7 de Fevereiro - Grande Prémio de Grandola

Pela primeira vez lá fomos a Grândola. É uma boa prova. Relativamente perto de casa. 1 hora de auto-estrada sem grandes pressas. O dia prometia-se ameno mas no caminho o termómetro teimava em não subir para além dos 6. Felizmente não havia vento e depois de um aquecimento já era irrelevante o frio que estava. 
A prova é simpática, nada de muito especial, 3 voltas pela vila até que, por fim, nos dirigimos um pouco mais para longe. Um viaduto por cima da auto-estrada que é a única subida mais pronunciada e seguimos depois junto à dita até que metemos por um trilho de terra batida talvez cerca de 1Km e pouco. Depois é desfazer e voltar até ao centro da vila para encerrar a coisa.
A prova correu muito bem mas tive de dar o litro para fazer menos de 45m, sinal que os treinos têm andado curtos e fraquinhos. Ainda assim estou bem. Puxei pela máquina e respondeu bem. Logo ao princípio passei pelo Miguel e pensava que não ia durar muito tempo assim, mas consegui pela primeira vez fazer menos tempo do que ele. Sei que se deve mais à sua má forma do que à minha boa, mas ainda assim é uma 1ª vez.
A prova é um pouco matreira porque tem subidas disfarçadas, muito prolongadas... que fazem mossa claro. 
A Dora fez uma excelente prova. 1 hora. Não está nada mau. Acabou por chegar junto com o meu irmão. Lá se ajudaram mutuamente.

No final descobrimos um "novo" restaurante que vai dar muito jeito, pois está junto à saída da auto-estrada a 1 hora de Lisboa. Boa comida alentejana a um preço fora do comum. Adorámos o jantarinho alentejano. As migas também estavam boas. Uma única meia-dose tinha chegado para os 2. A regressar sem reservas. Serviço eficiente, sítio para gente sem complexos e paranóias.

Para o ano lá estaremos de novo. Para a corrida e para o jantarinho!

A Xistarca tem um site novo. Deve ser por isso que ainda não têm as classificações online... :)

Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo

Este livro do Haruki Murakami, que para alguns dispensa qualquer apresentação (os outros cliquem no link e descubram. Claro que para terem informação a sério terão de mudar para a lingua inglesa) é um livro de memórias do escritor. Memórias de corridas. É que além de romancista de sucesso, o homem é um corredor de fundo.
Recomendo este livro a todos, mesmo aqueles que não têm nada a ver com a corrida ou desporto. É um livro intimista e pessoal. O autor revela parte de sua vida pessoal e sobretudo de que forma a corrida surgiu na sua vida e a influência que a mesma teve. Para os que gostam das suas obras é surpreendente perceber o dia a dia, e a forma como a corrida de fundo influencia o seu trabalho. Para os que gostam de correr é muito interessante ver a dedicação e os resultados que uma vida inteira de corrida de fundo consegue produzir.

Não há receitas, não há dicas. Pelo contrário. O Murakami é uma pessoa humilde. No entanto consegue o que muitos de nós, corredores de fundo, não conseguimos. Põr no papel as razões, os sentimentos, muito do que nós vivemoss quando corremos. Daí o interesse da obra. Por vezes parece que estamos lá com o Murakami a fazer um prova. Agora quando alguém quiser perceber melhor porque corro, o que procuro, o que atinjo, basta recomendar a leitura deste livro. É pequeno e lê-se num fim de semana ou pouco mais.


É o meu conselho. Boa leitura.

