O trail, os voos low cost e uma das ilhas mais bonitas do mundo

São Miguel é uma das 9 ilhas que constituem o arquipélago dos Açores. Esta parte quase toda a gente sabe. O que muito poucos sabem é que S. Miguel é também uma das ilhas mais bonitas e variadas do arquipélago. Há cerca de 30 anos S. Miguel fez parte da minha vida durante quase 1 ano. A sua beleza é inesquecível e é com grande alegria que vejo que o Trail começa a tomar conta de um dos locais do país mais apropriados para a sua prática. 

Foram precisas décadas para que os voos low cost aproximassem as ilhas do resto do país. Primeiro a Madeira e finalmente os Açores. Com os voos a começarem nos 29€ vai ser possível ir aos Açores fazer uns trilhos como quem vai ao Norte, ou pouco mais. 

E é isso que vamos fazer um destes fins de semana. Vamos fazer um Azores Trail Camp. Tal como todos os outros Trail Camps, vamos juntar os amigos e desfrutar de uns trilhos num dos mais belos recantos do nosso país. A unica diferença é que vamos apanhar um avião e vamos até São Miguel. Vai ser inesquecível, isso é certo.

Mas enquanto isso não acontece deixo-vos um resumo de uma das provas que podem desde já pôr no vosso calendário enquanto conhecem esta surpreendente ilha.

O Eco Trail Run Azores – Ribeira Grande, pretende ser o primeiro de muitos eventos que esta organização está a preparar para dar a conhecer alguns dos locais mais emblemáticos da ilha de São Miguel. Marcado para o dia 21 de Junho a corrida irá abranger o concelho da Ribeira Grande na costa norte. Prometidas estão passagens por moinhos de água, praias, ribeiras fundas, cascatas e plantações de chá, únicas na Europa. Estão planeadas 2 partidas em linha, a principal de 33kms (desnível positivo 1300m) e os 10kms. O final será na cidade da Ribeira Grande que comemora nesta altura as suas festas. Os ultramaratonistas convidados, João Colaço e Estér Alves, estão já confirmados e irão dar a conhecer o que é ser ultra no Trail Run. No sítio oficial da prova poderão encontrar todas as informações e fazer a inscrição na prova. Visitem http://ecotrailrunazores.wix.com/ecotrailrunazores-rg. Aceita o desafio da natureza.

Com o João Colaço e a Ester Alves como convidados de honra não há que enganar. Esta é seguramente uma prova de excepção num local fantástico. Infelizmente a minha agenda para este ano e concretamente nesta altura em especial, está já demasiado sobrecarregada porque este é um evento imperdível. Se forem fico à espera de saber a vossa opinião. Não faltem.

1º Trail Cidade de Estremoz - Nasceu mais um trail no Alentejo



A Serra d’Ossa faz parte do meu imaginário. Mas só mesmo do meu imaginário, porque era demasiado pequeno para ter recordações, pelo menos com algum detalhe. Afinal que recordações se guardam de uma serra quando se tem 2 ou 3 anos? Pouco mais que o nome e já não é nada mau.

Já de Estremoz a coisa é diferente. Tenho muitas recordações de Estremoz. Saí de lá com 4 anos mas regressei vezes sem conta e mantive vivas muitas das memórias. O incontornável Aguias d’Ouro, o Gadanha, o Rossio e tantos outros. Com o passar dos anos as referências também se foram adaptando, a Adega do Isaías, o São Rosas, etc.

Portanto quando vi aparecer mais esta prova no Alentejo, pois tá claro que não podia falhar. Mesmo sendo no fim de semana seguinte aos 111 Km do Sicó. Qualquer coisa se havia de arranjar. Seria obviamente feita em ritmo mais reduzido, até como recuperação do fim de semana anterior. Levar a câmera para fazer um filme fazia parte do plano e iria ajudar a reduzir o ritmo. Se desse para gravar algo de jeito e ajudar os compatriotas a divulgar o seu trabalho tanto melhor.

Não vos vou aborrecer com mais palavras porque se uma fotografia vale por mil palavras um vídeo vale por quantas? 10 mil? No mínimo vá.

Para os meus leitores do blog e porque é o que fica para a posteridade (e não um post do facebook que desaparece soterrado em milhares de outros posts ao fim de umas horas) fiz uma versão melhorada do vídeo, com estabilização de imagem e alguma melhoria de qualidade e de cores. Se já viram voltem a ver. Se pretendem divulgar usem este vídeo. Em breve vou apagar o anterior. Para a semana vou também carregar no Vimeo que consegue ter uma melhor qualidade de reprodução que o Youtube (mas que me limita a 1 carregamento HD por semana na versão básica, para tugas tesos que só querem brincar um pouco)

Vejam o vídeo, são apenas 3 minutos. Prometo que se virem mesmo até ao final vão ficar com um sorriso nos lábios, que foi o que nos aconteceu dia 8 de Março, um belo Domingo de Inverno que mais parecia de Primavera.


Uma prova que tem tudo para ser um sucesso. A pouco mais de 1 hora de Lisboa, com excelente acessibilidade, estacionamento fácil, percurso agradável com dificuldade quanto baste, bem marcada, com uma organização simpática e que muito trabalhou para que tudo corresse bem. 

Gostei muito de rever a minha terra, e do nosso ponto de vista tudo decorreu de forma exemplar. No pós prova continuaram as boas surpresas com excelentes instalações para o banho e ainda melhor almoço servido no Regimento de Cavalaria Nº 3. Como Oficial de Transmissões na reserva é sempre um orgulho ver as instituições militares empenhadas em apoiarem o desenvolvimento da sociedade civil. Bem hajam pela vossa atitude camaradas. 

Está de parabéns o Clube de Orientação do Alto Alentejo por ter organizado um evento deste calibre logo à primeira. Grandes apoios que conseguiram. É sempre um prazer ver tantas entidades a apoiarem estas iniciativas que levam centenas de pessoas a conhecer o interior do país.

