A tradição já não é o que era

Centro de Estágio Trail Running e BTT Vila Nova

Manda a tradição e o Vitorino Coragem que em Agosto se rume à serra da Lousã para um ultimo empeno final antes dos grandes desafios. É como muito prazer que participo sempre que posso. É uma oportunidade única de convívio com amigos, treinar com grandes campeões e desfrutar dos trilhos da serra em formato seco e bem mais calmo.


Mas o que rompe com a tradição e deve ser louvado foi a aposta da Câmara Municipal de Miranda do Corvo numa infraestrutura de excelência que se destina a receber atletas do Trail e do BTT. O Centro de Estágio de Trail Running e BTT está localizado em Vila Nova num edifício que outrora pertenceu ao Reis, uma casa centenária de um dos fundadores da vila,

Totalmente equipado permite passar um cómodo fim de semana com acesso directo aos trilhos da serra da Lousã. Camaratas para 16 pessoas, cozinha, balneários, ginásio, piscina, são algumas das comodidades que podem desfrutar por um preço muito acessível. 



Como vêem já nada falta para comodamente, com a vossa equipa ou com um grupo de amigos, poderem passar um fim de semana a treinar na serra. 

Algo que me diz que o amigo Vitorino vai passar a ter muito mais companhia para treinar ao longo do ano e não apenas em Agosto.

Foi para nós uma honra termos feito a inauguração efectiva das instalações durante o fim de semana do Treino de Convívio do Vitorino. Dificilmente será possível esquecer a forma como fomos recebidos por todas as entidades que nos acompanharam ao longo do fim de semana. 

Deixo-vos os contactos para que marquem e planeiem os vossos treinos neste local de excelência.



Bons treinos!

Prozis - Uma aposta (ganha) no Trail

Quando me convidaram para fazer parte deste projecto questionei-me se seria boa ideia. Por um lado não sou muito de suplementos. Acredito numa suplementação natural, nutrição cuidada e de qualidade, Isso sim. Mas é um facto que há alguns produtos que fazem já parte da minha rotina. Umas temporadas de glucosiamina, vitamina D quase o ano inteiro (já há vários anos) tal como explico neste artigo e pouco mais. Mas por outro lado tomo cada vez mais atenção à nutrição. A influencia no nosso rendimento é brutal. Principalmente quando aumentamos o volume de treinos, é fundamental uma alimentação de qualidade. A máquina não anda a ar e sem combustível de topo esqueçam treinos de topo. 

Só depois de aceitar participar neste projecto percebi todo o alcance do mesmo. Por um lado é um orgulho fazer parte deste leque de atletas, desde grandes campeões até grandes nomes do trail, é uma grande equipa que se juntou. E é importante que percebam, tal como já percebi, o objectivo da Prozis. Há várias lojas online a vender suplementos mas a diferença começa logo pelo posicionamento da Prozis e da sua aposta no trail. Isto, que eu saiba, é algo novo no mercado. A Prozis vai apoiar a nossa modalidade, patrocinando eventos e promovendo a modalidade. 

Nem todos os suplementos têm aplicação direta no trail, mas os que têm podem ajudar-nos a treinar mais e melhor e a obter melhores resultados. Não acredito em mezinhas nem pozinhos para ganhar provas, nem é disso que aqui se trata. O que se trata, e é assim que eu vejo a suplementação no desporto, é de ajudar os atletas a poderem treinar mais e melhor. É assim que vocês podem melhorar. Quem acompanha o que escrevo já viu que levo a nutrição cada vez mais a sério. Tenho lido muito, pesquisado e passado essa informação, Tirando os dias de festa tento ter uma alimentação de qualidade. E é nessa alimentação de qualidade que devemos basear o nosso treino. É aí que entra a suplementação. Porque por mais cuidados que tenhamos não é fácil ingerir as quantidades necessárias de determinados nutrientes. Não somos profissionais, nem temos dietistas e cozinheiros a trabalhar para nós. A alimentação é mais uma das tarefas que os amadores têm de assegurar. 