24 de Janeiro - Grande Prémio Fim da Europa

Lá fomos para o início oficial da época. Tenho feito os trabalhos de casa e portanto ia descansado, embora a prova seja algo dura. O mês de Janeiro tem sido um retomar de foma, e embora a coisa ainda esteja algo perra está seguramente uns furos acima do que estava no ano passado por esta altura. Desta vez, dado que a Dora e o Luis também foram, deixei o carro junto ao interface, eles seguiram nos autocarros para a Ulgueira e eu esperei pelo outro Luis para irmos para a partida. Um passeio agradável numa Sintra meia adormecida e fomos encontrando muita gente da equipa pelo caminho. O tempo passou nun instante. O tiro pontual quase me apanhou desprevenido. Pode ter sido impressão minha mas achei muito mais gente este ano. Deixei-me ficar cá atrás a conversar com o pessoal de modo que até passarmos nos tapetes foi mais de 1 minuto a passo.
Mal começámos a correr lembrei-me que não tinha apertado os atacadores como tinha pensado. Encostei e tratei do assunto de imediato. Providencial pois um deles já estava a desatar-se. Que esquecimento mais parvo.
Quando retomei a corrida estava a ambulância logo ali... heerr ok, toca a recuperar terreno.
É giro partir do fim. Claro que naquelas ruas de Sintra é quase impossível ultrapassar um magote de gente que vai a um ritmo baixinho. Portanto cedo me resignei a fazer um corrida lenta e descontraída.

A vantagem de se partir de trás é que vamos sempre a ultrapassar gente que não anda no nosso ritmo. Sentímo-nos uns campeões! Quando saírem as classificações vai dar para saber quantos gajos passei, mas foram muitas centenas :) lolol

Não choveu, ou quase, embora o vento quando abanava as árvores lá nos refrescava com uma descarga de água acumulada nas folhas. Sem grande esforço lá cheguei ao Castelo dos Mouros. Este ano a duvida era a parede do Km 10 que o ano passado fiz a andar. Mas este ano passei por ela sem parar e até pensei que aquela não era o supra-sumo. Achava que havia se ser uma coisa ainda pior. Perguntei ao companheiro do lado que também disse que era mais à frente. Mas logo começámos a descer e ao Km 11 percebi que tinha passado por ela sem problemas de maior. Bahhh!!! Toca a acelerar que esta já está feita.

O ritmo rápido que imprimi até à meta permitiu-me não arrefecer muito na descida e lá cheguei à meta bem fresquinho, pudera. Que ventania!

Comi dois bolinhos e raspámo-nos dali para fora pois tínhamos de vir acabar de fazer o cozido para o almoço. E que bem que o gajo soube.

Não há nada a apontar à organização, As coisas fluem e uma coisa bem complicada e que mobiliza centenas de pessoas, funciona como um relógio. Espero que a CMS nunca deixe de apoiar este evento. Era impossível nos mesmos moldes sem o seu patrocínio. Para mim esta prova, dado que surge numa altura sem concorrência, é já obrigatória. Obrigado por este passeio fantástico na magnífica Serra de Sintra.

A Dora lá fez a sua mini da praxe. Uma referência especial ao Luís que veio pela primeira vez experimentar as corridas. A ver se o bichinho pega. Belas fotos na meta.

Quanto a tempos, confirmei que estou bem. Mesmo partindo do fim, vindo devagar, chegado ao fim fresco que nem uma alface, consegui retirar quase 2 minutos ao tempo do ano passado. E lembro-me bem que o ano passado a coisa foi feita muito mais nos limites. Portanto é prosseguir os treinos que isto está com bom aspecto.

Quando saírem os tempos oficiais actualizo o post. Para já têm o track e o tempo que cronometrei disponíveis. Procurem na coluna aqui à direita.

Já estão disponíveis os tempos no site da prova. Claro que já não consegui chegar onde pretendia mas mesmo assim ultrapasei cerca de 700 corredores. Para variar, foi divertido!
Temps oficial 1h26m42s
Tempo do chip (não disponível, mas cronometrado por mim) 1h25m29s

2009 - Balanço do ano

Este foi um ano de afirmação. Vamos ver o que diz a estatística:

         N.Exerc  Distância  Tempos    Elevação    V.média    RC méd. Calorias
2009      135     1.370,18  128:11:05    32.623        10,7          149     122.519
2008      123     1.289,45  105:55:19          -            12,1            -        105.417

À primeira vista a estatística é estranha. Um ano de 2008 com menos provas, mas feitas a uma velocidade superior.... em quase 1300 Km uma diferença de quase 2 Km/h é obra. Ou então é treta...