Espero que prossigam com este evento e que para o ano nos levem até à Serra d'Ossa, mesmo que não seja de autocarro a gente vai a correr :)

Também tem de haver um almoço daquele calibre, com rissóis e queijinhos. Muito bom. Não vou dizer nomes para não parecer mal, mas ainda este fim de semana num almoço de uma prova de Trail me cobraram 50 centimos por um copo de vinho extra (10 ou 15cl.... de zurrapa de 1€/litro) Sinceramente não havia necessidade.... Enfim, parvoíces.

Parabéns a todos os que se envolveram, participaram e trabalharam para nos proporcionar um dia tão agradável.

Voltarei!

Fenix 3 - Espremendo o melhor relógio GPS de sempre

Fenix 3 Safira

Este texto é apenas uma antevisão do que podem esperar do Fenix 3. Não tenho um Fenix 3 e provavelmente não irei ter. Se calhar vou esperar pelo próximo :)

Vou apenas deixar-vos com o que já sei e o que fiquei a saber depois de ler a review do DC Rainmker que podem consultar diretamente no seu site seguindo este link.

Começando pelo fim, o Fenix 3 é o melhor relógio com GPS de sempre e deixa a concorrência a fumegar de raiva sendo que só um fan boy vai conseguir dizer que o dele é melhor? Sim, sem qualquer duvida. É o relógio perfeito e nunca mais vou ter de me preocupar em comprar outro? Obviamente que não.

Como já perceberam até a malta dos relógios com GPS entrou num ciclo de obsolescência que se encarrega de, anualmente, nos provar que devíamos ter esperado mais um ano para comprar o melhor relógio de sempre.

O Fenix 3 é uma evolução natural do Fenix 2. Por um lado traz muito pouca coisa de novo. Por outro lado o pouco que traz de novo tem um imenso bom aspeto, ou são pequenas grandes alterações. Fica complicada a tarefa de justificar o upgrade do Fenix 2. Por um lado não acrescenta nada, até retira, mas por outro quase que justifica....

Vejamos em detalhe o que se ganha e o que se perde do Fenix 2 para esta nova encarnação:


Beleza 

Um look novo, mais limpo, mais clássico. Nunca um relógio com GPS se aproximou tanto de um relógio convencional. Se optarem pela versão Safira ficam com a carteira mais leve mas ganham um vidro mais resistente e uma pulseira de aço. O peso que vos saiu da carteira vai direto para o vosso pulso já que o relógio pesa o dobro com a pulseira de aço. Vem com uma pulseira de borracha para usarem a de aço só na cerimónia de prémios da ATRP já que não me parece bem correr com a pulseira de metal. O écran de horas que simula os ponteiros é uma gracinha!
É 1mm mais fino que o Fenix 2. É pouco e mesmo sem ter visto nenhum digo-vos que é um belo de um cachucho, mas para quem já está habituado pouca diferença faz.

Écran 

A cores e com uma maior legibilidade, um ponto em que o Fenix 2 não é muito forte com o seu écran invertido. Aqui só falta mesmo ser touch, algo que o Garmin Epix vai trazer dentro de 1 mês.

Precisão 

O Fenix 3 é capaz de receber sinais GPS também da rede de satélites GPS russos GLONASS. Consome um pouco mais de bateria mas poderá ter uma precisão maior.

Autonomia 

Nalguns sítios diz que faz 16 horas de GPS, noutros diz que faz 20. Parece que no mundo real faz pouco mais de 18. Ainda assim um valor superior ao Fenix 2. Isto sem ligar o modo UltraTrac onde pode ir até às 50h desligando o GPS a cada minuto, mas que para quem corre não tem grande interesse pois fica com um erro de distância muito grande.

Wifi e BT Smart 

Tem Wifi, Bluetooth e Ant+. Aqui há algumas vantagens para o Fenix 2. O Wifi permite-lhe enviar os treinos automaticamente mal chegam a casa. O Fenix 2 também o fazia mas através de um telefone com Bluetooth Smart (telefones de ultima geração apenas). A implementação do Bluetooth Smart também melhorou muito. É agora possível usar o Ant+ e o BT Smart em simultâneo para além de que terem o Bluetooth sempre ligado já não vai ter um impacto gigante na autonomia. No Fenix 2 se tivessem o BT sempre ligado mal faziam 2 dias com uma carga. Pequenas melhorias que nada têm a ver com o treino, mas que vão permitir usar as funcionalidade gadget do relógio de forma muito mais eficaz.

Connect IQ 

Vâo poder descarregar Faces, Campos de Dados, Widgets e Aplicações para o relógio. Não são formulas simples como o Ambit, que chama aplicações à manipulação de variáveis para mostrar novos campos não existentes. Aqui podem desenhar Faces novas (como o mostrador do relógio com as horas), Campos de Dados novos (aqui sim, à semelhança do Ambit) manipular informação em tempo real e mostrar como uma página adicional durante um treino, mas ainda assim com capacidade limitada apenas pela vossa imaginação, ou então desenvolver uma Aplicação ou um Widget com tudo o que quiserem. Por exemplo um Widget que irá existir acede à net através do vosso telefone para vos mostrar informação detalhada do tempo.

Desenvolver aplicações é relativamente simples. A Garmin coloca tudo ao vosso dispôr de forma gratuita. Desde o SDK, uma linguagem nova, Monkey C, e podem usar o Eclipse.
Se gostam de programação sigam este link.

Estão prometidas várias aplicações e para já podem ver a SkyWatch que vos ajuda a localizar os astros no céu, uma espécie de Google Sky Maps. Vejam aqui.