E aqui a Prozis também está a fazer a diferença. Vai dar-nos formação nesta área e contem comigo para vos passar umas dicas. Todos os atletas Prozis estão em contacto e partilhamos experiências, aprendemos uns com os outros. É este conhecimento que me proponho partilhar convosco tanbém. Quem me segue já sabe que as minhas opiniões são baseadas na minha experiência e tento ajudar a comunidade com ela. Tento passar o conhecimento aos outros. Sinto que falta muito isso na internet em Portugal. Hà muita gente a querer vender tipo feirante, mas pouca gente a tentar informar e ajudar, a escrever artigos de qualidade que tenham uma aplicação prática imediata. O que me interessa saber se as alcagoitas fazem parte do Top10 dos melhores alimentos para corredores se depois não consigo transpor isso para a minha dieta? Quantas como? E vou notar alguma coisa? 10g ou 10 Kg? 

Já percebi que entrar neste projecto da Prozis e ajudar a marca vai ser uma aposta ganha. Espero que vos possa ajudar também a fazerem as opções certas e a melhorarem a vossa nutrição, melhorando em consequência a capacidade de treinarem mais e melhor e assim superarem os vossos objectivos.

Fiquem atentos à área de trail no site da Prozis seguindo este link:


Trail Camp UTMB - Inglourious Basterds - Missão comprida!

Obviamente não vão perceber nada se não leram esta aventura desde o princípio. Cliquem aqui para lerem desde o início e não precisam de pagar mais por isso.


Dia 4 Refúgio de la Croix du Bonhomme  -> Chamonix

Era um dia de festa. Vejam pela cara de felicidade do Boelto. Acordámos mais tarde e saímos por volta das 8h30 depois de um pequeno almoço miserável. O dia era de descer. E descer foi o que fizemos durante 26Km, quase sem interrupção. Quem for fazer o UTMB já sabe que tem de os mamar a subir. E bem, que a parte final é bem dura. 

Arranca tudo do refúgio eufórico. É por aqui, olha as marcas! Rapidamente perco o track no relógio. Que raio? Ainda estava eu a tentar perceber porque raio não estávamos no track diz o Boleto lá de longe. Epá têm a certeza que é por aí? Não! Toca a voltar ao refúgio e a seguir pelo trilho correto. 



A .localização do refúgio como podem ver na foto é simplesmente incrível. Como era a descer ninguém queria levar os bastões na mão. Para quê? A resposta veio depressa. A neve era mais que muita por todo o lado. Do refúgio ainda se sobe um pouco antes de começarmos a descer. Cada vez mais neve aos 2500m.


Mas quando começamos a descer as coisas não melhoram. A neve abunda e começamos a ter de atravessar grandes troços inclinados, alguns muito inclinados. Em muitos locais é preciso extremo cuidado. Aqui e ali um bate cu, mas nada de grave. Nalguns sítios um pé em falso e a inclinação tratava de nos arranjar um triste final para a nossa aventura. O risco é bem avaliado por todos e meio a brincar, meio a sério lá vamos passando todas as zonas mais complicadas.  



Quando a neve começa a rarear vem a pedra escorregadia e por fim trilho para correr. Achei o trilho muito destruído pelo inverno. Os ribeiros invadiram os trilhos em muitas zonas e encheram tudo de cascalho, noutras zonas está completamente destruído. A montanha vai talhando a sua forma a cada ano. Descemos desenfreadamente e começamos a cruzar com muita gente a subir. Para além de malta do trekking com as suas enormes mochilas, também muita gente local que viaja mais ligeira, grupos de amigos, casais, famílias, grupos de pessoal a treinar. São às dezenas as pessoas com que nos cruzamos montanha abaixo, bonjour, hello, bom dia, oi, vou ensaiando várias línguas. A verdade é que não é fácil adivinhar a origem das pessoas com que nos cruzamos. Para quê usar o francês?