Convem explicar que os dados de 2009 vieram do meu Garmin e os de 2008, dado que só comprei o Garmin em Outubro de 2008, vieram do Nike+...
Portanto... malandrice. Não foi propositado mas pelos vistos a margem de erro acumulada, ao fim de um ano, está à vista. Mas a diferença também não é assim tão colossal. Há coisas que não falham, mesmo no Nike+, o número de treinos/provas, o tempo de corrida. Corri mais 32 vezes e mais 23 horas em 2009...

Este foi o ano em que corri a minha 1ª maratona e talvez essa seja a principal diferença, dado o empenho que coloquei no plano de treinos para a dita.
No troféu da equipa passei de 10º para 6º, mas isso não é significativo pois há várias provas a que falto dado que prefiro outras que não contam para o troféu.

Este foi também o ano em que a Dora aderiu às corridas e é agora uma companheira inseparável nas provas até 10Km ou então nas minis das outras. Já fez menos de 1 hora nos 10 Km portanto temos atleta.

E vamos para mais um ano. Vou tentar correr mais do que uma maratona sendo que uma será a do Porto e outra internacional (Berlim?) Já estou a planear o ano e dou por mim com a tarefa dificultada pelas inúmeras variáveis com que tenho de jogar para escolher datas e provas. Isto começa a não ser fácil :)

Uma coisa fundamental para manter o entusiasmo e a dedicação é planear as provas e os treinos. Sem planos de treino e sem objectivos concretos a tarefa fica muito mais dificil.
Bom 2010 para todos cheio de Km's nos pés!!!


27 de Dezembro - São Silvestre de Lisboa

E mais um ano se passou. Ainda não foi este ano que pude ir ás São Silvestres da Amadora e dos Olivais portanto esta foi a ultima corrida do ano.
Este ano não houve chuva. Tudo correu muito bem. Deixámos o carro no parque do Martim Moniz que fica a 5 minutos ou menos do Rossio. Foi uma boa escolha tirando o preço que é uma verdadeira vergonha. Mas sempre serve para melhorar a economia (de alguém que não eu).
Ficámos por ali na conversa à espera deste e daquele e quando pensámos em ir aquecer, olhámos para a zona da partida e assustámo-nos. Já estava quase cheia. Que se lixe o aquecimento. Toca a entrar.
Embora a ideia de separar as zonas de partida por tempos faça todo o sentido, como quase ninguém respeita as indicações vai quase dar ao mesmo.
À medida que a prova cresce em participação a organização tem de começar a pensar em arranjar outra zona de partida. Meter 5000 pessoas ali começa a ficar complicado e depois acontece como desta vez. Todos querem ir para a frente e a coisa entope. Grande parte do pessoal só conseguiu entrar na zona de partida já depois do tiro.
De negativo apenas o facto de não se ter respeitado o horário. Já partimos atrasados e ainda foi preciso esperar mais um pouco pelo 3 minutos e picos que a organizaçãp quis dar de avanço às atletas de elite. Para criar um despique homens-mulheres. Até pode ter sido giro, mas para quem vai correr tem interesse nulo, ou seja só sobra a seca de termos ficado quase 10 minutos à espera. Acho que as mulheres ganharam pois os homens não conseguiram apanhá-las.

De resto tudo decorreu normalmente. Acusei obviamente o cansaço da corrida da véspera e custou-me um bocado manter um ritmo forte. Daí um fraco tempo. No final tudo fluiu sem problemas, sem ofertas de maior. Estava a começar a gelar com o vento que estava, quando a Dora me viu. Fez 1h02m que é um tempo aceitável, tendo em conta a época da engorda e a subida ao Marquês que mesmo assim fez orgulhosamente sem parar. Boa, miúda.
O meu tempo e track está publicado no sítio do costume (e não é no Pingo Doce).

