Maratona do Porto 2014 - Celebrando a melhor e maior Maratona de Portugal



Com a desculpa de ter feito a minha melhor maratona aproveito para escrever um pouco sobre este ritual que é a Maratona do Porto.

A Maratona do Porto não é igual a nenhuma outra Maratona. Desde logo porque envolve ir ao Porto e muito por culpa da organização essa viagem não é como nenhuma outra viagem.

A Maratona do Porto é como um cabaz de Natal cheio de iguarias. Tem 42 195m como todas as outras, é um facto, mas tem muito mais coisas que só existem aqui. No dia em que faltar uma delas se calhar a Maratona do Porto passa a ser como qualquer outra Maratona e depois olha, se calhar vai-se, ou talvez não. Mas falemos do cabaz chamado Maratona do Porto.

Para se ir fazer a Maratona do Porto tem de se ir nos autocarros que a organização gentilmente subsidia aos mouros e que a Ana Pereira organiza de forma exemplar. Também me armo em organizador de coisas (pequenas e não desta dimensão) por isso sei a trabalheira que é lidar com centenas de pessoas, pagamentos, mails, duvidas, problemas, etc. Para quem vai parece fácil, mas sei que não é.
  
Obrigado Maria sem Frio nem Casa. Se não houvesse autocarros, para mim já não era a mesma Maratona. Espero que a organização continue a pensar como eu. Talvez um dia tenham de ser comboios ou aviões, mas a lógica é a mesma. Uma viagem descansado, à conversa, rever amigos, conhecer outros, indispensável no pacote.
Depois o Hotel Tuela e de um modo geral o grupo HF Hotels, pois acredito que tenham todos a mesma orientação estratégica. Há vários anos que fico no Tuela, (mas acredito que podia ser o Fenix ou outro qualquer). Simpatia, eficiência, preço justo e acima de tudo não se pretende “ordenhar” os atletas. A política de late check out até ás 15h demonstra que o grupo compreende as nossas necessidades. São estes pequenos gestos que fazem a diferença. Bem hajam, voltarei e espero que mantenham sempre esta orientação.
Por fim reencontrar os amigos e passar bons momentos, quer no jantar pré-maratona, quer no almoço pós-maratona. Este ano o almoço extravasou um pouco com uma enorme celebração das 50 maratonas do António Guerreiro e se o autocarro não saísse ás 17h da Rotunda da Boavista….

Mas são estes momentos únicos que ficam gravados e que também fazem parte do cabaz: Amigos + Endorfinas + Lello, Uma palavra também para o Restaurante Convívio que fica mesmo em frente ao Tuela e onde fomos muito bem recebidos. Às vezes não é preciso ir muito longe.

Por fim a razão de tudo isto, a Maratona. É bom ver que a Maratona do Porto é agora a maior Maratona de Portugal. Bairrismos à parte, a organização tudo faz para isso. Sempre uma atenção com um preço especial para os early adopters ou os maratono-dependentes (já vai nos 20€.... comportem.se!). Depois leva-nos de autocarro, oferece-nos uma pasta party que é logo onde começa o convívio e o reencontro de amigos, até singelos mimos como café e chá na partida e cerveja na meta. Dizia eu que estes mimos fazem a diferença porque tudo o resto já é de nível excelente.

"E para mim é este o cabaz da Maratona do Porto. É importante que nenhum destes ingredientes falte para que a receita funcione"


Quanto à maratona em si e a história da que foi a minha 13ª resume-se muito facilmente. Melhor tempo de sempre para o cota, com 3h12m. Assim a modos que 4m31/Km de média. Umas palavras para aqueles que acham que este tempo vale alguma coisa (sem desrespeitar ninguém pois cada um tem os seus limites e objectivos).

Depois do UTAT e se tudo estivesse bem, a minha ideia era encaixar nas ultimas semanas de um plano de treinos e fazer umas séries e uns treinos longos. Como todos os bons planos, este não foi cumprido. Claro que as desculpas eram de boa qualidade, sendo a ultima uma contratura num adutor num treino de séries de 2Km que me fez parar uma semana para massagens de Voltaren. Ainda vi a coisa mal parada mas a minha massagista pessoal esteve à altura. Tirando a habitual rotina de treinos semanais só houve mesmo tempo para descansar, ir à meia da Moita dar um arzinho de corrida e depois ir a Almeirim testar ritmos e perceber que poderia tentar fazer algo de jeito.
Há muitas estratégias para se correr uma maratona. Correr a primeira parte mais controlada e fazer a 2º mais rápida (negative splits), já fiz uma assim; correr sempre ao mesmo ritmo tipo relógio suíço, já fiz uma assim. Depois há também a estratégia que usei. Sabia que sem grandes treinos longos não ia conseguir manter um ritmo constante até final. Inevitavelmente iria quebrar por volta dos 30 ou antes.Assim e dado que no Porto os primeiros 7Km são a descer, a tática passava por rolar nos 4m20/Km e chegando cá abaixo tentar manter abaixo dos 4m30 o máximo possível. Depois era esperar que não estoirasse ou estoirasse o mais tarde possível.

O plano foi mais ou menos cumprido. Arranquei com o Zé Santos e com o Paulo Martins. O Zé ia tentar seguir comigo enquanto desse. O Paulo queria fazer uma média de 4m45 mas rapidamente se juntou à festa. Arrancámos à frente do balão das 3h15 e nunca o vi a não ser pelas costas. Cá em baixo em Matosinhos junta-se o João Paulo Maia que ia para 3h30 ou mais se não aguentasse. Até ao Km 17, 18 tudo estava a correr como pensado. Já cá em baixo sucediam-se os Kms a 4m26, 4m27. O grupo ia unido. So far so good, como diria o optimista a cair de um prédio de onde se atirou. O Paulo Martins dançava à nossa frente e corria de costas, mas a euforia estava perto do fim. O Zé foi o primeiro a descolar do grupo ainda antes da meia. Depois descolou o João Paulo e por fim o Paulo Martins. O Nuno Neves que também se juntou a nós com o João Paulo Maia mantinha-se rijo e fazia-me companhia. 
A meia foi feita com 1h34, uma boa marca que poderia dar 3h08 em modo relógio suíco. Curiosamente a estimativa que o meu Fenix 2 tinha dado após Aleirim para o tempo à Maratona. Como não era dia de relógio suíço não me deixei impressionar. Aquele tempo à meia não iria apenas duplicar no final. Restava saber qual era a fatura a pagar.