Depois de endireitar um pouco segue-se uma brutal descida para Notre Dame de la Gorge sempre num bosque e depois uma suave descida até Contamines. Em Contamines era hora de tomar o pequeno almoço porque aquela treta no refúgio não serviu mesmo para nada. Uma volta no supermercado e depois de repor as energias e tomar um grande café é tempo de seguir vale abaixo. Vamos em direcção a St. Gervais, 
Já extra TMB o track pertence agora exclusivamente ao UTMB. Recordo-me bem deste pedaço da prova, ainda feito ao final da tarde. Íamos descer até St. Gervais num carrossel tendencialmente descendente, às vezes. Em St. Gervais esperava.nos o ultimo pincel da etapa. Mais 900 metros quase verticais. Uma brutal descida no UTMB...
Mas ainda saboreávamos o cafézinho em Contamines quando vejo que o Boleto me tinha ligado. Mau!!! Devolvo a chamada. O Melo estava a piorar do joelho e tinham combinado que ele iria ficar mais para trás e apanhar um transporte na próxima cidade. Já estavam num local com muitas pessoas e habitações, estava tudo controlado. Ficámos com pena dos 2. Um coxo ia ter de abandonar, e o outro fazer o resto do dia sozinho, Mas estava tudo bem e esta zona é já bastante povoada, sempre com rede, aldeias e casas espalhadas pelo vale. Não haveria qualquer problema. 

Em St. Gervais, depois de uns pequenos desvios de rota e a descoberta de novos single tracks, parámos para almoçar. Encomendámos uma pizza que rapidamente foi o nosso almoço. Força para a subida que lá vinha.

A subida começa bem, bosques, casinhas, inclinação, cascatas. Falhamos uma entrada num trilho que mais parecia mato o que nos vai custar talvez quase 1 hora. Seguimos uma linha de comboio mas nada daquilo me fazia sentido. Lembrava-me que a descida para St. Gervais era sempre a pique. Depois de andarmos a tentar corta mato e esbarrarmos em paredes de rocha, decidimos finalmente o mais racional. Assumir o erro e voltar para trás até encontrar o track de novo. Só estávamos a perder tempo e não íamos conseguir atalhar de volta ao track.


Depois de assumirmos o erro e voltarmos atrás, tudo se recompôs. Encontrámos o track, retomámos a subida íngreme. Demasiado íngreme! E atingimos o colo. Ultimo colo!!!! YUUUHUUUHH!!!
Restava descer até Les Houches (nada de especial, 800m em 8 km...) e depois ir pela floresta junto ao rio até à meta.
Faltavam 2 surpresas. A primeira foi encontrar o Melo na descida. O que estás aqui a fazer pá?!?! Então não ias apanhar um transporte. Afinal sentiu-se melhor e começou a seguir as placas do TMB e a olho já ia ali. O TMB não vai a St. Gervais, mais o nosso atraso o bandido tinha-nos passado à frente. Depois de nos certificarmos que já se sentia melhor lá fomos andando. Tinha começado a chover e não havia jeito de parar.  A segunda surpresa estava à nossa espera no Hostel. O Sr. Boleto apanhou-se sozinho e resolveu seguir um trilho alternativo... claro que o GPS o mandou seguir o TMB que atalha caminho. Acabou por fazer exactamente o mesmo que o Melo fez, mas à frente dele. Com a nossa passagem em St. Gervais, mais o almoço de pizza, mais o engano, claro que já tinha chegado há muito tempo. Bandido número 2!


Mas para chegarmos à surpresa 2 faltavam-nos 8 Km de bosque carrossel. A vontade de correr lutava contra a vontade de acabar, e lutavam ambas contra a chuva que cada vez era mais forte. Os últimos 3 Km foram feitos já de raiva com o Turtles, non stop. Quanto mais perto estávamos mais as nuvens descarregavam, E como tudo o que é bom acaba depressa, acabámos também a nossa aventura. Só o tempo de esperar pela foto do grupo da praxe e lá fomos para o Hostel. Várias coisas em formato mega nos esperavam. Banho, jantar, bife, cerveja, Estava feita a volta ao morro lá do sítio. Que viagem e que aventura! 