Vejam o filme desta App que o Ray fez:



As aplicações podem por exemplo aceder ao telefone e controlar o leitor de MP3 a partir do relógio, podem aceder à net e descarregar todo o tipo de informação para o relógio, estão a ver a ideia. O céu é o limite.

Só esta parte torna ridículo o novo relógio da Apple... já era inútil mesmo antes de sair. Mas não me vou alongar para outros temas...

Claro que para usarem esta ligação ao vosso telefone precisam de ter um Iphone 5 ou superior ou um Android 4.3 ou superior com Bluetooth Smart (Galaxy S4 ou superior por exemplo)

Mapas e Navegação 

Aqui é que a Garmin torce o rabo ao Fenix 3. Podem descarregar um track e segui-lo, isso têm disponível. Mas todas as funcionalidades de mapas, waypoints e navegação que existem no Fenix 2 já não estão disponíveis no 3. Nem vão estar, Estão reservadas para o próximo Garmin que sair sair lá para Abril, o Epix.
No Fenix 2, para além do track podem ter um mapa com todas as estradas, trilhos, localidades e pontos de interesse de uma região. Podem criar waypoints. O Fenix 2 é compatível com o Basecamp e podem descarregar todos os mapas do Basecamp. Se isto não vos interessa então não perdem nada. Senão é melhor esperarem. 



Em falta 

Em falta crónica continua ainda a possibilidade de configurar os écrans de treino e todas os settings, que cada vez são mais, sem ser no relógio. Na App do telefone, ou no site, em qualquer outro sítio que não fosse através do interface do relógio. Aqui a Garmin continua em falta, Ficamos a aguardar por este pequeno passo para a Garmin, mas um passo de gigante para o desgraçado do utilizador.

Conclusão

E pronto basicamente é isto que podem esperar do Fenix 3. Como vêem não é fácil justificar o upgrade de 450€ (sem HRM) ou de 500€ (com HRM) ou de 550€ ou 600€ nas versões Safira. Até porque não há nada aqui que vá melhorar 1 milimetro o vosso treino, pelo contrário, até perdem os mapas da Garmin e podem ficar perdidos na serra :) 
Agora se ainda não têm um relógio com GPS decente e se querem ter o melhor relógio de sempre, pelo menos até ao fim deste ano (pró ano há mais) então é impossível passar ao lado deste Fenix 3.

Gel Energético - DIY


Depois de fazer as minhas próprias barras endurance, só faltava mesmo fazer o meu próprio gel. Faltava. Agora já está. 

Esta era uma ideia que já estava na calha há algum tempo. Desde que testei com sucesso levar o gel numa garrafa em vez de nos pacotes originais, na Trans Gran Canaria, passei a usar esse método nas ultras, Normalmente em provas mais pequenas fico-me pelos abastecimentos ou levo apenas um gel ou dois de reserva. 

Mesmo assim ainda era chato abrir e espremer uma data de pacotes de gel para dentro de uma garrafa, depois alguns não têm a consistência ideal, depois outros têm... que raio tem aquilo para ser tão espesso?!?! Epá o melhor é fazer o meu próprio gel e pelo menos sei que ingredientes tem. 

Como tudo na vida, começa-se por estudar um pouco o assunto. Li várias fontes, a que me agradou mais foi este artigo. Tudo bem explicadinho, exemplos comerciais, científico qb.

Com alguma dificuldade em encontrar alguns dos produtos, pelo menos a preços razoáveis, a opção foi usar como base a Maltodextrina. Nada de especial, quase todos os géis usam este hidrato de carbono. Não tem grande sabor nem é muito doce, mas é uma bomba energética. Ainda sem conhecer a oferta da Myprotein onde podem comprar 1Kg por 5€ deu-me algum trabalho a encontrar a Malto a um preço decente. Da próxima já sei onde ir.
Depois é só pegar nos tachos. É extremamente simples. Começa-se por dissolver a Maltodextrina em água quente. 1 taça de Maltodextrina para 1/3 de taça de água. Podem aumentar a concentração. Com tempo a água absorve toda a Maltodextrina que lá colocarem dentro. Não vale a pena exagerar. Esta concentração é suficiente.


Às tantas a coisa começa a ficar tipo caramelo, não deixem espessar muito. 


Depois optei por mel, mas não um mel qualquer, mel de cana, mas não precisam de ir fazer o MIUT, foi só mesmo porque andava aqui em casa a rodar. Tem um sabor muito forte e resistiu à marabunta este tempo todo.



A quantidade foi 1/3 da Maltodextrina. Já percebem de onde veio a cor da coisa. Por fim os pozinhos de perlim pim pim, mas nada de grandes invenções, tudo coisas que já usei e comprovei. Uma dose de electrólitos, e 3 comprimidos de guaraná (cada comprimido tem a caféina de 2 cafés)

Por fim misturar tudo mais um pouco em lume brando e diluir até obter a espessura desejada com um sumo de qualquer coisa (usei um sumo compal de frutos vermelhos)


Et voilá! 400ml de gel único no mundo.


Faltava testar pois então. O sabor estava algo forte por causa do mel de cana, mas o sal dos electrólitos reduziu em muito o doce e não estava nada enjoativo. Até as minhas assistente aprovaram o sabor. "Melhor que o aspecto", considerei um elogio.

Pode parecer uma mistela sem nexo mas não é. Usei só produtos de confiança, já testados por mim noutras situações, portanto não tive qualquer receio de testar a sua eficácia na Utra Sicó 111Km. 

E passou no teste. Da próxima vez não vou usar mel de cana pois fica demasiado forte para usar em prova. Mas ainda assim bebi metade da garrafa o equivalente a cerca de 5 géis comerciais. Não precisei de usar o papel higiênico que levava e ainda me fartei de beber imperiais, leitão e muitas outras iguarias. 