No regresso de Gaia vi o balão das 3h15 quando dei a volta. Estava demasiado perto. Pensava que lhes estivesse a dar 4 ou 5 minutos mas não. Que estranho. Antes ainda de voltar a passar a ponte deixo cair a garrafa de água e como ia precisar dela depois de tomar o gel, baixo-me para a apanhar e saltam umas cãibras nos gémeos. Mau!!! Com calma recuperei. O Nuno ajuda-me a segurar na garrafa enquanto tomo o gel. Depois do tunel por volta do Km 33 o Nuno fica ligeiramente para trás. Faltam já menos de 9km e agora é o costume. Cerrar os dentes e enquanto o corpo der, vai dar. Ainda consigo meter 2 Kms abaixo dos 4m30 e fico impressionado.

Por volta do Km 35 ,naquela zona onde estão uns putos de cabeça cheia a fechar a noite num bar com musica a bombar está uma senhora que me diz assertivamente, daqui para a frente é só cabeça. E é daquelas coisas que precisamos de ouvir embora saibamos que são verdade. E aquelas palavras ecoaram durante uns tempos. O cansaço é enorme a agarramo-nos a tudo. E sem grandes problemas físicos dava a ordem ao corpo. Ouviram? A cabeça diz que é para manter o ritmo. SIGA!!!!

Passo o Pedro Pires que me incentiva e me elogia o esforço. Ao km 40 as cãibras ameaçam aparecer. Pareço o pirata das pernas de pau a correr. Não vai ser agora raios! Faltam menos de 10 minutos. A cerveja fresquinha está à espera. Não sei o tempo que vou fazer. O corpo e o cérebro já estão em serviços mínimos, Olhar para o relógio e mudar para o écran do tempo e fazer contas está fora de questão. Será provavelmente um bom tempo. Chegar! É preciso chegar. Consigo afastar as cãibras, reduzo um pouco o andamento. Tudo é melhor que parar agora. Sem dores e um pouco mais lento sigo nos 4m40 e subo a avenida da Boavista.

Está feita a 13ª e bem feita. Viro à esquerda e olho para o relogio na meta 3h12! Eh Lecas! Belo tempo. Festejo a chegada como deve ser e está feita a minha melhor maratona. Agora era só beber umas enquanto iam chegando os muitos amigos e o corpo não arrefecia. Foi uma grande maratona. A estratégia resultou e o record caiu. Um dia tenho de treinar a sério para fazer a maratona! 

Parabéns a todos, e foram muitos, os que se estrearam na melhor maratona do país. Boa escolha. Uma palavra para o Luis Canhão, finalmente maratonista, now you know it! Agora é sempre a melhorar.

P.S. O meu fenix 2 diz que valho 3h07 na maratona. Um dia vou-lhe dar razão. Um dia...

Myprotein - Exceed - (More) Power to the People!



Recentemente fui contactado pela Myprotein para experimentar um dos seus produtos. Nem de propósito já tinha “tropeçado” nesta marca quando andei à procura de Maltodextrina para fazer algumas experiências na fabricação de gel energético caseiro. Tinha encontrado na Amazon inglesa a um preço excelente mas nenhuma das lojas enviava para Portugal. Acabei por encomendar de outra loja sem saber que a Myprotein afinal já está a operar em Portugal.

A Myprotein foi criada em 2004 e é atualmente a maior marca de suplementação desportiva, nao só no Reino Unido como também na Europa. Foi adquirida em 2011 pelo The Hut Group e, desde entao, tem crescido rapidamente no território europeu. O site portugues foi lançado recentemente, há menos de 2 meses.

Assim, quando me contactaram foi com expectativa que aceitei a proposta. E a escolha recaiu num dos produtos que à partida não está muito ligado à corrida: Exceed.

Tomo alguns suplementos, não muitos, e não sou muito disciplinado nos que tomo. Prefiro apostar numa alimentação variada e equilibrada. A exceção é a Glucosiamina, alguns recuperadores pós treino (quando me lembro), ZMA quando a carga aumenta ou nas vésperas de grandes desafios e poucos mais.

Exactamente 1 mês depois do UTAT estava no calendário a maratona do Porto. Não ia haver grande possibilidade de treinar mas talvez o Exceed ajudasse nos poucos treinos que teria de fazer. Sem grande rigor científico, melhor dizendo, sem qualquer rigor científico, várias vezes usei o Exceed antes de iniciar os treinos neste ultimo mês. Principalmente nos poucos treinos mais fortes que realizei. No próprio dia da maratona usei o Exceed. O Exceed tem uma série de ingredientes que ajudam a reduzir a fatiga e aumentam a produção de energia. 

Em cada dose de 20g, 10g são BCAA’s!

Aqui fica a composição por dose de 20g:

Energia (kj): 298 
Energia (kcal): 71.2 
Proteína (g): 17.4 
Carbohidratos (g): 0.4
dos quais açúcares (g): 0.1 
Gordura (g): Nulo

Também contém:
Aminoácidos de cadeia ramificada (2:1:1) (g): 10.0
Glutamina (g): 3.4
Malato de citrulina (g): 2.3
Beta alanina (g): 1.7
Eletrólitos (mg): 800
Vitamina B5 (mg): 10.5

A energia terá de vir do vosso corpo ou de outro suplemento. Eu pessoalmente e numa fase de redução de peso gostei do Exceed. Nos treinos mais intensos o corpo respondeu bem e sem duvida que ajudou no processo de redução/manutenção de peso que passei. 

