o pé numa pedra e a queda foi inevitável. Por sorte enrolei e rebolei sobre o braço, pelo que além de um braço dorido e uns arranhões num joelho não ficaram outras marcas físicas. Refeito da pancada e avaliado no local se não havia nada de mais grave à vista, seguimos a correr.
A magnífica vista da baía de Setúbal

Para recordar a escalada de 300 metros quase na vertical que tivemos de fazer monte acima. No alto o Paulo Mota gozava o prato e perguntava se estava tudo bem marcado. E estava sim senhor. As marcações reflectoras que usaram eram excelentes e nunca tivemos dúvidas quando ao caminho a seguir.

No final uma mesa cheia de coisas boas para repor os níveis. Um resto dos figos excelentes, que já tinham sido oferecidos no abastecimento a meio do percurso, melancia e muito mais. Consegui tomar um banho de mangueira que soube muito bem, dado que a fila para o balneário era grande demais.

À nossa espera estava ainda um belo caldo verde, pão com chouriço e bebidas. Enquanto comíamos decorreu a cerimónia de entrega dos prémios. Tudo feito de forma eficaz. Para mim não foi novidade porque já conheço a dedicação, o nível e a qualidade que as Lebres do Sado têm nas suas provas. É sempre um enorme prazer participar em qualquer evento organizado por eles. Foi excelente este 1º Trail Nocturno. Espero que as Lebres também tenham achado o mesmo porque eu quero ir a mais, no mínimo para o ano ao 2º. Claro que antes disso nos vamos encontrar para o Grande Prémio da Arrábida, algures em Novembro.

Infelizmente tínhamos as famílias na feira e não pudemos ficar para mais convívio no final, por isso às tantas tivemos de sair de fininho. Foi só subir para Palmela apanhar a família na rotunda e regressar ao lar. Sem desvios porque no dia a seguir os camaradas esperavam por nós no Avante para mais 11Km.

Obrigado Lebres. Até já.

29 de Agosto - 16º Treino Lunar




Isto tem andado fraco. Felizmente são só os dedos é que andam na balda. Talvez porque as pernas andem a trabalhar demais... O que é um facto é que o tempo não chega para tudo e nem sempre se consegue manter a escrita em dia.

A quantidade de eventos também não dá descanso e entre 2 Treinos Lunares foram mais 3 corridas que já estão em falta. Por isso sem mais demoras vou tentar pôr o blog em dia. Até porque o alemão não ajuda nada nestas coisas e se nos atrasamos muito o tempo encarrega-se de fazer esquecer pormenores importantes.

Lindo efeito que o pôr do sol proporcionou

Depois de uns Trilhos de Monsanto que são sempre exigentes a nível muscular, com aquelas subidas e descidas bem fortes, o pessoal queria uma coisa light. O vento moderado de Norte fazia antever alguma dificuldade no regresso, nada de especial ou diferente. Afinal a nortada ali na Costa sopra aí 95% do ano ou mais. Mas já no ultimo treino lunar o pessoal tinha ido para o lado contrário e como estive ausente e não fui, acedi à alteração.  Vamos para o outro lado então.




Alguns companheiros novos juntaram-se a nós e lá fomos pontão fora em direcção à Trafaria. A ideia era fazermos apenas 1h, 30 minutos para cada lado.  Depois do pontão vamos apanhar a estrada que vai para S. João, sempre pela ciclovia que vai até à Trafaria. Não chegámos até á Trafaria porque 30 minutos não dá tempo para isso, mas fomos até á rotunda anterior já em plena descida para a Trafaria. No regresso já tudo quentinho o pelotão partiu-se em vários ritmos com todos a darem largas à sua vontade de acelerar.

No final ficou um bom treino, feito em crescendo e para variar soube bem ir para o outro lado.

Se já não éramos muitos, com o habitual pessoal que depois não fica para petiscar acabámos por ser poucos para o petisco. Claro que nestas coisas só faz falta quem lá está e poucos ou muitos soube que nem ginjas o bacalhau com broa da Leonor, as merendinhas que levámos, os bolinhos que a Mónica fez em segredo e mais uma série de outras coisas boas que sempre estão presentes. O belo tinto estava de volta e regou o repasto.

E assim se cumpriu a tradição lunar. Venha o próximo

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

28 de Agosto - Trilhos de Monsanto



Aqui está a emblemática foto dos Trilhos de Monsanto. A subirmos ao viaduto que permite atravessar a radial de Benfica e que nos deixa prontos para escalar Monsanto.


Gosto muito desta prova que tem tanto de duro como de belo. Monsanto é uma dádiva que sobreviveu a Lisboa. É uma sorte que poucos lisboetas aproveitam, ter uma serra tão bem arborizada à mão de semear. E por estar aqui tão perto não falho esta prova. É o regresso à corrida após o Verão. E ao contrário do que muita gente me diz não acho uma prova muito dura. A dureza resulta do esforço que empregarmos. Se não quiserem esforçar-se demasiado corram apenas nas descidas e subam a passo as subidas. Não é nenhuma vergonha ir a passo. É um trail, não é uma prova de estrada.


Este ano ainda a tentar recuperar um peso mais decente, digamos assim, tentei não me exceder no esforço para fazer uma prova o mais aeróbica possível e assim queimar gordura. Nem as subidas de Monsanto me permitiam outra atitude com o peso que tenho.


Fiz parte da prova com o Parro que passava por mim nas subidas, enquanto o apanhava nas descidas prego a fundo. Sai da frente Guedes! Não sei o que me deu mas estava enloquecido nas descidas. Normalmente não gosto de descer muito depressa. Ou me doem os joelhos ou os dedos dos pés. Mas desta vez só me apetecia acelerar a fundo nas descidas e foi o que fiz.

Para o ano lá estarei de novo dado que nesta altura não há concorrência de outras provas.