Se gostam de meter a mão nos tachos e saber as coisas que comem, recomendo que experimentem fazer o vosso gel. Por meia duzia de trocos fabricam gel para uma ultra com os vossos ingredientes preferidos. Só não recomendo fazerem como eu fiz e irem para uma prova testar a coisa. A não ser que confiem plenamente no vosso estômago.

Se alguém quiser arriscar ainda me sobrou meia garrafinha :)

Barras Endurance DIY


Dia de arregaçar as mangas e meter as mãos na aveia.

Com a dica da Filipa Vicente e uma receita do surpreendente blog Master Musculos foi dia de confeccionar estas barras super simples de fazer em casa e que ficam quase de graça. Em termos nutricionais são excelentes e melhor que tudo são 100% naturais. Ainda podem usar a vossa imaginação e adicionar mais alguns componentes que gostem, tipo frutos secos, um pouco de mel, etc. 

A base é banana, aveia e coco.

Adaptei um pouco a receita original em termos de quantidades.

3 bananas
200g aveia
1,5 colheres de sopa de óleo de côco
1,5 colheres de sopa de farinha de côco
Uma colher de café de sal


Usei a mistura de aveia que como ao pequeno almoço que contem 90% de aveia com algumas passas e outas sementes e frutos secos. A farinha de côco terão de procurar nas lojas de produtos naturais ou respectivas secções dos hiper mercados. O óleo de côco está coalhado à temperatura ambiente e vão ter de aquecer em banho maria para usar.

Mais simples que isto não há: esmagar as bananas, misturar tudo até ficar uma pasta espessa, levar ao forno a 150º durante 20 a 30 minutos. O objectivo do forno é apenas secar a mistura e não cozinhar ou cozer. Deixar arrefecer bem, cortar e usar. Esta receita dá cerca de 12 barras. Se pretenderem um pouco menos reduzam as quantidades de forma proporcional.
Em termos de sabor sabem surpreendentemente a babana e aveia, quem diria. Se gostarem de coisas mais doces ponham um pouco de mel, geleia, pepitas de chocolate, etc. De resto usem a vossa imaginação.


Digam como correu e sugiram melhorias e alterações. Bons treinos sem fome!

Hand2Hand - Preparação completa da cabeça aos pés


O fenómeno da corrida está em crescimento constante e hoje em dia muitos calçam as sapatilhas a pensar já na primeira maratona (ou pior). Quando correr já não é só correr, ou quando sentimos que precisamos de ajuda para progredir e evoluir, a resposta pode estar em profissionais credenciados e não apenas no bom senso dos companheiros de treinos.

Apresento-vos a Hand2Hand.

O que é a Hand2Hand?

Além das múltiplas equipas amadoras que dão cor às nossas provas e vão inspirando sedentários a sair do sofá, temos uma panóplia de serviços especializados para melhorar a sua performance no alcatrão. A Hand2Hand nasceu para marcar a diferença. Somos uma equipa de profissionais especializados na preparação física e treino de corrida e triatlo para atletas de lazer, amadores e de elite nas mais variadas distâncias. 

Quem é a Hand2Hand? 

Antônio Nascimento – Treinador de corrida e triatlo, Personal trainer
Meire Cezário de Oliveira – Fisioterapeuta, Personal trainer e Treino funcional 
Luís Pinto – Treino de corrida e treino funcional 
Sandra Teixeira – Treino de corrida e treino funcional 
Carla Tavares – Treino de corrida e treino funcional 
Filipa Vicente – Nutricionista 

Qual é o vosso objectivo?

Oferecer um serviço especializado e completo na preparação física do atleta para o seu objetivo, promovendo a melhoria da saúde e da qualidade de vida. 

Em que consiste o vosso trabalho?

Os nossos atletas H2H Club beneficiam de um trabalho completo e especializado:
  • Plano de treinos de acordo com o objetivo 
  • Treinos em grupo de corrida 
  • Treino funcional especialmente direcionado para corrida e triatlo com orientação
  • Sessão semanal de alongamento e trabalho de flexibilidade 
  • Aconselhamento para a definição de objetivos e provas 
  • Avaliação antropométrica e dos hábitos alimentares 
  • Aconselhamento alimentar e de suplementação desportiva personalizado 

Onde vos podem encontrar? 
Experimentem um treino no Academia Tejo Life Club em Santos, Lisboa. Contactem o António Nascimento, pelo mail antonionascimento@hand2hand.pt, e saibam onde, quando e o que podem esperar do treino. 

Bons treinos. Depois contem como correu.


Momentos Épicos - Finalmente o béstófe



Há muito tempo que faltava uma página neste blog que resumisse os melhores momentos. Não só os melhores momentos de toda a corrida que fiz, mas sobretudo os melhores momentos do que escrevi. 

É óbvio que uma coisa leva a outra. Uma grande prova dá-me muito mais alento para tentar escrever um bom artigo no blog. Mas não quer dizer que não tenha passado excelentes momentos que por uma ou outra razão não foram relatados no blog. Diria que o somatório dos pequenos momentos que ficaram de fora é muito superior aos poucos que consegui transcrever, mas desses não reza a história. Nada a fazer. Ficam para mim e para quem lá estava.

Esta seleção não tem portanto qualquer valor curricular. Não é um palmarés, não é um portfólio. É apenas uma forma de ajudar quem visita este blog a chegar ao good stuff!!! Isto partindo do princípio que quem aqui vem procura mesmo este material.
Ele sempre cá esteve. Há anos que cá está. Mas estava soterrado em camadas e camadas de tempo e posts. Agora espero que seja mais simples irem diretos ao assunto. 

Por outro lado, isto é apenas um exemplo do que podem encontrar por aqui, Usem a caixa de pesquisa no canto superior esquerdo se nesta página não está o que procuram. Com sorte, quem sabe. 

E fiquem atentos à página Momentos Épicos pois espero alimentá-la com a regularidade possível.

E agora sigam viagem. A página está na barra superior ao lado da pasta Início.