Não me vou alongar na análise da composição do Exceed. Usem o Google.

Uma nota apenas para a beta alanina que provoca uma sensação de formigueiro à flor da pele, sobretudo nas mãos, nos picos de esforço mas que rapidamente desaparece. Isto não tem qualquer problema. 300g de peito de perú têm exactamente a mesma quantidade de beta alanina que 1 dose de Exceed. Acho piada ao frisson :)

O Exceed é fácilmente solúvel em água e tem um sabor forte (Berry Blast - Frutos vermelhos) mas que não me desagrada. 

Será que o Exceed ajudou na recuperação pós UTAT e na excelente prestação que consegui na Maratona do Porto (record pessoal de 3h12)? Uma coisa é certa, mal não fez e acredito que a forma vigorosa com que acabava alguns treinos duros me deu a confiança para apostar numa estratégia de fazer a maratona a um ritmo forte. 

Não tenho grandes termos de comparação no mercado nacional dado que opto muitas vezes por comprar suplementos no mercado americano, mas os preços parecem-me bastante interessantes. No caso do Exceed, uma embalagem de 600g dá para 30 vezes sainda a cerca de 1€ cada utilização. 

Nas palavras de Marcos Sabino, o que distingue a Myprotein da concorrencia é a vasta gama de produtos que coloca a disposição dos consumidores, focando-se não apenas nos praticantes de musculação como também nos praticantes das outras modalidades, assim como o indivíduo que não pratica desporto regularmente mas que, ainda assim, quer viver um estilo de vida saudável.
A maioria das marcas de suplementação normalmente foca-se apenas numa vertente: ou musculação, ou produtos para endurance, ou produtos para saúde, etc. A Myprotein oferece, para além dos produtos considerados habituais, frutos secos, comidas saudáveis, farinhas saudáveis para cozinhar, cafés e bebidas ricas em proteína, refeicoes praticas, etc.

Para testarem o Exceed ou da próxima vez que forem às compras dêem uma espreitadela em pt.myprotein.com e comparem os produtos. Creio que a Myprotein poderá ter o que procuram.


Suunto Ambit 3 Sport - Crónica de uma review

The beginning!




O local era Oukaimeden em Marrocos, Alto Atlas. A 2675m de altitude no albergue mais alto de Africa, de seu nome Chez JuJu, o team tuga que foi ao UTAT aguardava pela chegada da refeição. Não estava previsto almoçar em tão "requintado" local, até porque os preços são um pouco abusivos face à concorrência, ou antes à ausência dela. Prefiro sempre uma genuína tasca marroquina, mas o facto do wifi estar fechado no nosso albergue este ano, serviu de engodo e a trupe há 1 dia sem net já estava a salivar para estar online. 

Depois de 1 reboot ao router do albergue a net lá começa a bombar e à velocidade de um caracol (há que partilhar com outras dezenas de clientes) os facebooks lá se vão actualizando. De repente chega o mail que deu origem a esta review. O meu contacto da Amer Sports Espanha diz-me que tem um Suunto Ambit 3 para eu testar e se estiver interessado em analisar e escrever um artigo no blog é só dizer. Uau! Sem querer comparar-me com aquele pessoal que de facto tem algum valor, mas que só é reconhecido lá fora, é um pouco isso que se passa aqui. Desse modo agradeço à Amer Sports a amabilidade e o reconhecimento e espero continuar a merecer a vossa confiança. Pelo minha parte aqui vai o que tenho a dizer do Ambit 3.

Início da coisa

Despachado o UTAT mal tive tempo de regressar ao trabalho, pois o Ambit quase chegava primeiro que eu. A minha ideia inicial era fazer uma comparação com o Fenix 2, um duelo que permitiria eleger o melhor dos relógios com GPS da actualidade. Mas ao analisar melhor o Ambit 3 percebi que não faria sentido tal comparação. Na realidade há vários Ambits 3, vários sabores por assim dizer:
Suunto Ambitt 3 Peak
o Ambit 3 Peak, o Ambit 3 Sport e depois mais uns sabores com vidro de safira e cores, que para o caso não interessam. O safira obviamente o mais caro de todos e os de cores para pessoal colorido pois claro (na realidade são apenas 3 cores, preto, branco e azul)

Suunto Ambit 3 Sport
A questão aqui é que as diferenças, não sendo muitas entre o Peak e o Sport, são suficientes para tornar injusta uma comparação com o Fenix 2 feature a feature, com classificações etc. Assim sendo, o capítulo da comparação olho por olho está encerrado. Não quer dizer que não os compare, mas não vai haver um claro vencedor ou provavelmente um melhor que outro. O concorrente directo do Fenix 2 é o Suunto Ambit Peak. O que me enviaram para analisar é o Suunto Ambit Sport.

A minha ideia com esta review é então fazê-la ao jeito de quem conta uma história. Só para ser diferente e vos obrigar a ler que é uma coisa muito importante e saudável. Se querem respostas rápidas e classificações vão ter de ir a outro site. Aqui vão ter de penar. Ainda por cima é uma crónica, por capítulos, para vos entreter que a vossa vida anda um pouco por baixo para estarem aqui a estas horas a lerem análises de relógios com GPS.