E é chegada a hora da lamechisse, dos agradecimentos e do caneco. Dois gajos sem os quais isto não tinha sido possível; em primeiro o Luís Trindade que me ajudou no planeamento e na preparação do projecto. Foi uma ajuda um pouco espiritual demais, é um facto, mas fundamental para avançarmos com a epopeia. O outro gajo sem o qual isto não tinha sido possível é o meu fenix2. Quase 200 Km, 4 dias, um grupo de doidos, dependentes de uma cena da Garmin na montanha. É obra! Só nos assustou em Courmayeur e provavelmente devido a algum problema com o mapa da zona que tinha carregado. É que para além dos tracks tinha no fenix2 os mapas dos trilhos de toda a zona do Monte Branco. Obrigado por nos guiares companheiro. 

Last but not least, au contraire mes amis! A todos os que ousaram acompanhar-nos, as boas notícias são que para a próxima já não temos de levar o Trindade. Obrigado pela vossa confiança. Ainda bem que tudo correu ainda melhor do que o planeado. Estou a falar da cerveja claro :)

E vou desligar o modo lamechas. Esta viagem vai viver dentro de cada um de nós para sempre. Foi um prazer partilhar os momentos inesquecíveis que passámos juntos. Epa afinal não tinha desligado a lamechisse, Tá encravado!

Epá bazem daqui meus grandes cabeças de porco! Só sei que estou à vossa espera no final de Agosto na MBC em Chamonix, com um jarro de litro e meio de cada uma. Agora sim!

Cliquem para verem o mapa do dia 4

Cliquem para ver mais fotos do dia 4

Ainda aqui estão? Não me digam que querem saber porque dei este nome ao post? Ah não era por isso? Não faz mal. Vão ver o filme do Tarantino para poderem descodificar.

Alguns números finais:

4 dias
192 Km
10.500 D+
40h30m
3 refúgios de montanha
1 mochila de 20L e 8 Kg
1 par de ténis
1 mão cheia de amigos
Esqueci-me de contar os litros de cerveja.

Até à próxima aventura!

Trail Camp UTMB - Meio Monte já está, venha o outro meio!

Se não leu o início da aventura pode seguir por este link


Dia 3 Refúgio Bonatti  -> Refúgio de la Croix du Bonhomme

Acho que o Darth Vader nos visitou nesta noite… “Crrrrrr Crrrrrr”… “Boleto, you’re my son! The force is strong in you!” Eu não dei por nada. Protegi-me do lado negro da força com os meus tampões Yoda. Depois de uma etapa de descanso tínhamos novamente uma etapa bem dura pela frente e agora já era a 3ª. Resolvemos antecipar em 30 minutos a nossa saída. Alvorada às 5h para sair às 6h. Pedimos o pequeno almoço para as 5h30 e para nossa surpresa a resposta foi: Ok! Um pouco diferente da véspera.

Quando descemos esperava-nos um buffet em que nada faltava. Ao nível das instalações, do jantar e da simpatia de todo o staff. Que excelente impressão que nos causou o refúgio Bonatti. Só foi pena as nuvens taparem um pouco a magnífica paisagem que se tem do refúgio para o outro lado do vale. Fica para a próxima.

Calçar os ténis ensopados de véspera só foi desagradável até termos de passar novamente um riacho a vau cuja ponte tinha sido também levada pelo inverno. Saímos com o ligeiro atraso do costume. Plano do dia: iríamos até ao refúgio Bertone ao longo do magnífico vale glaciar sensivelmente sempre na cota dos 2000 m num simpático carrossel. Algum fresquinho matinal rapidamente ultrapassado com as primeiras tiradas a correr. 


Era um dia decisivo para o nosso grupo da retaguarda. Até Courmayeur a viagem era pacífica e esse seria o ponto de não retorno. De Courmayeur, Chamonix está do outro lado do Monte Branco e basta atravessar o célebre túnel que passa por baixo da montanha. Não me pareceram com vontade de abandonar a volta mas era certo que começando a subida de Courmayeur os pontos de abandono e de regresso a Chamonix iam reduzir e complicar-se.