Boa leitura e boas corridas!

Suunto Ambit 3 - Parte 2

Parte 2? Então não leram a Parte 1? Pfff! Felizmente se clicarem neste link ainda vão a tempo. E não tenham receio. No final está outro link que vos traz de volta. Impressionante! 
Quem é amigo?



E Ao fim de meia dúzia de treinos e de testes como se resume a experiência?


Não pretendia propriamente testar o Ambit 3 até à exaustão. Nem o Ambit precisava de tal teste. A Suunto tem evoluído muito bem o produto ao longo destes 2 anos e como imaginam, hoje em dia, qualquer relógio com GPS de 70€ é tecnologicamente perfeito. Que o digam todos aqueles que leram a minha análise ao fantástico A-rival Spoq e que esteve na origem do sucesso deste relógio em Portugal, seguramente com muitas e muitas centenas de unidades vendidas. Para uma marca sem qualquer representação em Portugal, sem estrutura de vendas, sem suporte técnico, o sucesso do Spoq só pode ser um case study! 

Portanto a minha análise irá focar-se no que diferencia o Ambit 3 da concorrência e não no que a concorrência já consegue fazer da mesma forma (e bastante mais em conta, também).

Cristina, não vais levar a mal...

...mas beleza é fundamental! Se não for para treinar ou para levar para o meio do mato, pelo menos para usar no dia a dia. E este Ambit 3 nesta versão light, digamos assim, é absolutamente um relógio do dia a dia. Com um aspecto clean, não muito agressivo, discreto qb e com excelente acabamento. Aqui está uma característica que não vão encontrar no A-rival Spoq por exemplo. O patinho feio low cost também aguenta 1 semana em modo de relógio mas ninguém no seu perfeito juízo vai andar com aquele electrodoméstico no pulso no dia a dia. Não se ofendam fãs do Spoq, já tive um durante imenso tempo, sei bem do que falo. E não o vendi por ser feiozito, coitadito. Apenas porque não permite, nem recolhe dados de natação.

Claro que, cada coisa no seu lugar, o Spoq nunca me incomodou por ser assim. Simplesmente usava-o nos locais apropriados e não era o meu relógio do dia a dia. O Ambit 3 Sport é. O Peak talvez já seja menos um pouco, devido ao peso e volume, está mais equiparado ao Fenix 2. Uso o meu Fenix 2 sem qualquer problema, mas se não for treinar nesse dia dispenso o peso extra no pulso. 

Concluindo, têm já aqui algo que o Ambit 3 Sport domina. A não ser que não gostem do design ficam bem servidos com um relógio quase convencional para usar em todas as ocasiões.

Moves 

Moves é o nome que a Suunto usa para as actividades. Tudo é um Move, uma corrida, uma braçadas na piscina, uma volta de bicla, etc. Deixo-vos aqui 2 ou 3 links de alguns dos moves que fiz. O site Movescount é o equivalente do Connect da Garmin. Embora não tenha mais informação técnica do que o Connect, por exemplo, acho que está mais bem conseguido. O grafismo está bem conseguido, o site é rápido e está pejado de icones e ligações que dão a sensação de um dinamismo muito superior. Embora a parte social do Movescount seja muito mais eficaz e integrada que o Connect, se espremermos bem o sumo da coisa, vai dar praticamente ao mesmo. No entanto o site é rápido e funcional. Depois de se aprender onde estão as coisas e qual a melhor forma de lá chegar é eficiente. O Connect é mais direto mas também é mais lento e parece mais despido. 

Se quiserem comparar o mesmo treino nos dois sites para analisarem o tipo de informação disponível cliquem nas imagens seguintes. Não vou dissertar muito acerca das potencialidades de cada um. Se a vossa onda é de facto esta então saberão melhor que ninguém o que precisam de obter e o que cada site vos consegue dar ou não.

            

E natação? A natação foi um dos motivos porque troquei o meu Arival Spoq por um Fenix 2. É um dos motivos para ter um Ambit 3 também. E aqui o Ambit 3 marca um ponto extra. O Ambit 3 traz um medidor de frequência cardíaca inovador que permite utilização debaixo de água. 
O problema com a água é que a tecnologia de envio dos dados para o relógio, quer seja Bluetooth quer seja Ant+, simplesmente não funciona debaixo de água. O sinal é demasiado fraco e se esta tecnologia é perfeita para as nossas corridas, na água a propagação não permite a comunicação cinta relógio. Ou pelo menos não permite uma comunicação permanente e estável.

Então a Suunto resolveu o problema criando uma cinta um pouco mais inteligente. Os dados da frequência cardíaca são armazenados na cinta e vão sendo enviados à medida que é possível estabelecer comunicação com o relógio. Seja porque o vosso pulso passou perto do leitor, seja porque descansaram um pouco, por exemplo.

E funciona, diria que muito bem. Não sei se será 100% fiável mas é bem melhor que não ter nada. No treino de comparação que fiz com os 2 relógios isso é desde logo evidente nas calorias estimadas. O Ambit seguramente a aproximar-se muito mais da realidade do que o Fenix que dá uma estimativa de calorias sabe-se lá com base no quê. No meu caso que sou um coxo a nadar seguramente que gastei bem mais do que as que o Fenix 2 diz que gastei.

E usar a cinta é prático na piscina? Não! É horrível. Esqueçam os saltos, claro. A cinta vai parar à cintura,,. e nas voltas o impulso com as pernas na parede...uooooouu lá vai ela. Claro que podem sempre apertar a coisa até mal conseguirem respirar e se calhar não se mexe, mas mesmo assim duvido. A nadar não tem qualquer influência. Talvez tire uns décimos de segundo aos puristas. 

Em águas livres este problema não se põe. Não há saltos nem paredes para dar voltas e provavelmente a cinta estará por baixo do fato.