Primeiras Impressões

Estava obviamente super curioso para conhecer o Ambit 3. Depois de ter testado o Ambit original, enviado pela própria Suunto de propósito da Finlândia e do Ambit 2 ter ficado um pouco aquém do que um produto 2.0 merecia, já sabia o que o 3 trazia de novo, mas apreciar ao vivo e com a responsabilidade de testar e reportar, tem outro sabor,

Ainda sem saber as diferenças entre os vários Ambits 3, depois de o colocar no pulso, pensando que era idêntico ao Fenix 2 a primeira impressão foi excelente. A Suunto fabrica excelentes relógios e o Ambit 3 Sport é nesta encarnação um produto altamente refinado. De toque suave, o acabamento fosco mate da caixa é um mimo. No pulso, tirando a antena GPS que faz o relógio não assentar perfeitamente no pulso (pelo menos no meu encavalita um pouco mas nada que não se habitue), é perfeito. Claro que é um relógio com um grande mostrador, mas para quem anda com um Fenix 2 diariamente não há nada de novo aqui. O que há de novo é que o Ambit 3 Sport não tem a mesma bateria do Ambit 3 Peak (nem do Fenix 2). Assim a Suunto consegue fazer um Ambit 3 com metade da autonomia do Ambit 3 Peak  (e do Fenix 2) mas, muito importante, um pouco mais leve e sobretudo um pouco mais fino. Notem as diferenças:


Peso:
         Ambit 3 Peak  - 89g
         Ambit 3 Sport - 81g
         Fenix 2            - 85g

As diferenças podem parecer insignificantes, mas não são. O Ambit 3 Sport é 10% mais leve e 14% mais fino que o Ambit 3 Peak.

É claro que isto não será um factor decisivo na aquisição, mas se não precisam dos extras do Peak então asseguro-vos que o Sport é bem mais interessante até porque custa menos 20% que o Peak (valores de tabela com cinta HRM).
Claro que o vosso pulso vai sentir a diferença pois o Sport é bem mais elegante e confortável. É uma das coisas que noto em comparação com o Fenix 2, que deve ser muito identico ao Peak  em termos de espessura.

Acho que esta estratégia da Suunto é muito acertada. Segmentou o produto, pois nem toda a gente precisa de 15h de autonomia e de barómetro (Peak) e consegue atingir mais clientes que se calhar iam torcer o nariz a usar um relógio tão grande para fazer apenas umas maratonas ou umas provas de trail mais curto. O Sport tem 8h de autonomia no modo 1seg de dados de GPS (ou seja GPS sempre ligado) que é mais do que suficiente para a maioria das pessoas.

Que diferenças há mais entre os 2 modelos? A Suunto responde neste link. Em resumo todas as diferenças se resumem a três coisas. O Peak tem uma bateria com o dobro da autonomia, tem um barómetro atmosférico e um sensor de temperatura.  Se não precisam destes extras o Ambit 3 Sport poderá ser o relógio que procuram e só têm de continuar a ler os próximos capítulos para o saberem.

Stay tuned....!

UTAT 2014 - Disseminação!



Em 2012 juntamente com o Luis Canhão descobri o UTAT, Foi uma revelação. A história dessa prova está neste post. Foi a maior aventura da minha vida, vi jeitos de ficar ali na montanha, sofri com o frio, com a dureza das subidas, com uma descida tenebrosa sem fim, mas tudo foi superado. 
E quando nos esquecemos das partes más, fica uma vontade enorme de mostrar aos amigos os tesouros que há no Atlas. Não têm qualquer valor financeiro, o que os torna inestimáveis e muito mais valiosos.

Esta nova viagem ao UTAT surgiu de uma negociação duríssima com o Luis Trindade. Bora fazer a TransGranCanária que depois vou ao UTAT. Bora! E foi assim. 

Depois foi só juntar o maior número de amigos possível. Queria passar a mensagem, quantos mais melhor. Nesta prova é possível conhecer um pouquinho de um país fantástico e quebrar alguns mitos, preconceitos e julgamentos errados sobre o que é Marrocos, obviamente apanhando pelo caminho um brutal e gigantesco empeno, com uma passagem aos 3660m de altitude e mais umas quantas acima dos 3000m. Desenganem-se os que pensam que o UTAT é uma prova vulgar, igual a tantas outras que temos aqui na Europa. Ah e tal 6500 D+, já fiz esta aquela e a outra. Desenganem-se. O Atlas vai cobrar o seu preço e só os mais fortes o vencerão. O tempo máximo de 36h denotam uma aposta da organização em que o maior numero de pessoas acabem a prova. E parece-me acertado dado que este ano em 112 participantes só houve 2 desistências. Chamam-lhe a mais dura prova naquela distância. Se não fôr verdade estão muito perto disso.


Assumi o risco de organizar, tanto quanto possível, uma viagem que ficasse gravada para sempre na memória dos amigos que nos quisessem acompanhar. Voo directo de Lisboa com regresso via Marrakech e pernoita num Riad tão bom quanto em conta. Passear na medina para limpar o ácido lático que restasse, comprar recuerdos para as Marias e para os Manéis e regressar ao lar sem problemas de maior ao fim de 6 dias/5 noites; umas mini-férias.

Não vai ser esse registo que vão aqui encontrar. Estes dias que passámos são património de cada um. Até porque seria exaustivo e aborrecido resumir por palavras tudo o que passámos e nos divertimos. 

Mas quanto à prova vou deixar-vos um pequeno resumo do que é regressar ao UTAT 105Km.

Há 2 tipos de pessoas que gostam de correr em montanha. Os que ainda têm de ir ao UTAT e os que já foram ao UTAT. Dento deste ultimo tipo temos ainda os marados que regressam novamente para um 2º round (diria casmurros). Engraçado como só me comecei a aperceber da loucura que é regressar ali, quando nos abastecimentos me diziam o que vinha a seguir e eu respondia que já sabia pois já tinha feito a prova. Invariavelmente perguntavam-me se não tinha sofrido o suficiente da primeira vez. E de facto ia-lhes dando cada vez mais razão à medida que progredia na prova.