Chegados ao refúgio Bertone e recolhidas algumas fotos da cidade quase mil metros mais abaixo, iniciamos a monumental descida. Recordo-me bem da dureza desta subida no UTMB. Mas a descer foi num fósforo que chegámos a Courmayeur. Obviamente tínhamos de parar para tomar um café, levantar algum dinheiro e publicar qualquer coisa no Facebook já agora.



Íamos iniciar as 3 ascenções do dia: Arête du Mont- Favre (2421 m), Col de la Seigne (2509 m) e Refúgio de La Croix du Bonhomme (2455 m). Estávamos aos 1200 m. Siga que se faz tarde.

Não sei porque saímos feitos parvos do café, sem sequer procurar qualquer indicação. Estava em curso um erro de navegação grave que nos iria custar mais de 1 hora de viagem. Como habitual olho de relance para o mapa no relógio e confirmo que o caminho é em frente. Seguimos à conversa cidade fora. Vou olhando de relance para o relógio e o percurso continua sempre em frente. Quando começo a estranhar o percurso e percebo que estamos a sair de Courmayeur e nos dirigimos para o túnel do Monte Branco percebo que algo se passa. O relógio parecia bloqueado, daí o percurso estar sempre em frente. Na realidade como percebi mais tarde deveria haver algum erro no mapa da zona que estava a tornar o relógio ridiculamente lento. Os reboots não estavam a resolver o problema. Sempre que carregava o mapa com o percurso o relógio quase que bloqueava.

Ainda na véspera tinha tentado passar os tracks para o fenix 2 do Ricardo porque era brincar com o Murphy 5 doidos numa montanha dependentes de um único Garmin. E o Murphy apareceu mesmo. Felizmente estávamos ainda nos arredores de Courmayeur e quem tem boca vai a Roma…. ou não. Lembrava-me vagamente do percurso do UTMB, da chegada e Courmayeur e da saída do abastecimento e definitivamente não estávamos no percurso certo. Pouca gente havia para ajudar mas finalmente lá consegui comunicar com um italiano que nos enviou para o percurso certo. Basicamente teríamos de voltar ao centro da cidade, quase onde estivemos a tomar café, para nos dirigirmos para a estação de teleférico correcta e iniciarmos a subida. Nada a fazer. Toca a correr para recuperar o tempo perdido. Nesta brincadeira de ir e vir metemos mais 6 Km no bucho.

Retomado o trilho e depois de passamos o local do abastecimento de Courmayeur começamos a subir. Uma descida brutal durante o UTMB. Desta vez íamos provar a subida. 800 m em 4 Km…. 20% de inclinação média!!! Isto só até ao primeiro patamar. A seguir ainda faltavam 400m um pouco menos agrestes. O dia, contrariamente ao previsto estava um espectáculo. O sol forte sem nuvens no céu a fazer estragos. Que dureza de subida. Felizmente rapidamente entramos na floresta e a subida é feita à sombra.

Às tantas o Turtles que seguia um pouco mais acima começa a gritar eufórico. Boleto!!! Melo!!! E não é que era mesmo verdade. A nossa paragem juntamente com o engano tinham dado tempo suficiente de eles nos passarem. Seguimos juntos um pouco mas procurávamos já um local para refrescar a goela. Os poucos locais que encontrávamos na subida estavam fechados. Quando por fim encontrámos um café para beber umas jolas já não deu tempo de eles nos apanharem. Ainda deu para lhes fazer adeus ao longe ao sairmos e retomarmos o percurso.


Próximo objectivo, Arête du Mont-Favre. Acima dos 2000 m a neve intensifica-se e começa a cobrir grandes partes do trilho. A subida faz-se ao ritmo de rimas ao desafio. A paisagem é brutal. Vê-se o vale do Lago Combal para onde vamos descer em seguida. Depois de chegarmos à zona do Lago Combal é tempo de almoçar. No meu menu era Pasta Bolonhesa…. fria, claro. Soube que nem mel e alimentou-me. Já tinha a barriga a dar horas mas as refeições desportivas da Decathlon são excelentes para estas ocasiões. Valeu a pena carregar o peso extra.