Tal como no Fenix 2 o Ambit reconhece o estilo de natação que estiverem a fazer. Livre, bruços etc. Parece-me que o Ambit necessíta de aprendizagem do vosso estilo. Pelo menos o menu tem essas opções e creio que li algures que assim é. O Fenix 2 não tem sequer essas opções e parece-me que reconhece melhor os estilos. Desde logo no treino de comparação o Fenix 2 reconheceu bem mais piscinas em bruços do que o Ambit, o que vai de encontro ao que li. De qualquer modo não investiguei a fundo esta parte, mas mesmo que seja preciso ensiná-lo melhor isso não é questão.

Portanto na natação e excluindo os dados recolhidos que deixo novamente para análise dos interessados o Ambit marca pontos com a recolha de informação de frequência cardíaca debaixo de água.

Resta saber se a tecnologia de recolha da frequência cardíaca no pulso, usada pela TomTom nos seus relógios multisport é tão boa como a da Suunto. Resolvia-se o problema das cintas cardíacas a saltarem. Para além de que ir para a piscina com uma cinta no peito é no mínimo... estranho. Se alguém da TomTom estiver a ler isto e aceitar o desafio já sabe o que tem a fazer.

              



E mais coisas novas?

Um dos principais motivos para a Suunto lançar esta actualização prende-se com a conectividade com os smartphones. Uma área que a Garmin e outras estavam a começar a dominar e a Suunto estava a perder terreno. Se exceptuarmos a nova cinta cardíaca e a conectividade com o telefone, estamos praticamente perante um Ambit 2 essa é que é a realidade.

Para esta conectividade a Suunto assumiu a sua escolha quanto ao tipo de conectividade. Bluetooth. Para o bem e para o mal. Isto é capaz de não querer dizer muito para quase todos os clientes, mas para quem tem acessórios Ant+ este upgrade é uma impossibilidade. Também é verdade que quase ninguém com um Ambit 2 estaria muito interessado em actualizar para o 3, afinal só para ter uma cinta aquática e ligar ao smartphone... Mas esta jogada diz muito sobre a aposta de futuro da conectividade que a Suunto pretende.

A Garmin aposta num mix de Ant+ para sensores de acessórios e Bluetooth Smart para conexão ao telefone. Vamos ver para onde evolui o mercado.

Mas olhando para a conectividade o que nos oferece a Suunto?

Bom material de facto. Se forem os felizes possuidores de um iPhone com suporte Bluetooth Smart (acho que a partir do 4S) podem instalar a App da Suunto e conectarem-se ao relógio fazendo uma ponte entre o site Movescount e o Ambit 3. Poderão enviar os vossos treinos de imediato para o site, poderão consultar todos os vossos treinos que estão no site e, muito importante, poderão configurar o vosso relógio comodamente no telefone e depois actualizar o mesmo no final. Podem escolher os quadros que querem ver para cada desporto, que campos querem ver em cada quadro, etc.
Isto é de facto muito importante para o Ambit porque dantes era preciso ter o relógio ligado ao PC para configurar esta informação. Se estivessem longe de um PC com o software instalado e com acesso à net.... azarinho, tivessem pensado nisso a tempo.

Agora aumentou um pouco o leque de possibilidades. Basta terem um iPhone 4s ou superior :)

E Android perguntam vocês legitimamente? Pois... há que esperar. Está prometida uma App para Março. E a Suunto não costuma falhar. Portanto é só mais uns meses de espera.

De qualquer forma é excelente esta forma de configurar o relógio. A Garmin não usa esta abordagem e apenas no relógio é possível a configuração. É a forma à prova de tudo. Até a meio de uma prova sem telefone podem alterar a configuração, mas infelizmente é a mais complexa e frustrante nalguns casos. O ideal era a Garmin que já permite configurar no relógio e já tem uma App até para Android, permitir também fazer a configuração do mesmo na App. Enfim, nada é perfeito!

Deixo-vos com alguns écrans da App para iPhone:

Configuração do Ambit 3


Resumo de Moves

Detalhe de um treino de corrida


Detalhe de um treino de natação



Não encontrei forma de aceder a percursos e de enviar percursos para o relógio mas provavelmente não estive tempo suficiente com o iPhone, porque não tenho um iPhone e não deu para explorar a fundo a App. Mas do que vi gostei bastante da App. Sá falta mesmo sair para o Android.

Quanto à conectividade e por não ter um iPhone não me foi possível fazer grandes testes dos restantes aspectos mas deverá ser muito identica à do Fenix 2. A partir do momento em que o relógio está emparelhado com o telefone e se tiverem o Bluetooth ligado, vão poder receber no relógio as notificações que chegam ao telefone. Chamadas a chegar, mails e SMS's, chamadas perdidas, enfim, tudo o que acontece no vosso telefone é mostrado no écran do relógio. No caso de SMS's, mails e até notificações do Facebook, podem ler o detalhe no relógio. Claro que a seguir têm de pegar no telefone para responderem. Interessante embora o preço a pagar seja a autonomia do relógio a esvair-se rapidamente. Esqueçam a cena de andarem 1 semana com o relógio a treinar sem carregar. Enfim, mais uma coisa para carregar com frequência.

Ou então usam de facto quando dá mesmo jeito, por exemplo numa prova em que levem o telefone na mochila, aí sim, podem ver quem vos está a ligar ou se aquele SMS que chegou interessa. Aqui sim verdadeiramente útil.

Em resumo

E porque não vos quero maçar mais, devem ter que ir às compras ou fazer azevias, deixo-vos meia dúzia de bons e maus motivos para comprarem ou não o Ambit 3 Sport.