Depois de um começo calmo quanto baste em que tentei chegar com o Paulo Martins o mais fresco possível aos 30km, que é  onde efectivamente começa a prova, enfrentámos a 1ª subida a sério. Dia muito agradável depois de ter conseguido passar aos 3100 metros ainda sem o sol nascer e só de t-shirt. Foi uma excelente estratégia. Nem sei como suportei a ventania horrível e gelada naquele primeiro pico, mas o certo é que a coisa acalmou e ali estávamos nós a subir forte e feio após cerca de 4h. 

O Paulo começa a quebrar e a ir-se abaixo, tonturas, vómitos e eu começo a ver o caso mal parado. Falta muito para acabar a subida pergunta ele aos 2000m. Fingi que nem ouvi a pergunta pois aguardáva-nos subida por mais 2h30, Cada vez mais difícil progredir e depois de pararmos algumas vezes não tive outro remédio senão deixá-lo ali a recuperar. Com uma bela vista e uma boa sombra a pretegê-lo do forte sol que se fazia sentir no vale. Contrariado e triste segui sozinho, Era o primeiro revés da nossa aventura.

Sentia-me forte, os pés a acusarem algum desgaste mas fisicamente estava muito bem. Apenas uma queda em que me recordei que não se deve correr com aneis pois podem prender-se em qualquer sítio e arrancar ou cortar facilmente um dedo. Chego ao Km 68 em pouco mais que 30º lugar e com menos 2h do que em 2012. De facto estou bem melhor. Peço ao podólogo para me dar uma vista de olhos nos pés. Seca-me uma bolha com um produto que não fixei o nome, liga as zonas mais massacradas com tape e fiquei fino. Arranco para a subida dos 3660m como novo, Mantive as 2 horas de diferença e ia fazendo contas. O percurso começa a parecer-me diferente de 2012. A princípio atribuí ao facto de em 2012 ser já de noite quando comecei a subir e este ano ainda dar para ir ver o pôr do sol lá em cima, coisa que nunca imaginei possível. Estava deveras surpreendido e embora soubesse que faltavam apenas 37Km de prova, teriam de ser calmamente feitos em 12h ou perto disso. Mas ainda o dia era uma criança...

Ataco a subida determinado a ver o por do sol lá em cima. Decididamente não reconhecia aquele vale. As paisagens eram de cortar a respiração. Sigo já na minha posição quase definitiva, afasto-me lentamente de companheiros mais lentos a subir mas não vejo ninguém mais acima. Não via, porque de repente alguém a descansar pergunta, Pires?
Era o Trindade que estava a descansar. Depois da felicidade de encontrar alguém para falar ao fim de 7 horas, fiquei preocupado. A pouco e pouco fui-me apercebendo que o Trindade não estava bem e como estava fora de questão, nesta altura, abandonar um companheiro em dificuldades lá seguimos juntos.
Esperava-nos uma das partes mais duras da prova. A duríssima ascenção aos 3660m seguida da irracional descida de pedra e cascalho solto com uma inclinação pouco razoável e que se prolongaria durante 2000m D-

O estado do Trindade agravava-se e não estava a ser fácil progredir. A ideia seria ir até Imlil, o 3º abastecimento da prova, aos 88Km. Também da minha parte, não sei se apenas pela descida ou pelo ritmo lento e paragens contínuas, os meus pés começaram a sofrer mais do que o desejável tendo torcido várias vezes o tornozelo que já vinha frágil da subida Loriga Estrela-

Nisto, do nada surge o Paulo Martins. Vinha cheio de pica, já tinha levado pontos na canela no PC aos 3500m e tinha renascido para a vida. Lá lhe expliquei que seguia com o Trindade e acabou por seguir mais rápido.

As 6 horas estimadas para chegar a Imlil transformaram-se em 8h. Em Imlil e depois de ter de tratar novamente dos pés aparece o Sérgio Cacheirinha. Traz más notícias. Deixou a Paula Penedo no Km50 totalmente infeliz. Ia abandonar e viu-se forçado a seguir sozinho. O Trindade opta por ficar a descansar mais um pouco e seguir depois com o Sérgio e eu que só queria ver o fim à coisa meto-me ao caminho. Estes 17Km seriam feitos em 4h30 muito por culpa dos 1400 D+ mas também dado que já ia muito massacrado dos pés. Já não estava a desfrutar da prova há muito tempo.

Ainda assim foi possível fazer a prova em 25h18m tirando 1h30 ao meu tempo de 2012. Teria sido possível fazê-la em menos de 23h mantendo-me nos 30 primeiros, se tivesse sido possível manter o ritmo? Quem sabe...

De qualquer forma, depois de tanta preparação e planeamento, para mim todos os objectivos foram largamente superados, o ultimo dos quais aconteceu já ao final da tarde quando a Paula Penedo entra no quarto e surpreende toda a gente quando anuncia que tinha acabado de cortar a meta. Estávamos convencidos que tinha ficado no Km50 mas qual quê. Quando recuperou a calma decidiu acabar o que tinha ali vindo fazer. E mais nada! Meteu-se ao caminho e ainda bem. Todos tínham superado os 105Km, todos tinham conhecido e vencido o Atlas.

O meu objectivo tinha sido atingido. Sei que não terá corrido da melhor forma a todos, eu incluído, mas globalmente a viagem de descoberta do Atlas foi um enorme sucesso. Acredito que todos adoraram ir fazer o UTAT e que nunca esquecerão estes dias fantásticos que passámos, a generosidade e simpatia dos marroquinos e dos berberes, a excelente organização, a boa comida, as parvoíces e as galhofas, os boches, os douradinhos e outras palermices semelhantes, as quinquelharias marroquinas, o chupa chupa Maria, o mestre Massoud especialista em telemóveis, e tudo o resto.