26 de Dezembro - S. Silvestre do Sado

O tempo tem estado horrível o que tem complicado ainda mais as coisas para treinar. Na 5ª estava uma manhã de sol fantástica (se comprarmos com os últimos dias) e comecei logo a sonhar com uma maré vazia e um belo treino à beira mar... que saudades. Ficava mesmo bem para abrir o apetite para a consoada :)
Mas depois de almoço a coisa fechou e começou uma chuva horrível que não mais pararia. Claro que optei pelo plano B que foi ficar sentado no sofá...
Portanto estas S. Silvestres têm sido um óptimo incentivo para não parar totalmente.
E ontem lá fui a outra. Sozinho, ninguém da equipa, ninguém da família. Só o maluco do costume, se mete no carro às 8 da noite de Sábado, 50Km+50Km para sofrer 9Km.
Também tinha bastante curiosidade em conhecer esta prova numa terra aqui para os meus lados que nunca tinha ouvido falar.
O tomtom não foi lá grande ajuda. O viaduto novo ainda não estava no mapa e em vez de sair onde dizia o nome da terra segui em frente às ordens do gajo. Asneira claro. Desfeito o engano e retomada a estrada certa lá cheguei ao meu destino. Uma vila de pequenas casas e vivendas meia adormecida pelo frio. O secretariado não tinha a minha inscrição mas o problema foi resolvido com uma inscrição relâmpago e a confiança que a equipa tinha feito a transferência bancária. Tudo boa gente em que o importa mesmo é correr.
E lá fomos para os anunciados 9400 metros da prova. Seríamos talvez um 200. Uma pequena volta pela vila com subidas e descidas que nos fizeram esquecer dos 6 graus que faziam. Das poucas miudas em prova 2 estavam por ali ao pé. Uma com uma passada levezinha lá foi e foi um viste-a. A outra foi ficando, ou era eu que não queria deixar fugir outra lá fomos os 2. É sempre bom fazer uma prova pequena com uma das poucas miudas. O povo que se aglomerava aqui e ali, normalmente junto aos pequenos cafés que quebravam o sossego da noite, rejubila sempre com uma representante do sexo feminino. A rapariga era smpática e lá se ia rindo das minhas piadas à população e assim passámos a corrida. Eu não tinha pensado fazer uma prova tão rápida, até porque os meus treinos têm sido só sofá, mas ela não dava sinais de abrandar e olha, bora lá então. Perto do fim começámos a ouvir o pessoal dizer que ela era a 3ª. O que ainda lhe deu mais pica. E eu lá tentava não morrer na praia. E conseguimos. Ela o 3º lugar e eu aguentar o ritmo e a motivação dela. Boa prova. Era a Eva, mas eu não fui o Adão ok :)
Ainda havia uns comes e bebes à espera dos ateletas mas eu tinha a família à espera e foi só o tempo de me meter no carro e voltar ao lar. Boa prova Eva! Parabéns.
Não sei se a organização vai publicar resultados online mas deixo-vos aqui o link para o site.

20 de Dezembro - 1ª S. Silvestre Prof. Lucas

Bom, o professor Lucas deve ter sido um bacano. Foi com espanto que ontem chegámos ao local da prova e apreciámos tudo o que a organização da prova tinha preparado. Depois da parvoíce da semana anterior, ficámos a saber desta prova quase por acaso à ultima da hora. Resolvemos ir porque é sempre melhor do que ficar em casa a aboborar. Não há melhor treino que uma provazinha sem grandes pretensões. Às 5 da tarde de um Sábado é uma hora morta e seria bem aproveitada com um bom treino.

Quando chegámos estavam a montar as infra-estruturas e fomos à escola buscar o dorsal. Começámos a perceber que o investimento tinha sido grande. A escola estava aberta, cheia de gente com t-shirts Staff, e estava montado um arraial enorme, com um lanche (supomos que para depois da corrida), personalidades, uma azáfama enorme, tudo feito à séria como os grandes. Como já tivemos uma experiência com o associativismo escolar damos bastante valor a ver uma comunidade inteira envolvida com a escola. Parabéns. Não é nada fácil ver uma população em simbiose com uma escola como vimos ali. Muito bem, e um grande exemplo.