Bons motivos

- Bom aspecto e um bom companheiro para o dia a dia, haja ou não treino. Look bonito embora talvez um pouco aborrecido ao fim de uns tempos

 - Fiável e confiável na linha do anterior Ambit 2

- Excelente App que permite configurar totalmente o vosso Ambit 3

- Ainda não têm nenhum relógio com GPS ou têm e não estão satisfeitos com ele e acham razoável gastar 350-400€ (sem e com cinta de FC) para terem um bom relógio

- Mais fino e mais leve que o irmão Peak embora com menos autonomia, Eiii! Nem todos os malucos vão correr dias inteiros para a montanha

Maus motivos

- Por enquanto precisam de um iPhone 4S ou superior para usar a App, de resto só podem configurar o relógio se estiverem com ele ligado ao PC e tiverem acesso à net. A configuração é feita através do site movescout,com

 - O preço. Reconhecendo a qualidade dos materiais, ainda assim é demasiado caro. São todos, isto não é um defeito só da Suunto. Fica de fora o fabuloso Arival Spoq, o amigo dos tugas tesos

 - Já têm um Ambit 2 e não sentem falta de ligar o telefone ao relógio nem precisam de saber a vossa FC debaixo de água. Deixem-se estar e comprem antes umas meias para o Natal

- Precisam de estar dias inteiros a correr em montanhas então é melhor analisarem o irmão Peak e as coisas complicam-se porque terão também de ver o Fenix 2


 Conclusão final

Este Ambit 3 é na realidade uma excelente opção. Vou agora abstrair-me do preço e pensar que se leram tudo até aqui, também já se abstraíram disso e estão mesmo interessados no relógio.
A realidade é que não há no mercado concorrência com este Ambit 3 Sport, a não ser talvez o próprio Ambit 2 que até está mais barato. A Garmin só tem nesta linha o Fenix 2 mas que está muitos furos acima deste e nem sequer é o mesmo segmento. Este seria concorrente de um Fenix 2 light que não existe. Tudo o resto não está neste segmento.
Bonito, uso diário, boa qualidade de construção. É claro que o mercado está continuamente a mudar. Está aí o Polar V800 também carregadinho de extras e quase a chegar o Garmin 920XT para assumir a liderança de novo, mas com um design que é complicado de assumir no dia a dia, pelo menos com alguns estilos de roupa.

Por isso é simples, só têm de pesar todas as opções e verem se o Ambit 3 Sport é a vossa opção. Se fôr avancem pois seguramente vão ficar satisfeitos com a vossa escolha.


Agradecimentos finais à Amersports que me disponibilizou o Suunto Ambit 3 Sport para suportar esta análise. 

Maratona do Porto 2014 - Celebrando a melhor e maior Maratona de Portugal



Com a desculpa de ter feito a minha melhor maratona aproveito para escrever um pouco sobre este ritual que é a Maratona do Porto.

A Maratona do Porto não é igual a nenhuma outra Maratona. Desde logo porque envolve ir ao Porto e muito por culpa da organização essa viagem não é como nenhuma outra viagem.

A Maratona do Porto é como um cabaz de Natal cheio de iguarias. Tem 42 195m como todas as outras, é um facto, mas tem muito mais coisas que só existem aqui. No dia em que faltar uma delas se calhar a Maratona do Porto passa a ser como qualquer outra Maratona e depois olha, se calhar vai-se, ou talvez não. Mas falemos do cabaz chamado Maratona do Porto.

Para se ir fazer a Maratona do Porto tem de se ir nos autocarros que a organização gentilmente subsidia aos mouros e que a Ana Pereira organiza de forma exemplar. Também me armo em organizador de coisas (pequenas e não desta dimensão) por isso sei a trabalheira que é lidar com centenas de pessoas, pagamentos, mails, duvidas, problemas, etc. Para quem vai parece fácil, mas sei que não é.
  
Obrigado Maria sem Frio nem Casa. Se não houvesse autocarros, para mim já não era a mesma Maratona. Espero que a organização continue a pensar como eu. Talvez um dia tenham de ser comboios ou aviões, mas a lógica é a mesma. Uma viagem descansado, à conversa, rever amigos, conhecer outros, indispensável no pacote.
Depois o Hotel Tuela e de um modo geral o grupo HF Hotels, pois acredito que tenham todos a mesma orientação estratégica. Há vários anos que fico no Tuela, (mas acredito que podia ser o Fenix ou outro qualquer). Simpatia, eficiência, preço justo e acima de tudo não se pretende “ordenhar” os atletas. A política de late check out até ás 15h demonstra que o grupo compreende as nossas necessidades. São estes pequenos gestos que fazem a diferença. Bem hajam, voltarei e espero que mantenham sempre esta orientação.
Por fim reencontrar os amigos e passar bons momentos, quer no jantar pré-maratona, quer no almoço pós-maratona. Este ano o almoço extravasou um pouco com uma enorme celebração das 50 maratonas do António Guerreiro e se o autocarro não saísse ás 17h da Rotunda da Boavista….

Mas são estes momentos únicos que ficam gravados e que também fazem parte do cabaz: Amigos + Endorfinas + Lello, Uma palavra também para o Restaurante Convívio que fica mesmo em frente ao Tuela e onde fomos muito bem recebidos. Às vezes não é preciso ir muito longe.

Por fim a razão de tudo isto, a Maratona. É bom ver que a Maratona do Porto é agora a maior Maratona de Portugal. Bairrismos à parte, a organização tudo faz para isso. Sempre uma atenção com um preço especial para os early adopters ou os maratono-dependentes (já vai nos 20€.... comportem.se!). Depois leva-nos de autocarro, oferece-nos uma pasta party que é logo onde começa o convívio e o reencontro de amigos, até singelos mimos como café e chá na partida e cerveja na meta. Dizia eu que estes mimos fazem a diferença porque tudo o resto já é de nível excelente.