Agora sei que mais alguns compreendem porque esta prova me marcou tão profundamente. Voltaremos?

Para além de algumas das fotos da viagem que podem ver neste link aqui ficam algumas fabulosas imagens. E vocês? Atrevem-se a desafiar o Atlas?




Hey fenix! Sync my fitness!


Há algo de mágico no sincronismo automático de dados entre aplicações ou sites. Então se houver aparelhos que se sincronizam entre si para manter todos os vossos dados interligados é irresistível. Há poucos dias reparei qua a Garmin tinha feito uma parceria com a myFitnessPall, uma app de contar calorias, para que o Garmin Connect e o myFitnessPall partilhassem informação entre eles. O Connect diz ao myFitnessPal o exercício que fizeram e o o myFitnessPal diz ao Connect o que comeram. Depois cada site integra esses dados e tem em conta as calorias que comeram e que gastaram.

Com o ultimo update para o Fenix2 a ligação bluetooth estabilizou. O sincronismo automático está a funcionar na perfeição entre o meu Galaxy S4 e a App do Garmin Connect. Fiquei curioso em ligar mais esta camada adicional: calorias! Até porque quero perder 5Kg. 
Ok toca a experimentar a App do myFitnessPal.  Usar um contador de calorias foi algo que nunca me entusiasmou, é um facto, mas com a sincronização com o Connect... hummmm... bora lá experimentar. 

Resultado: tou fan do processo. É simples inserir os alimentos. A app lê códigos de barras e conhece imensos produtos de forma instantânea. Se não houver código de barras a pesquisa resolve o problema. Fazer o log de tudo o que comemos não é assim tão difícil. A app traça um plano de ingestão diária de calorias em função do que pretendem, perder ou ganhar peso. Em função da quantidade sugere valores semanais e traça uma meta diária de calorias. A parte interessante é que depois recebe as calorias que gastaram nos vossos treinos, directamente do Connect e entra em conta com elas nos valores diários e estima o peso que irão ter dentro de x semanas.


Mais do que uma fobia de contar calorias, o processo é interessante porque contar calorias vos dá imensa informação sobre os alimentos. Cada alimento está totalmente detalhado em termos de nutrientes. Aprende-se muito. Ao somarmos os ingredientes por vezes ficamos de boca aberta. Por exemplo, uma sandocha mista com um suculento pãozinho integral cheio de apetitosas sementes pode chegar quase às 500 Kcal....

Por outro lado quando tentamos alterar o nosso peso, seja para cima ou para baixo, é importante seguir um plano. E de facto todo este sincronismo ajuda-nos a manter a motivação. Vemos algo a acontecer, sabemos se estamos no bom ou no mau caminho, dia a dia.


Tecnologicamente o fitness sync é a ultima tendência dos gadgets. GPS, saber onde estamos, quanto corremos, boring, demasiado 2010 já :)

Agora há todo o tipo de pulseiras que calculam as calorias consumidas, as horas de sono, os passos que deram e enviam para todo o tipo de Apps de nutrição.

Veja-se o novo Suunto Ambit 3 que de novo praticamente só traz o bluetooth sync para permitir todas estas interligações. Ainda antes de chegarem em massa os smart watches, lá mais para a frente quando a Apple lançar finalmente o dela (que obviamente será altamente inovador e o melhor smart watch do mundo com honras de abertura dos telejornais) irão dar por eles. Entretanto com o fenix 2 podem já ter um cheirinho do futuro com as notificações do Android ou iPhone a serem apresentadas no relógio. 

Para já estou a gostar da experiência integrada de todo o processo. Chego do treino e assim que o fenix 2 está ao alcance do telefone, envia automaticamente o treino para o site do Connect, que por sua vez envia automaticamente os detalhes para o myFitnessPal. Quando vou inserir qualquer refeição ou alimento no myFitnessPal já o moço tem lá o meu treino e com isso o respectivo bónus de calorias. Depois passa-me a mão pelo pêlo. "Se todos os dias fossem como este teria 75 kilos no dia 25 de Agosto" Ah amigo! Obrigado :)
Obviamente o Connect também recebe a informação do myFitnessPal relativamente ao que comeram e faz uns bonitos gráficos.

Agora percebo o fitness sync que aí vem, mais cedo ou mais tarde estará por todo o lado. Bem vindos ao futuro.

Importa referir que todo este automatismo requer as ultimas gerações de relógios da Garmin: fenix, fenix 2, 620 ou 220, bluetooth 4.0 bem como o Android 4.4 ou iPhone 4S. Divirtam-se!

Running Reviews: Salomon - S-Lab Advanced Skin Hydro 12

Running Reviews: Salomon - S-Lab Advanced Skin Hydro 12: A Salomon S-Lab Advanced Skin Hydro 12 é ultima versão das já conhecidas mochilas de hidratação "topo de gama" da Salomon. Não percam mais uma review no melhor blog de video reviews


Running Reviews Paulo Pires - Está no ar um novo projecto!





Agora subscrevam o blog, o twitter, o facebook e o que mais houver. Estejam atentos às primeiras reviews. Espero que gostem e que a nossa opinião seja útil.

O blog com as reviews está aqui: runningreviewspp.blogspot.pt/
O facebook está aqui: www.facebook.com/astrodeckStudio
O twitter é este: www.twitter.com/RReviewsPP
O youtube está aqui: www.youtube.com/astrodeckStudio

E também obviamente irei dar-vos conta aqui no meu blog quando sair algo de novo.

Basicamente é como diz o gajo da barba: estamos em todo o lado!

A Febre da Corrida - Uma reportagem a não perder

Uma reportagem bem interessante da RTP sobre os vários grupos de pessoas que se juntam para correr e a forma como a corrida muda a vida das pessoas. Muitos amigos e caras conhecidas. Agradeço ao João Campos e ao José Levy, bem como a todos os amigos dos Treinos Lunares que participaram nesse treino. Para a posteridade ficam as imagens. 