Entretanto cá fora estava um frio horrível. Soubemos do unico precalço que manchou a prova. Estava prevista para as 17h mas só iria começar às 17h30 pois a dos miúdos só ia começar às 17h. Acabou por começar às 17h45 o que já nos estava a deixar preocupados pois tinhamos obviamente compromissos para mais tarde e a coisa começava a apertar. Foi mau este atraso. Mas de resto estava tudo perfeito. Até um carro com cronometro havia. Mas não só. Houve de tudo. Ele era o Pedro Lamy, o José Alberto Carvalho e a esposa (que é pivot na Sic Notícias acho), a Carla Matadinho, etc.

Os putos lá partiram e foi triste. 20 miudos ou pouco mais. Que pena este país de broncos. Que pena o desporto nas gerações jovens ser uma anedota. Estamos no 3º mundo do desporto escolar. Ridiculo.
Este ano em Santiago de Compostela após a corrida dos graúdos assisti a uma prova em que participaram mais de 2000 miúdos. Comovente!!!

Os percursos de 4 e 8Km não tiveram uma coisa nem outra. Um não chegou aos 4 e outro não chegou aos 7, mas não acho isso muito importante. A surpresa final foram os prémios. Tendo em conta que a inscrição foi grátis, uma t-shirt, uma medalha, uma caneta, uma garrafa  de vitamin-water numa bolsinha térmica da vitamin-water (com a côr da bolsa a condizer com o sabor e a côr da água), a água geladinha na bolsa (esta era fácil devido ao frio que estava :), bom tudo isto... foi a prenda do ano atendendo à relação preço/ofertas.

O percurso ali por aqueles lados só podia ser sobe e desce. Resumindo fica a lista de coisas a melhorar para a 2ª.

- Divulgação. Éramos talvez 200 pessoas... mereciam muito mais;
- Percurso. Não me importo que sejam 2 voltas mas podem estender um pouco mais a prova. O concelho não tem espaço?
- Horários. Amigos, os horários são para cumprir.

Tirando estes pontos, os meus parabéns para a vossa iniciativa. Estava tudo perfeito. Souberam organizar uma coisa a sério. Nada faltou. Mesmo nada. É um prazer enorme ver uma comunidade inteira envolvida com um evento. Desejo-vos a maior das forças para que no ano que vem consigam superar-se. É fácil. As falhas que aponto são coisas menores e facilmente corrigíveis portanto contem comigo para a 2ª.
O professor Lucas deve mesmo ser um Bacano!

13 de Dezembro - Grande Prémio do Natal

Não tinha grandes expectativas para esta prova. Por um lado porque esta é a prova da asneira. Vejam aqui como foi em 2008.
Este ano tinha vários factores que me fizeram antever uma prova dificil. Por um lado o cansaço da Maratona de Lisboa. Embora já não tenha sinais de cansaço, isto é como o calcário: não se vê mas está lá. Depois passei a semana sem pôr o pezinho no alcatrão. Hoje não, vou amanhã, afinal hoje não dá. E foi-se a semana só no descanso. Por ultimo o dia de ontem foi passado na entronização de um amigo na Confraria Gastronómica do  Alentejo. Só vos posso dizer que depois de um dia inteiro no Convento do Espinheiro a comer e a beber tudo aquilo que um atleta não deve nem sonhar, entre torresmos e empadas, tintos e brancos da fundação Eugénio de Almeida e um magnífico serviço de 5 estrelas, a fornalha precisava mesmo de queimar o castrol acumulado.

Lá fomos, eu a Dora. Para mim o objectivo era só queimar o castrol, a Dora lá ia resignada com mais uma prova de 10K. Desta vez a partida correu bem, e o circuito era simpático. Tudo sem grande história, até que perto da meta, por fim, a tradição cumpriu-se. Fila! FILA!!!! PARA CORTA A META?!!?!? A 100 metros da meta parámos. Não dava para passar. Uma multidão enorme aglomerava-se a cerca de 100 metros da meta. E lá ficámos estupefactos. Eu parei o cronómetro e para mim a prova acabou ali. 43 minutos. Fixe. Acabámos por demorar 7 minutos a chegar à meta. Fiz assim um tempo oficial de 50 minutos. MEGA LOLOLOLLLLL. A palhaçada do ano!