O dia estava quase feito. Faltava subir um pouco mais do que tínhamos acabado de descer, passar o Col de La Seigne, fazer uma brutal descida e uma brutal subida. Pffff!

O vale Ferret é brutal, Totalmente selvagem. As marmotas faziam a sua vida do dia a dia. Uma recusava-se a fugir quando passámos ao lado dela. Outras lutavam, não percebemos se era alguma discussão conjugal. A neve intensificava-se novamente à medida que nos aproximávamos do colo. Mas desta vez o dia de sol dava-nos o alento necessário para desfrutarmos do momento.





Passado o colo estávamos de novo em França. Arrivederci Italia. Bonjour France. Toca a acelerar, 900m sempre a descer. Passamos vários grupos a subir. Objectivo, tomar uma cerveja em Le Chapieux antes de enfrentar a tenebrosa subida final do dia. 900m. Aos 2500 m esperava-nos o nosso oásis do dia. O refúgio do col de la Croix de Bonhomme. O dia tinha sido longo e esta longa subida era das duras de roer. 900 m de ascensão em 6 Km. Mas era a ultima do dia. Um banho e um jantar à maneira esperavam por nós. Que alento.

Dividimo-nos em 3 grupo. O Luis Matos segue na frente uns patamares acima, eu vou com o Turtles e o Trindade e o Ricardo vêm num ritmo mais tranquilo. Por volta dos 2300 m o céu começa a fechar-se, as nuvens enegrecem. As primeiras gotas grossas abrem caminho ao que lá vem. O trilho começa a ficar perigoso com muita neve. Ribeiros correm por baixo da neve o que mete algum respeito. Não queremos parar para vestir os impermeáveis. Vemos o refúgio pela primeira vez lá no alto. Parece perto mas não está. Aceleramos, dentro dos possíveis. É preciso chegar. Nos últimos metros a coisa agrava-se de forma exponencial. Apanhamos o Luis Matos. Levantou-se uma ventania terrível e começa a chover a sério. Mas o abrigo está mesmo ali. Entramos mesmo na hora H. Uma tempestade vinda do nada tinha acabado de aterrar. Enquanto tratamos de dar entrada e trocar os ténis por croques chega o Trindade e o Ricardo já tipo pintos com os impermeáveis vestidos.


O refúgio é selvagem e tem uma vista incrível. Lá fora a tempestade não dá tréguas. Há algumas falhas no refúgio. Só a sala no rés do chão tem uma temperatura agradável. A área dos quartos é gélida, Os quartos são gélidos. Não há luz nos quartos devido a um problema qualquer. Também só há rede lá fora..."vai lá tu". Ainda assim o refúgio tem algo de aconchegante: a paisagem, o local ermo e remoto, os édredons do quarto...

Só nos faltava esperar pelo team vassoura, Ainda tentámos contactar e enviar SMS's a avisar que lá em cima as condições estavam beras mas, soubemos depois, já tinham iniciado a subida e estavam sem rede. O jantar foi uma excelente e farta carbonara bem regada! Fez esquecer tudo o resto. Mal tivemos tempo de fazer apostas na hora a que iam chegar... e o Turtles ganhou, chegaram 3 minutos antes das 21h. Aliviámos a ansiedade da espera com uma festa aos nossos heróis que ainda tiveram direito a uma salva de palmas de toda a sala de jantar do refúgio e a um jantar romantico à luz das velas. É assim, os últimos são por vezes os primeiros.

Há pouco para fazer aos 2500 m de altitude. Enroscar-me num édredon quentinho, num lençol saco cama de seda é uma das melhores opções. E quentinho dormi.

Cliquem no símbolo do Garmin Adventures para verem o percurso do dia com as fotos geo referenciadas nos locais onde foram tiradas.


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