Get Ready for UTSM 3ª edição 100Km - A primeira vez é sempre na 3

Tenho recebido imensas perguntas de amigos com duvidas relativamente aos 100 Km de Portalegre. O que hei-de levar, e o calor, e o ritmo, e isto e aquilo e o outro.

Com 700 inscritos há imensa gente a aventurar-se pela primeira vez nos 3 dígitos. Acho muito bem. Uma prova de 100 Km não é nenhum papão. Desde que devidamente preparados e com alguns cuidados e precauções a prova de Portalegre é uma óptima prova para se fazerem 100 Km pela primeira vez.  Ao contrário do que muita gente pensa, a altimetria da prova vai permitir-vos alternarem a marcha com a corrida e assim suportarem melhor a distância. Seria bem mais complicado fazer 100 Km planos em que há muito poucas razões para andar... 
Para além disso estamos numa serra alentejana com bonitas paisagens, gente simpática, boa comida, uma festa.

A minha ideia é dar-vos algumas dicas que vos ajudem a superar estes últimos momentos de ansiedade crescente.


Dica numero 1 - Parem com a porcaria dos treinos
Não se treina nada a 15 dias de uma prova. O que havia a fazer em termos físicos foi feito, ou não. Não interessa. Acabou. Só estão a desgastar-se. A ideia é acumular energia, curar pequenas mazelas e lesões. Pequenas corridas com os amigos, nada de esforços. Poupem. Não tenham sentimentos de culpa por não estarem a fazer nada. Não vão engordar. Vão com vontade de correr e não exaustos e fartos de treinar. Isto é óbvio mas vê-se muito pouca gente a fazê-lo. Nesta fase faz-vos muito melhor não treinarem do que treinarem

Dica numero 2 - Sim estão prontos
Ah será que estou pronto? Sim. 90% de uma ultra está na vossa força de vontade, não está no treino X, Y ou Z. Portanto o único pensamento possível é: Sim, treinaram o suficiente e sim estão prontos e vão acabar. Claro que os outros 10% convém terem sido feitos. 




Dica numero 3 - Não é como começa, é como acaba
Vai ser um dia inteiro na serra, ou melhor, uma noite e depois um dia inteiro ou quase. Têm tempo! Não é tempo para se sentarem a ver a vista ou a contar anedotas. Mas têm tempo. Mantenham um ritmo vivo a andar, corram sempre que se sentirem bem, descansem um pouco se necessário, mas sobretudo deixem uma reserva de energia para os últimos 20 - 30Km. Se aí conseguirem correr mais do que andam então geriram bem o vosso esforço. Uma ultra é uma competição de gestão de esforço. Não vão acima das vossas possibilidades, bem pelo contrário. Vão sempre abaixo. E nas ultimas horas se o corpo estiver bem, então aproveitem e desfrutem. Vão com certeza fazer um excelente tempo se conseguirem gerir o vosso esforço. Não é ronha para depois terem força, é esforço equilibrado e depois no final serem capazes de ainda dar qualquer coisa.

Dica numero 4 - E o calor?


O calor é como todas as outras dificuldades. Protegerem-se bem do sol, reduzir o ritmo inevitavelmente, mas sobretudo reforçarem a ingestão de sal. A questão do sal, por vezes ignorada por pessoas com menos experiência, é fundamental. É importante mantermos algum equilíbrio de sais minerais no nosso corpo. Quando esse equilíbrio se deteriora porque perdemos muito sal, vários sintomas podem surgir, cansaço extremo, má disposição, tonturas. etc.
Numa ultra o corpo está sujeito a um esforço enorme. São horas e horas de esforço e transpiração. Quando transpiramos perdemos água e sal. Todos sabem isso. Se estiver muito calor vamos beber ainda mais água e logo transpirar ainda mais. Quanto mais tentamos hidratar mais vamos desgastando o nosso equilíbrio salino, por assim dizer. Por isso é importante repor sal. 
A dificuldade aqui é saber as quantidades. Há quem transpire mais, há quem pouco transpire, há quem tenha mais necessidade de sal, há quem suporte melhor. Não há uma receita única. É a experiência que vos pode ajudar. Claro que a experiência é coisa que quem está a começar não tem. Mas fiquem com esta ideia. Nos abastecimentos há sempre salgados. Atirem-se a eles sobretudo nas horas quentes. Também podem procurar nas farmácias por comprimidos de sal para a desidratação ou Dioralyte. O Dioralyte foi recentemente aprovado à venda no nosso mercado e é um pó à base de sais que vai combater a desidratação. É muito usado há vários anos noutros países. Não tenho experiência da sua utilização. Eu uso uma solução aquosa de electrólitos, altamente concentrada. No fundo o que interessa é meter sais. Esqueçam as bebidas isotónicas para repor o nível de sais que perdem. É para meninos. A quantidade de sais que contêm é insuficiente para esta função num dia de extremo calor. 
De resto não entrem em paranóia. O calor é perfeitamente normal e além disso só vai ocorrer entre as 13h e as 18h, no máximo. Uma pequena fracção da vossa prova. Aproveitem para baixar o ritmo nessa fase. Não culpem o calor e não se martirizem com isso. São vocês que vão ficar a perder se se deixarem afectar psicologicamente. 
Relacionado com o calor está o sol forte e deste é fácil protegerem-se. Levem um bom creme protector e apliquem generosamente em todas as zonas expostas. Diria que basta mandarem o creme para Marvão. Antes de o sol começar a apertar a sério já todos terão de lá ter passado. Se antes das 14h não estiverem em Marvão dificilmente irão acabar a prova. Marvão fecha às 14h. 
Levem um boné com protecção do pescoço. Deixem-se de panisguices. Protejam-se! 