O motivo era simples. O corredor para receber mais uma t-shirt cor de laranja da Sportzone começava logo a seguir à meta. Ora vá-se lá saber porquê, entregar uma t-shirt da treta e uma garrafa de água é tão dificil que fez acumular gente até à zona da meta. Depois nenhum ser inteligente da organização esteve para se maçar e orientar a inevitável fila avenida acima. Começaram.se a acumular centenas de pessoas na zona da meta e vieram estrada a abaixo criando a situação ridicula e nunca vista de não se conseguir cortar a meta.
Se fosse grátis era compreensível mas cobram dinheiro às pessoas!!! E por isso todos se deviam esforçar por prestar um serviço digno de respeito e não uma corrida que inclui uma palhaçada final.

A Dora teve a lucidez suficiente para não parar na fila e ir lá acima corta a meta fazendo assim pela primeira vez menos de 1 hora. Aguardamos pelos resultados oficiais (será que vai haver) para saber quanto tempo fez. Mas ficam desde já os meus parabens para ela. Fantástica prova. Embora tivesse atingido todos os objectivos que me propus, inclusivé uma fantástica corrida para a Dora, fica a nódoa da vergonha em mais uma corrida organizada pelos palermas do costume. Vamos ver em 2010, se a corrida resistir, qual será a palhaçada que irá fechar o ano.

O track está disponível no feed da direita.

6 de Dezembro de 2009 - Maratona de Lisboa (uma nova etapa)

O tempo é do cacete. Tive de ir ao 1º post aqui do meu blog consultar quando tinha começado esta aventura (isto sempre serve para alguma coisa, afinal). E começou 26 de Março de 2007. Incrível, já lá vão quase 2 anos e 9 meses. Já era para ter feito uma maratona mas os astros não se tinham conjugado, ainda. O Sol não estava alinhado com o centro da Galáxia (e outras balelas do género) até que hoje tudo encaixou. Tudo fez sentido.
Os meses de preparação. A dedicação. O apoio de todos. A borboleta lá bateu as asas e pronto. Já estou no team dos maratonistas. Cumpri uma das maiores etapas desportivas a que me propus. (a outra deve ter sido uma corrida de caricas aí com 7 anos)
Demorei um ano a fazer uma meia maratona e pensava que seria o topo da carreira. Mas muitas meias depois, quando começamos a ir para as meias como quem vai ali fazer um treino e já volta, estava na altura de me deixar de desculpas parvas a mergulhar no objectivo.
Ao contrário da Maratona de Sevilha para a qual cheguei a treinar e estava tudo agendado, mas desisti após o 1º treino longo, esta era para levar até ao fim. E foi CATANO!!!!

Embora tivesse tentado cumprir o plano de treinos (mais ou menos...) estava obviamente um pouco ansioso com a forma como a coisa iria correr. Tinha feito a minha parte e estava confiante, desejoso mesmo de provar que uma maratona não é nenhum bicho de sete cabeças (nem de 2). É um bicho só com uma cabeça que se transpõe facilmente com treino e dedicação.

Deixo-vos um pequeno resumo desta que ficará para sempre registada na minha memória, a minha 1ª maratona.