"E para mim é este o cabaz da Maratona do Porto. É importante que nenhum destes ingredientes falte para que a receita funcione"


Quanto à maratona em si e a história da que foi a minha 13ª resume-se muito facilmente. Melhor tempo de sempre para o cota, com 3h12m. Assim a modos que 4m31/Km de média. Umas palavras para aqueles que acham que este tempo vale alguma coisa (sem desrespeitar ninguém pois cada um tem os seus limites e objectivos).

Depois do UTAT e se tudo estivesse bem, a minha ideia era encaixar nas ultimas semanas de um plano de treinos e fazer umas séries e uns treinos longos. Como todos os bons planos, este não foi cumprido. Claro que as desculpas eram de boa qualidade, sendo a ultima uma contratura num adutor num treino de séries de 2Km que me fez parar uma semana para massagens de Voltaren. Ainda vi a coisa mal parada mas a minha massagista pessoal esteve à altura. Tirando a habitual rotina de treinos semanais só houve mesmo tempo para descansar, ir à meia da Moita dar um arzinho de corrida e depois ir a Almeirim testar ritmos e perceber que poderia tentar fazer algo de jeito.
Há muitas estratégias para se correr uma maratona. Correr a primeira parte mais controlada e fazer a 2º mais rápida (negative splits), já fiz uma assim; correr sempre ao mesmo ritmo tipo relógio suíço, já fiz uma assim. Depois há também a estratégia que usei. Sabia que sem grandes treinos longos não ia conseguir manter um ritmo constante até final. Inevitavelmente iria quebrar por volta dos 30 ou antes.Assim e dado que no Porto os primeiros 7Km são a descer, a tática passava por rolar nos 4m20/Km e chegando cá abaixo tentar manter abaixo dos 4m30 o máximo possível. Depois era esperar que não estoirasse ou estoirasse o mais tarde possível.

O plano foi mais ou menos cumprido. Arranquei com o Zé Santos e com o Paulo Martins. O Zé ia tentar seguir comigo enquanto desse. O Paulo queria fazer uma média de 4m45 mas rapidamente se juntou à festa. Arrancámos à frente do balão das 3h15 e nunca o vi a não ser pelas costas. Cá em baixo em Matosinhos junta-se o João Paulo Maia que ia para 3h30 ou mais se não aguentasse. Até ao Km 17, 18 tudo estava a correr como pensado. Já cá em baixo sucediam-se os Kms a 4m26, 4m27. O grupo ia unido. So far so good, como diria o optimista a cair de um prédio de onde se atirou. O Paulo Martins dançava à nossa frente e corria de costas, mas a euforia estava perto do fim. O Zé foi o primeiro a descolar do grupo ainda antes da meia. Depois descolou o João Paulo e por fim o Paulo Martins. O Nuno Neves que também se juntou a nós com o João Paulo Maia mantinha-se rijo e fazia-me companhia. 
A meia foi feita com 1h34, uma boa marca que poderia dar 3h08 em modo relógio suíco. Curiosamente a estimativa que o meu Fenix 2 tinha dado após Aleirim para o tempo à Maratona. Como não era dia de relógio suíço não me deixei impressionar. Aquele tempo à meia não iria apenas duplicar no final. Restava saber qual era a fatura a pagar.

No regresso de Gaia vi o balão das 3h15 quando dei a volta. Estava demasiado perto. Pensava que lhes estivesse a dar 4 ou 5 minutos mas não. Que estranho. Antes ainda de voltar a passar a ponte deixo cair a garrafa de água e como ia precisar dela depois de tomar o gel, baixo-me para a apanhar e saltam umas cãibras nos gémeos. Mau!!! Com calma recuperei. O Nuno ajuda-me a segurar na garrafa enquanto tomo o gel. Depois do tunel por volta do Km 33 o Nuno fica ligeiramente para trás. Faltam já menos de 9km e agora é o costume. Cerrar os dentes e enquanto o corpo der, vai dar. Ainda consigo meter 2 Kms abaixo dos 4m30 e fico impressionado.

Por volta do Km 35 ,naquela zona onde estão uns putos de cabeça cheia a fechar a noite num bar com musica a bombar está uma senhora que me diz assertivamente, daqui para a frente é só cabeça. E é daquelas coisas que precisamos de ouvir embora saibamos que são verdade. E aquelas palavras ecoaram durante uns tempos. O cansaço é enorme a agarramo-nos a tudo. E sem grandes problemas físicos dava a ordem ao corpo. Ouviram? A cabeça diz que é para manter o ritmo. SIGA!!!!

Passo o Pedro Pires que me incentiva e me elogia o esforço. Ao km 40 as cãibras ameaçam aparecer. Pareço o pirata das pernas de pau a correr. Não vai ser agora raios! Faltam menos de 10 minutos. A cerveja fresquinha está à espera. Não sei o tempo que vou fazer. O corpo e o cérebro já estão em serviços mínimos, Olhar para o relógio e mudar para o écran do tempo e fazer contas está fora de questão. Será provavelmente um bom tempo. Chegar! É preciso chegar. Consigo afastar as cãibras, reduzo um pouco o andamento. Tudo é melhor que parar agora. Sem dores e um pouco mais lento sigo nos 4m40 e subo a avenida da Boavista.

Está feita a 13ª e bem feita. Viro à esquerda e olho para o relogio na meta 3h12! Eh Lecas! Belo tempo. Festejo a chegada como deve ser e está feita a minha melhor maratona. Agora era só beber umas enquanto iam chegando os muitos amigos e o corpo não arrefecia. Foi uma grande maratona. A estratégia resultou e o record caiu. Um dia tenho de treinar a sério para fazer a maratona! 

Parabéns a todos, e foram muitos, os que se estrearam na melhor maratona do país. Boa escolha. Uma palavra para o Luis Canhão, finalmente maratonista, now you know it! Agora é sempre a melhorar.

P.S. O meu fenix 2 diz que valho 3h07 na maratona. Um dia vou-lhe dar razão. Um dia...