Dica numero 5 - Fricção
São muitas horas a roçar, seja o que for que roce. Não sei se todos os PAC's têm algum tipo de creme gordo que estejam a precisar. E mesmo que tenham irão demorar mais de 2 horas entre alguns PAC's. Numa ultra devemos ir sempre confortáveis e qualquer problema que surja deve ser endereçado o mais rápido possível, sob pena de se poder agravar muito mais, podendo mesmo ameaçar a conclusão da vossa prova. Um tubo de vaselina poderá ser milagroso em algumas situações e não estou a falar dessas situações. Com base no conhecimento que já devem ter do vosso corpo decidam se vale a pena carregar com mais esse acessório

Dica número 6 - A noite
A noite é muito cansativa por si só. É muito exigente para a visão, a luz branca dificulta a percepção dos desníveis do terreno, impede a correta avaliação das subidas e também das descidas por limitar o campo de visão. Ao fim de umas horas vão estar cansados de correr com a luz do frontal. Se foram precavidos fizeram umas horas de serra à noite para se habituarem. Senão vão ter muitas para aprender. O dia só começa a nascer por volta das 6h. 

Dica número 7 - E o ritmo?
Esqueçam os Km’s. Configurem o vosso relógio com GPS para terem o ritmo médio sempre visível. Este será o vosso verdadeiro conta quilómetros. Não interessa quantos já fizeram, quantos faltam, que horas são, nada disso interessa. O que vocês precisam é de algo instantâneo que vos diga a qualquer momento como vão as coisas. E isso é o ritmo médio. Não o instantâneo. Não interessa se vão a 4”/Km ou a 6 ou a 10. O que precisam de saber é o tempo total/Kms que fizeram.
 Vamos então fazer algumas contas. A prova tem 100Kms. O tempo total são 24h, ou seja 1440 minutos. Portanto o ritmo máximo que podem fazer para acabar dentro das 24 horas são 1440 minutos /100 Km = 14,4”/Km. Como há alguma margem de erro no GPS façam as contas por cima. Contem logo com 103 ou 104Km nas vossas contas. Isto irá dar um ritmo máximo perto dos 14”/Km
Este valor é o vosso redline. Não o podem ultrapassar sob qualquer pretexto. Se virem este valor no vosso relógio significa que se o conseguirem manter até final conseguem acabar dentro do tempo, se o ultrapassarem já foram. Claro que podem sempre dar ao pedal para fazer baixar o valor e acabar dentro do tempo. Se conseguirem claro.
Mas não planeiem a vossa prova com este valor. Não vão sequer perto dele porque o risco de depois não conseguirem recuperar é enorme. Além disso no final quando estiverem com pouca capacidade para correr o ritmo vai inevitavelmente degradar-se.
Agora façam as vossas contas. Imaginem que querem fazer 18 horas de prova. Isto dá 1080 minutos. Dividindo por 104Km dá 10,4 minutos/km. É este valor que devem evitar ultrapassar.
Inicialmente a coisa é simples. Enquanto correm e mesmo enquanto andam bem, o ritmo irá estar ali entre os 6” e os 8”/Km. Mas à medida que vão parando nos PAC’s enfrentando subidas duras, etc. o ritmo vai começar a baixar. Mas basta meterem uns Km’s de corrida a 6” ou 7” e a coisa recupera. Após os primeiros PAC’s e os primeiros picos o ritmo deverá começar a estabilizar dentro da vossa expectativa e quanto mais para a frente mais difícil será alterarem substancialmente o seu valor.
Contem com uma inevitável degradação final e não se esqueçam dos 14”/Km, o valor fatal. Ah e atenção à margem de erro do GPS. No final o GPS poderá indicar mais 3 ou 4Km, é normal.
Façam algumas contas com vários tempos para memorizarem a que ritmos correspondem e assim durante a prova conseguem logo ir estimando que tempo vão fazer. Isto dá-vos algum descanso e podem usar o cérebro para outras funções mais interessantes.
Esta é a melhor utilização que podem dar ao vosso GPS numa Ultra.

Dicas genéricas
Queria evitar estar aqui a queimar o vosso tempo com basicidades que toda a gente que se inscreve numa prova de 100 Km já devia saber, tipo alimentem-se sempre bem, hidratem-se bem, etc. etc. Mas aqui ficam algumas coisas que devem ter em conta. 
Não percam demasiado tempo nos PAC's. São 10 PAC's. Se ficam 10 minutos, em cada um é mais de 1h30m que vão perder. Pode fazer a diferença entre serem fnishers ou não. 
Vão com um andamento sempre forte, mesmo a andar. Atenção à cena do "vamos juntos" a não ser que tenha sido previamente combinada e aceite por todos, pode ser um motivo de frustração. Ir com o X, o X cada vez com mais dificuldades, depois o X desiste e vocês que até iam bem já não vão ter tempo de concluir a prova. É óptimo fazer a prova com companhia mas pesem bem a questão e sobretudo sejam fortes para seguir sozinhos quando tiver de ser. É a vossa prova. Não é por equipas. Não é fácil termos alguém que tem exactamente o nosso ritmo. Alguém está a ir acima ou abaixo das suas possibilidades e depois pode ser frustrante.... Habituem-se a fazer a vossa prova. Desfrutem da companhia de quem forem encontrando pelo caminho ou de quem forem conseguindo acompanhar. Saibam ficar para trás se a corda estiver a esticar muito. 
Evitem a ultra caminhada. Forcem o corpo a correr sempre que possível. Vão chegar ao fim todos empenadinhos, andem mais ou menos. E já que é para empenar então empenem isso em condições.

Se houver algum tema que não tenha referido e que considerem importante ou que vos esteja a apoquentar não hesitem em perguntar e eu acrescento.

BOA PROVA A TODOS!