Primeiro vinha aí um temporal desgraçado. Eu já estava apreensivo com a subida final, mais um temporal... Com santos assim não é preciso demónios. Mas afinal era treta. O S. Pedro meteu uma cunha. Tirando um ventinho um pouco chato para lá, mas muito amigo para cá, estava um tempo fantástico.
1200 atletas na Maratona. 900 estrangeiros e 300 tugas. Que pena. Mas não vou perder tempo com este assunto que só isto dava o livro do costume.
O novo percurso tem um grande problema. Os 4 Km's finais são um TERROR!!! Aos 38Km gramar com aquele muro até ao Feira Nova. Enfim... estão a ver o filme.
Mas se esquecermos isso, gostei do percurso. A 1ª meia é feita às voltinhas por Lisboa com subidas e descidas que só ajudam a matar o tédio. E vão injectando aquela adrenalina que ajuda a manter o corpo atento e preparado para responder.
Mesmo nas descidas fui sempre a cortar gás na máquina. Antes da partida um sábio conselho de ultima hora:
- Se fores cansado reduz o andamento. Se te fores a sentir muito bem REDUZ O ANDAMENTO :)
Assim fiz. Treinei para ficar abaixo das 4h mas não ia ser um escravo do cronómetro. No dia anterior fiz as minhas continhas. 4h = 5m42s/Km. Como o muro final vai estragar tudo o melhor é rolar em 5m12s no mínimo. Mas sentia-me tão bem que me foi difícil na 1ª metade conter-me nos 5m/Km. Mas segui o conselho: REDUZ O ANDAMENTO. Afinal era a minha 1ª maratona. Não tinha pressão de qualquer tipo, nem compromissos. Era chegar ao fim. E se conseguir ficar abaixo das 4h fixe!
Almocei nos Restauradores. Uma barrinha e mais meio litro daquele liquido vermelho Vitamin qualquer coisa. Que saudades!!! A ultima vez que tinha bebido aos litros daquilo foi em Nova Iorque. Agora já está em Portugal também. Cheguei ao início da meia maratona já almoçadinho e fresquinho que nem uma alcachofra. E sabendo 3 coisas importantes:
- Até ao muro no Km 38 é sempre plano;
- Até Belém é vento contra, cansa mas dá para secar a roupa. Mas depois com o vento pelas costas vai ser uma maravilha até ao muro;
- Épá quando chegar ao muro faltam 4 Km. Nem que me caiam as perninhas todas. Faço aquilo a rastejar CARAGO!!!
Foi tempo de começar a cruzar com os companheiros que iam à frente na maratona e com o pessoal da meia. Mesmo com o vento contra ia super feliz. Estava a sentir-me hiper bem. Tragam-me o muro que parto isso tudo!!!!
Por volta do Km 28 meti conversa com um companheiro estrangeiro que não me largava há bués. Ofereci-lhe uma barrinha de marmelada. Foi excelente porque desde aí viemos a falar sobre tudo e sobre nada. Ele era basco do lado francês, era a 1ª vez em portugal e a 1ª maratona. Fantástico. Agora é até ao fim. Ainda bem que o francês é uma das linguas em que me ajeito bastante bem.
E estava tudo a correr bem, já tinha passado do Km 32 onde fui um pouco abaixo e comecei a sentir algum cansaço. Depois ao Km 36 novamente. Ele até me parecia mais fresco e contido que eu que já ia um bocado a patinar. Quando ele viu que eu tinha um GPS e que estava a controlar o andamento de forma mais ou menos rigorosa disse-me para tomar conta do barco. Ele nem sabia que havia um muro no final. Eu é que o ia a conter, mas de repente sem que nada o fizesse prever teve de parar com um problema no joelho. Ora porra. Lá se foi o meu apoio moral.

O muro. E chegou claro. Para falar verdade estava desejoso já (claro que 50 metros de muro me fizeram logo mudar de ideias). Estava farto do ram ram daquela avenida sem fim. Que seca. No muro apeteceu-me andar para aí 200 vezes. Mas tinha medo, tinha muito medo do que se seguiria. Cãibras? Vou conseguir voltar a correr? Afinal isto é sempre a subir até quase ao fim. Olha siga. Não há andarilhos. Tuc tuc tuc tuc. O sofrimento foi grande. Mas pelo menos não havia cãibras. Quando vi o Feira Nova gritei para dentro FDP!!!! Já te comi toda!!!!
O túnel que se segue e onde começa a descida para os Estados Unidos teimava em fugir. Sacana. Quando lá cheguei já ia tão cansado que nem saborei a descida. O cronómetro fazia-me os olhinhos brilhar. 3h e trinta e tal... Uaauu!!! Falta 1Km ou menos. Fantástico.
Estava tão feliz que tentei pôr em prática o que tinha pensado mais atrás quando ia feliz e folgado. Telefonar à Dora que estava a sofrer na meta com uma ansiedade enorme. Tenho um telefone piririco que uso nos treinos mais off-road (desde que uma vez caí, percebi que pode ser importante pedir ajuda)  mas aquilo nunca é usado e estava bloqueado (mesmo não tendo carregamentos obrigatórios é preciso fazer sei lá o quê de vez em quando, parvoíces dos operadores). Nem sei se foi por isso se era eu que já nem via bem os números, mas lá ia eu a fazer a subida dos Estados Unidos (mais um muro) e a tentar marcar um número no telémóvel lolololll. Queria dizer que se preparassem, que não ia fazer nada 4h, que estava mesmo a chegar.
E quando dei por mim estava a cortar a meta. A Dora aos saltos por me ver bem e feliz. Eu só conseguia fazer saltar os olhinhos :)


Não houve mazelas de maior, para além de algum cansaço. Agora vou ali ver aquela revista que nos deram que tem as maratonas todas mundiais para escolher a próxima. Sevilha é perto e dizem que é uma maratona fantástica com um apoio popular ao contrário da parvalheira tuga. Acho que Nova Iorque abriu há pouco tempo e ainda tem vagas.... Sonhar ainda é grátis!!!

Não vos maço mais (se é que alguém tem pachorra de ler estas coisas), quero apenas agradecer a todos os que contribuíram para ser possível eu ter chegado a este dia. E muitos nem imaginam que o fizeram. Só eu sei. Entre muitos, primeiro ao Botto que foi o gajo responsável por tudo. Foi ele que me trouxe para esta vida. Fantástico!
Quero agradecer ao Peyo, um companheiro basco de ocasião, talvez nunca mais o veja na vida mas os Km's que fomos juntos à conversa foram também um forte contributo para chegar ao final. Espero que passe uns dias felizes por cá com a sua noiva e que tenha uma vida feliz cheia de maratonas.
A todos os que me cumprimentaram durante a prova e que me desejaram sorte, e alguns eu vergonhosamente não sei o nome, obrigado. Espero que vos tenha corrido tão bem ou melhor que a minha.
Aos meus amigos que me deram os parabéns porque pensam que isto é um grande feito. Deixem-se disso. Calcem mas é uns ténis e toca a calcar alcatrão. Obrigado!
À minha família, pela compreensão, pelo apoio, ao longo destes meses, sacrificando algumas vezes o apoio que dou nas tarefas do costume. Sei que também estão orgulhosos de mim e que vibraram com tudo isto.
Obrigado a todos. Esta foi só a 1ª de muitas outras. Prometo nas próximas não vos maçar com tantas letras.

P.S. Na imagem acima está também o meu irmão. Mais um maduro das corridas que me motivou muito para começar a correr. Espero que agora seja eu a motivá-lo para que um dia atinja também este patamar.

O tempo medido pela minha cebola foi de 3h42m. O track está já disponível.
Já estão online os resultados aqui.

Entretanto até Domingo no Grande Prémio do Natal OH OH OH.

29 de Novembro - Grande Prémio da Arrábida

Aqui o plano de treino dizia 19Km... mas estes 12Km que nos levam de Setúbal ao Castelo de Palmela... upa upa....cobra acima.
Por isso e por ser uma prova fantástica plena de natureza e com cheiro a Arrábida e a Moscatel não dava para faltar. E lá fomos.

Ameaça de chuva e tal, mas nada. Um dia excelente para a prática da modalidade. Aqui e dado que estávamos a uma semana da maratona fui com muito juizinho. Sempre folgado (tirando a cobra que deixa qualquer um sem fôlego) e com cuidado com o sítio onde punha os pés. Afinal depois do investimento que fiz para a Maratona uma lesão era a ultima porra que queria.

Por isso e embora tenha aproveitado para fazer umas séries na parte final da prova (tal era o tédio) só tirei 2 minutos ao tempo de 2008. Ah! e desta vez parei para beber o Moscatel em condições.
Mas isso não interessava nada. Tinha vencido os mouros lá no castelo novamente, a máquina estava a 100% e a Maratona espreitava já no meu pensamento. Próximo Domingo é que vamos ver se me baldei muito aos treinos ou não.

Aqui ficam os tempos. O track está no feed RSS à direita.